Eu nunca havia participado de uma residência artística, até que ano passado participei da @residenciaerdelyi onde por um momento tudo é possível.
Margens Indomáveis é este trabalho que realizei junto aos fungos de Tijucas do Sul. O título é uma referência ao texto escrito pela pesquisadora Anna Tsing que chegou a mim durante a residência pelas mãos de @pati.maartins No artigo Anna Tsing reflete sobre diversidade biológica existente nas margens despercebidas das selvas urbanas, áreas rurais e florestas. Os cogumelos possuem um companheirismo que contrastam com a nossa noção de propriedade privada e se expandem pelas bordas resistindo à dominação do ser humano.
Neste meu encontro com os cogumelos algo mudou definitivamente: além de encontrar fungos onde quer que eu vá, meu olhar ficou mais atento às relações ecológicas.
Acho que é um processo natural ao se conectar com esses seres inteligentes e silenciosos.
Quero agradecer todo mundo que fez parte do processo e me ajudou de alguma forma, as colegas de residência, a equipe de produção, as pessoas de Tijucas principalmente aos amigos Camila e Hemerson da @amuscaria.fungi verdadeiros apaixonados pela cultura fúngica. Queria agradecer também à @silvia_camargo_2934 Emerson e @celinhapadilha que me contaram suas percepções e afetos com os cogumelos. E por mim às curadorias de @milenacostafoto e @cabral.tais que foram fundamentais para eu concluir etapas do trabalho.
No livro O Cogumelo no Fim do Mundo: sobre a possibilidade de vida nas ruínas do capitalismo, publicado no Brasil pela @n.1edicoes , Anna Tsing afirma: “É difícil pensar no enfrentamento de qualquer desafio sem solicitar a ajuda de outros, sejam estes humanos ou não humanos. É o privilégio presunçoso que nos permite fantasiar - na contramão dos fatos - que cada um de nós pode sobreviver sozinho” e eu só tendo a concordar com ela, pois sem fungos não existe vida.
Muito feliz em compartilhar que fiz parte da exposição Past & Present no mês passado em dois lugares diferentes de Munique - Alemanha. O evento aconteceu do dia 16 ao dia 18 de junho em comemoração aos 15 anos da @der_greif que é uma organização e revista independente de fotografia contemporânea.
A exposição foi composta por uma instalação interativa na @pinakothekdermoderne onde visitantes editavam o painel de fotos ao longo dos dias. E uma projeção noturna na @zirka.space com a trilha sonora sendo guiada por vários artistas como o duo @touching_bass (!!!) e @enjierkhem cantora da Mongólia que mistura folk e jazz (eu indico o disco Ursgal pra quem for procurar).
Participei com uma foto da série Margens Indomáveis. Trabalho que desenvolvi ano passado durante a @residenciaerdelyi sobre o universo dos fungos, o título se refere a um artigo da pesquisadora Anna Tsing. Como todas as fotos ela foi impressa em 15x21 e possivelmente foi manuseada mais de uma vez, compondo e criando um painel que se transformava através de inúmeras mãos.
É a primeira vez que participo de uma exposição fora do Brasil em que a imagem foi impressa. Ainda que não pareça muita coisa, acho importante celebrar a materialidade da fotografia chegando em lugares que eu nunca imaginei. Isso aqui também é um lembrete pra mim e pra todo mundo que pensa em desistir dos seus projetos, desejos e vontades com a fotografia por diversos motivos… ainda existe beleza em sonhar.
As fotos são de @isvekata pela Der Greif.
Esse foi o terceiro texto que escrevi para a coluna do @itaucultural no ano passado.
Em Inventário, dois fotógrafos são convidados a produzir texto e imagem a partir de uma palavra. No mês de outubro eu e @marinanacamuli recebemos a palavra Resistência.
Trabalhei com as imagens de natureza que percorrem a cidade.
O link para o texto completo está no linktree, na bio!
📷 Como a fotografia pode revelar as conexões invisíveis entre humanos e natureza?
No dia 10/04, a Casa Confluir recebe o artista e pesquisador Walter Thoms (@walterthoms ) para uma conversa gratuita e aberta ao público.
A conversa propõe uma partilha dos processos da pesquisa Produzir Regeneração, uma investigação construída por narrativas e experimentações em fotografia. O percurso reúne vivências do mestrado e experiências em residências artísticas no CAMPO Arte Contemporânea, em Teresina, e na Residência Capivara, na Serra da Capivara, no Piauí. A partir desses deslocamentos, emergem reflexões sobre os fungos como agentes de conexão entre territórios e formas de vida.
