Monotipias produzidas a partir da impressão de uma trama de crochê sobre papel de diversas texturas e gramaturas, criando registros orgânicos únicos que remetem a mapas, fluxos hídricos e estruturas urbanas inventadas. A série investiga a cidade como tecido vivo, marcado por acúmulos, acelerações (dispersões) e tensões.
A ultima teia ieô, instalação para a Maratona de Intervenções Urbanísticas que aconteceu no último sábado, curadoria de @padmateo e promovida pelo @salaodaeba
Os fios foram sendo tecidos de maneira orgânica e sem o mínimo compromisso de estabelecer mandalas totalmente concêntricas ou regulares. O “caminhar enquanto tece” da aranha é uma metáfora para a produção contínua. A construção das formas se dá através da união de diversas “teias” tecidas através dos dias, como uma colcha de retalhos.
Há um padrão formal intrínseco desse trabalho que é caracterizado por pontos cordinha e pontos mais concentrados. Na realização há um cuidado de se fazer a cordinha quando a atenção do olho pode sofrer interferência ou ser desviada devido à simplicidade do ponto e da “memória muscular” do movimento. Nesses momentos “da cordinha” as vezes assisto uma aula, um documentário e até leio pequenas poesias. Esses momentos certamente elaboram padrões diferentes entre si.
No passo a passo da construção dessa teia alguns rituais vão sendo estabelecidos conforme cada nova atividade é adicionada. Momentos de relaxamento e tensão (atenção) inscrevem-se na obra e podemos ter uma especie de mapa de pensamentos.
Num gesto que é quase um elogio aos nossos tempos multi-tarefas, às vezes me pego crochetando enquanto escuto música e leio, coisa que seria impossível se meu fazer seguisse o rigor que minhas mais velhas me ensinaram, há quase 30 anos, contando pontos e criando peças totalmente simétricas (embora me lembre de sempre termos a tv como acompanhante nessa época).
Esses padrões muitas vezes acabam seguindo uma lógica que parece muito as curvas de nível do mapa de uma cidade com muitas montanhas, com suas centralidades (cada uma das “mandalas” produzidas em um dia) unidas por longas avenidas (pontos correntinha). Sendo assim as correntinhas aceleram o tempo, numa relação interessante com as cartografias de avenidas e com o fluxo de grandes rios.
Venho produzindo instintivamente alguns desenhos e pinturas que figuram olhos fechados em diversos contextos. Esses olhos que por alguns momentos representam a grande amplitude visual da aranha (meu animal de poder) aparecem em seres mutantes e híbridos.
Numa busca por paisagens imaginadas em que vou coletando o que brilha sob o sol nas margens de rios urbanos, me pergunto sobre a teia que une todas as coisas. O gosto pela tecetura e pelas manualidades surge muito cedo em minha vida ao passo que, boa parte de minha infância foi em um bairro violento as margens de uma grande avenida, condição que me mantinha muitas horas dentro de casa desenvolvendo práticas solitárias como o crochê, bordado e algumas formas de contato com a espiritualidade.
Todas as minhas mais velhas sabem tecer de muitas maneiras, mas além disso, habilidades de cuidado com a terra e cultivo de alimentos são compartilhados entre elas.
Há também muitos relatos da parte materna sobre a coleta de pinhão proveniente da Araucária, nativo da minha terra e que, devido a monumental dimensão de sua árvore, tem sua colheita possível “catando” direto do chão após a pinha cair e se despedaçar.
Há um conhecimento parcial sobre alguns povos que tinham hábitos coletores e semi-nômades como os Xokleng devido ao apagamento que sofreram por bandeirantes, catequizadores, colonos e povos mais territorializados como os Guarani.
Não há como negar, no entanto, que o cuidado com as araucárias e o gesto de coleta sejam os mesmos há muitos séculos nessa região. E nesse contexto, entendo por que coletar parece tão primordial em minhas andanças.
Muito feliz em compartilhar a publicação do meu ensaio “Magliani e a solidão da artista negra no sul do Brasil” no primeiro volume dos ‘Cadernos: escritos sobre arte’, iniciativa da Textituras.
O texto nasceu durante o Laboratório de escrita sobre arte, facilitado pela professora @mayagfernandes em 2025. No ensaio, revisito a trajetória da artista Maria Lídia Magliani e reflito sobre as tensões entre reconhecimento artístico, raça e pertencimento no circuito das artes visuais brasileiras.
As imagens são do lançamento da publicação na sede da Textituras, em Salvador. Um encontro bonito de leitura, conversa e troca entre artistes e pesquisadores.
A publicação reúne textos de:
Caroline Leite
Dani Curvelo
Dmtri Pinheiro
Estefânia Wasen Weber
Janaina Selva
Mariana Petroni
Thais Darzé
Thais Ferreira da S. Costa
Organização: Mayã Fernandes.
