@_esquerdantina por
@ernandescaires
“Marcos, Ana, João e Paula foram felizes curtir a noite. Nas tatuagens da Ana, as declarações de amor aos pais e Yemanjá
No peito de Marcos quase encoberto pela longa cabeleira, o enorme crucifixo de Jesus. João preferiu ir de chinelo, se sente mais à vontade assim. Paula escolheu o coturno, que combina com sua minissaia xadrez e seu cabelo vermelho, quase raspado de tão curto.
Na fila da porta, dezenas de desconhecidos que sempre se encontram ali. Nunca trocaram muitas palavras, mas se cumprimentam como velhos amigos de infância. Empatia e caminhos abertos já na
entrada. Laroyê Exu, sua benção Nossa Senhora.
Benvindos à gafieira. Sopros, cordas, percussão, bateria e voz. Tudo num uníssono e afinado ritmo que faz até poste dançar. Um ambiente tomado pela alegria, pela vontade e urgência de viver.
Uma mistura de diversão e reflexão. Discurso e gargalhadas, brincadeira e militância.
No canto, um dos nossos casais sucumbe ao amor. Os namorados Marcos e João se beijam apaixonadamente sob os olhares das recém casadas Ana e Paula.
Tudo é pleno, tudo é divino e maravilhoso. Você esbarra em alguém e antes de pedir desculpas a pessoa te diz: O que é isso companheiro? Vamos tomar uma juntos! E abrem mais uma gelada, rindo com a amizade recém construída.
É respeito e afeto infinito. O músico, a artista plástica, o ajudante de pedreiro, a médica e o jornalista. Você só descobre quem é quem, se perguntar ou for apresentado. E todos se apresentam: Prazer, sou gente como você!
É a mais plural das diversidades. Referências de Salvador a Porto Alegre. De Campo Grande à Vitória, do Rio Vermelho à Marina da Glória. Como está nas bandeiras penduradas, de Cuba à Palestina.”
viva a
@_esquerdantina
Texto de Ernandes Caires