A participação é gratuita e não requer inscrição prévia. ‼️ Conversa com tradução em libras. Vem fazer parte dessa troca!
▪️Walter Thoms é artista e mestrando em Artes pela UERJ. Sua pesquisa investiga as relações humano-natureza por meio da imagem, com foco nos fungos. Participa de residências e exposições no Brasil e no exterior, com interesse em fotolivros e sequenciamento de imagens.
Projeto viabilizado pelo Edital de Mobilidade Cultural, 1.ª Edição da Secretaria de Estado da Cultura e Governo do Estado do Paraná e com incentivo de bolsa de pesquisa científica do CNPq.
@campo.arte@residenciaartisticacapivara@libras.cultura
Neste sábado, dia 29, no Paço Imperial apresentarei parte do processo junto dessa turma linda 🍄✨
Reposted from @leiladanziger
Falas de artistas, falas dos processos. A cereja do bolo desse semestre.
Feliz em ouvir as/os artistas, com as quais converso desde agosto em torno de livros, bibliotecas e tantos outros gestos de transmissão, que nos constituem. Tudo no contexto da universidade pública / Ppgartes-Uerj.
No sábado, dia 29 de novembro, a partir do meio dia, estaremos na Sala Praça dos Arcos, Térreo, no Paço Imperial.
Flávia Metzler @flaviametzler
Lise Bastos @lisebastos
Luiza Reginatto @luiza.reginatto
Mandu @mandumello
Millena Lisia @millenalizia
Rayssa Veríssimo @rayssa_verissimo_
Regina Pessoa @regpessoa
Vitoria Porto @vitoriaport
Walter Thoms @walterthoms
Com a preciosa presença das professoras Ana Tereza Prado Lopes, Ines de Araújo, Marisa Flórido César e Paloma Carvalho. @anaterezapradolopes@marisafloridocesar paloma.carvalho.santos
E com a sentida ausência do coordenador, professor e amigo Luiz Cláudio da Costa, que estará em São Paulo. @luiz.claudio.da.costa
Design da queridíssima Lygia Santiago. @lygiasantiago2017
Agradecemos ao @pacoimperial_rj pela acolhida, especialmente a @sofiask__ E sempre ao @ppgartesuerj
MORMAÇO DE OUTUBRO vai finalizando a programação desse mês no cruzamento entre moda, imagens, fungos e samba!
Atelier Ateliê, nossa órbita ligada à moda e artesanias propõe a ✨ SEMANA DE REALIZAÇÃO DO DESEJO TÊXTIL ✨ em uma oficina de quatro dias, de quarta-feira a sábado (das 16h às 19h). Dedicada à experimentação e criação a partir do desejo individual ou coletivo dentro do universo do têxtil, será um espaço-tempo de liberdade criativa no qual os participantes possam costurar suas próprias roupas com apoio mútuo, desenvolver projetos pessoais ou aprender técnicas manuais ligadas ao fazer têxtil.
E a partir das 17h do Sábado, ✨FEIRA DE BRECHÓS DESEJO TÊXTIL✨ À vista do crescimento de feirinhas na cidade que mostram a potência de ações coletivas locais e conscientes, o projeto reforça a vontade de estarmos juntos e participar de movimentos que acreditamos.
O Estúdio Debaixo, órbita ligada às artes visuais do CAMPO, recebe o artista Walter Thoms para duas ações:
A primeira acontece na Sexta, quando Walter ministra a oficina ✨INVENTAR CONSTELAÇÕES: SEQUENCIAMENTO DE IMAGENS PARA FOTOLIVROS✨, destinada a qualquer pessoa interessada por fotografia e imagens, que tenham o desejo de investigar possibilidades para a composição de um fotolivro. Será das 16h às 19h, o link pra inscrição está na bio.
Já no Sábado, às 20h, teremos uma Roda com o tema ✨PRODUZIR REGENERAÇÃO: A CONSTRUÇÃO DE MUNDOS ATRAVÉS DA COLABORAÇÃO COM FUNGOS✨ A partir dos seus estudos de mestrado que estão passando pelo Piauí, Walter falará da sua investigação sobre a criação de imagens em processos experimentais através da arte.