O livro pode ser baixado gratuitamente aqui:
/cadernosarte
Nessa última temporada de Sul, tive a alegria de ser convidada para criar a cenografia da formatura da @ni9luiza ✨
Um trabalho feito com muito afeto, cuidado e boas doses das cancerianices que nos conectam.
Entre luzes, encontros e celebração, a noite terminou com o coração cheio e a certeza de que criar também é comemorar junto.
Deixo vocês com essas fotos bafônicas que registram a lindeza que foi celebrar essa deusa do jeito que ela merece 💛
Todo projeto começa com um sonho compartilhado. A partir desse compartilhamento, fica inevitável que eu não comece a sonhar junto.
E a parte mais gostosa do meu trabalho é tornar esses sonhos visualmente acessíveis pra que todos os envolvidos possam somar ainda mais, trazer suas ideias e, depois disso, tornar tudo viável.
SSA40GRAUS foi assim. Tudo foi pensado e executado em coletivo, meu trabalho foi apenas organizar tudo de maneira visual para que coubesse dentro desse sonho.
Compartilho aqui o material que enviei dias antes do evento para que todos sonhassem juntos. E nesse finzinho de ano que tantos sonhos são colocados no papel, desejo que o trabalho sempre me preencha de orgulho e contentamento, do jeitinho que foi esse.
Fotos: reprodução @ssa40graus
Enquanto assistia as apresentações no sábado me divertia também com o encantamento que aquele universo causava nas crianças (que já dominavam o espaço desde a montagem).
Me dei por conta que aquela memória seria eterna praquelas crianças.
Fui transportada pro tempo em que tinha a idade delas, na Vila Santa Rosa em Porto Alegre, e as poucas atividades artísticas que tinha acesso era mesmo na escola municipal que estudava. E me senti feliz por fazer parte de um movimento que vai pra além do formal, que parte de uma iniciativa sensível com as pessoas de territórios que pulsam arte o tempo todo.
Ver as pessoas felizes e orgulhosas, trabalhando pra ver tudo lindo, os movimentos que vão tomando corpo enquanto a comunicação une tudo foi lindo 💛✨
Obrigada @ssa40graus@ni9prod e toda nossa equipe maravilhosa. Ansiosa pelos próximos ❤️🔥
#ssa #ssa40graus #desfilessa #desfiledemoda #salvador #saobraz #federacao
🐋 FUGAS AO MAR
ATO III - FUGA À FOZ: LUCAIA
Data: 14/12
9h
Ponto de encontro: Posto Shell (Dique do Tororó)
Ponto final: Rio Vermelho
Proposição: Estefânia Wasen Weber / Urbanidades
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Percorreremos as margens do rio urbano para acompanhar seu curso espremido pela cidade, atentos às camadas de àgua, história e desgastes que ali se entrelaçam. Caminhar o Lucaia é escutar o que corre apesar das interrupções, o que sussurra sob o asfalto e o que permanece submerso em silêncio. A caminhada torna-se gesto de aproximação e cuidado, um modo de reconhecer o rio como corpo vivo, enquanto seguimos em direção à foz.
Recomenda-se o uso de roupas confortáveis, garrafa de água, boné, lanches rápidos e filtro solar para aproveitar a caminhada.
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⚓️ Gostaríamos de convidar você, também, para as demais ações do evento:
13/12 – ATO II – Caminhos da água: aBordar
14/12 – ATO IV – Cartas ao mar
💧FUGAS AO MAR nasce como uma ocupação em trânsito — uma travessia concebida e realizada por artistas e pesquisadorxs do PPGAV/UFBA. Some-se a nós nesses deslocamentos orientados pelas águas.
🌊Para mais informações e para garantir sua vaga, faça sua inscrição pelo link na bio.
Relembrando um pouco do processo da Série Vale das Embaúbas : Uma Fabulação Sobre a Fotopintura Brasileira na @galeriacanizares
🎥Um agradecimento especial para @orikiag pelo belíssimo trabalho ao fazer esse vídeo e por somar forças nessa embaúba❤️🫶🏾
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Expediente
Rynnard - Conceito Artístico | Produção | Projeto Gráfico
Estefânia Weber (@teweber ) - Projeto Expográfico | Responsável Técnica
Tainá Xavier (@tainaxavier ) - Texto Curatorial
Cristina Damasceno - Texto Expográfico
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#colagem #exposição #arte #memória #arteemsalvador #fotopintura #artebrasil
#tbt de um projeto que nasceu entre o gesto e a lembrança. Um universo onde o afeto se apresenta em cor e o espaço se dobra para receber presenças. A figura de meus avós, reimaginados nesse universo fabulado, guiou decisões, despertou memórias e moldou o espaço com afeto.
