Por pura aliteração o Repelourinho repele.
O Busto Brega do Bel Borba (uma outra aliteração), autohomenagem, erguido na Praça Tomé de Souza, nos dá pistas semióticas da terra de ninguém, a nova Salvador Neverland. Ou melhor, a terra de um alguém: do nosso fantasma Carlos, o Casper Camarada (mais aliterações).
Não é muito difícil entender o carlismo e resumi-lo pedagogicamente em cultura clientelista - aquele aforismo “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. O carnaval, em seus moldes, como exemplo palpável. Repelourinho, o camarote.
Que se esgarcem então as cordas. A ocupação Carlos Marighella, exemplo, dança outras pipocas, para que em um fevereiro, na parada clássica do Sulacap, possam os pagantes vangloriar o leilão. Reconheçamos a genialidade e o perigo da estratégia replicada sob a máscara da cultura.
Quem se levantará contra o “para o bem da cultura”? Quem dirá da antimoralidade da arte quando lhe foi destinada a salvação, a civilidade? Quem interromperá a festa?
A estratégia carlista faz qualquer levante parecer antissocial, anticultural, antiprogressista, blasé baiano - é nisso, no silêncio social profundo, e nas conversas aceleradas nos backstages dos botecos, que passa a boiada (e deixa ela seus estercos).
Resumindo, nos diz Carlos sinicamente: Pra que ética? Estamos fazendo cultura!
Tomemos o exemplo do Ruivo Baiano (
@ruivobaiano ), influencer que recentemente expôs publicamente a taxa para o acesso do terraço do Cine Glauber Rocha, este que tem concessão pública, para um funcionamento privado (como parte de alguns patrimônios do Centro Histórico ou como agora será o espaço Coaty, etc.).
Rapidamente a denúncia feita pelo influencer o mascarou, pela estratégia já dita, como um inimigo da cultura, evidente na matéria (má escrita e rasa) do Correio, intitulada: “entenda o surto dos alecrins dourados contra o Cine Glauber Rocha”. A estratégia está posta em prática: ao rebelar-se, no meio da multidão do carnaval, corre-se o risco de ser esmagado. O cinema retrucou, com um post, dizendo que a taxa de acesso é um controle de proteção contra vandalismo, uma proteção ao patrimônio.
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