Estar tão intimamente envolvida com esse projeto de Rynnard quase me fez esquecer que ele também marcava um começo: meus primeiros passos dentro da UFBA. Ter a oportunidade de apresentar meu trabalho a pessoas com quem dividirei espaços nos próximos semestres foi um momento de alegria e gratidão.
No Vale das Embaúbas, cores e volumes se deslocam, criando passagens entre o interior e o exterior, entre o real e o fabulado. Um universo de céu laranja e terra roxa, onde tudo acontece em outra frequência do tempo.
Conceito artístico: Rynnard
Projeto Expográfico e Responsável Técnica: Estefânia Wasen Weber
#ValeDasEmbaúbas #expografia #poeticasdoespaco #artesvisuais #arquiteturaeartes #processosartisticos #belasartes #ufba #projetoexpografico
Fragmentos do texto “Vestígios do cotidiano familiar” da prof.ª Mayã Fernandes (@mayagfernandes )sobre a exposição Vale das Embaúbas no ciclo da Galeria Cañizares. Sou muito grato pela leitura sensível e pelo fortalecimento ao projeto 💕
Expediente
Rynnard - Conceito Artístico | Produção | Projeto Gráfico
Estefânia Weber (@teweber ) - Projeto Expográfico | Responsável Técnica
Tainá Xavier (@tainaxavier ) - Texto Curatorial
Cristina Damasceno - Texto Expográfico
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Mayã Fernandes tem Pós-doutorado em andamento na área de História da Arte, com ênfase nas obras de Rubem Valentim, abstração e arte afro-brasileira, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com financiamento pelo CNPq (2024-2025). Doutora em Artes Visuais pela Universidade de Brasília, na linha de pesquisa Arte, Imagem e Cultura (2023). Mestra em Metafísica/ Filosofia, na linha de pesquisa Estética Antiga: Narrativa, Visualidade e Verdade, pela mesma Universidade (2018), com estágio de pesquisa na UBA (Buenos Aires/ARG). Graduada em Filosofia pela Universidade de Brasília (2016) e Licenciada em Artes Visuais pelo Centro Universitário Claretiano (2021). Foi docente substituta do Instituto Federal da Bahia - IFBA, Santo Amaro (2023-2024). Atuou como professora colaboradora na disciplina Estética e Linguagem visual pela LEYA / Espaço F508 de Cultura - Brasil/Portugal (2020/2023). É crítica de arte, publicando em revistas como Revista Desvio - RJ (2018-2019) e Revista literária Ano II: Ensaios - MG (2020- 2021). É editora-chefe da Textituras - DF/BA, desde 2018. Atualmente, investiga arte afro-brasileira, arte abstrata e espiritualidade. Atua nas seguintes áreas: História da Arte, Filosofia da Arte, Arte Moderna, Arte Abstrata e Arte afro-brasileira.
#exposicao #artesvisuais #colagem #fotopintura #retratopintado #memoria #artecontemporânea
Ecologias Indisciplinares é um espaço de leitura, discussão e troca voltado à reflexão sobre temas como ecologias, paisagem e natureza. A partir de leituras e conversas buscamos pensar as relações entre arte e ambiente, corpo e território, cultura e natureza, a partir de múltiplas perspectivas.
Os encontros são abertos ao público, de caráter informal e organizados em torno de textos pré-selecionados, conversas, partilhas de experiência, processos e investigações em andamento.
Programação:
28/10
Tim Ingold – “Trazendo as coisas de volta à vida: emaranhados criativos num mundo de materiais” (capítulo Materiais e Materialidade)
Tim Ingold – Estar vivo. Ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição (Parte IV: Um mundo narrado)
11/11
Eidorfe Moreira – Geografia viva
Arne Næss – The Shallow and the Deep
25/11
Vandana Shiva – Guerras por Águas
Macarena Gómez-Barris – Perspectivas submersas
09/12
Édouard Glissant – Abécédaire (conversa com Patrick Chamoiseau)
Os encontros são realizados por membros do grupo de estudos Urbanidades:
Ana Carolina Lima Corrêa, Ana Luisa Carmona Ribeiro, Estefânia Wasen Weber, Geovana Araújo Côrtes Silva, Ines Karin Linke, Mayã Fernandes e Milena dos Santos Ferreira.
Acesso ao material de leitura:
/drive/folders/123S0DPZJH3Y8BHaLfLQCviv7HWfCtH03?usp=sharing
Datas: quinzenalmente às terças-feiras – 28/10, 11/11, 25/11 e 09/12/2025
Horário: 15h às 17h
Local: KreativLab, Goethe-Institut Salvador – Bahia
Classificação indicativa: +18 anos