E pra fazer a virada desse Mormaço de Outubro, a REVOADA, nossa Casa de Produção, apresenta o show ✨SAMBA DE VAGABUNDO✨do músico, compositor, coreógrafo e performer César Fantasma— artista piauiense que desde criança foi influenciado pela profusão da vizinhança em que vivia, onde nas ruas e serestas teve seus primeiros contatos com a dança e boas músicas. Seu trabalho autoral é diverso: brega, experimental, romântico, trap. Nesse novo projeto, se junta a Javé Montuchô para cantar samba e mostrar mais um de seus modos de atravessar o mundo.
Em 2011 eu cumpria uma escala 6x1 na Ibiza Laboratório Fotográfico, no centro de Curitiba. Na época com meus 20 anos de idade era obrigado pelo empregador a usar roupa social e barba sempre feita. Eu adorava observar os trabalhos deixados pelos clientes, passava horas a fio olhando negativos na mesa de luz, porém esse texto é sobre a vez que testei a paciência do RH, tudo por conta de um vinho com o Hermeto.
Nos arredores do laboratório existiam muitos restaurantes que eu almoçava, principalmente perto do terminal Guadalupe, mas às vezes na intenção de quebrar a rotina eu caminhava 10 minutos até o Shopping Itália almoçar no grill. Sem exageros, toda vez era certo que eu iria encontrar o Hermeto Pascoal com seus brilhantes cabelos brancos, sempre de chapéu, óculos de grau e com alguma camisa estampada. Diversas vezes encontrei ele nas ruas do centro, afinal Hermeto morava em Curitiba.
Como um bom canceriano, ele tinha seu lugar favorito no segundo andar do shopping: o Terra Verdi Café.
Um desses dias, depois de engolir meu almoço em tempo recorde, decidi interromper seu vinho com Aline Morena e outro senhor... Quem me conhece sabe que eu nunca peço para tirar foto com pessoas que sou fã e ali não foi diferente. Cheguei como quem não quer nada, tímido que só, pedindo um autógrafo. Hermeto me perguntou se eu tinha um papel, Aline sugeriu um guardanapo, mas aí ele tirou do bolso de sua camisa um cartão de visita e desenhou seu autógrafo. Depois de me entregar disse para eu sentar e provar o melhor vinho da minha vida, eu argumentei gaguejando que não poderia pois tinha que retornar pra trás do balcão no trabalho, ele insistiu e repetiu que o vinho era incrível. Cláudio, dono do café, me serviu uma taça de vinho "na conta do bruxo". Ora, quem era eu pra não tomar aquela taça?
Confesso que não lembro o gosto do vinho, pra mim aquele momento foi uma fresta que se abriu no tempo e que não esqueço até hoje. Cheguei atrasado no laboratório, com a minha camisa manchada de vinho o que resultou numa advertência, pouco tempo depois eu saí daquele emprego. Na parede do café, em cima de uma partitura desenhada por ele, flutuava a seguinte frase: Nós e nós pra toda vida!
Hoje entendo que ministrar uma oficina está ligado diretamente ao ato do encontro.
Pensar e realizar uma oficina é ir ao encontro das pessoas que se inscrevem e são movidas por interesses distintos, é ir ao encontro das pesquisas de artistas que você admira, é ir ao encontro de questões que se revelam somente quando a oficina acontece.
Mesmo que minha experiência com o ofício de dar aula aconteça pontualmente em oficinas, penso e me conecto com que Ocean Vuong fala durante uma entrevista para o Louisiana Channel em 2023:
"I'm a better thinker because I teach, and I realize that my ideas are stronger when they are in service of other knowledges, you know the people.
When I'm researching for my students I research better than when I research for my own work. Sure I'm a professor, but I think teaching happens in all parts of life, you know the plumber and his apprentice, those who work in the nail salon, the idea of handing over knowledge in order to share and bond, is something our species has done not only to sustain and boster each other but to survive."
Trocar ensinamentos é essencial para nossa sobrevivência, afinal se sei algo do mundo é porque tenho a sorte de encontrar gente por aí que também me ensina e são nessas interlocuções que algo se expande.
Quando enviei uma foto pro amigo @cicero.co do seu livro Baixa Estima por zap dizendo "mano, e um aluno que tirou teu livro da bolsa no final da primeira oficina?” ele me respondeu que acredita que o livro tem vida própria, caminhando junto com o que pensa Dayanita Singh e Rosângela Rennó, o que pensava Ulisses Carrión, o que penso eu e tantas outras pessoas: a autonomia de um livro no mundo.
Quero agradecer à todas as pessoas das 4 turmas que se permitiram transportar imagens de um lado pro outro durante as oficinas, a assistência do @tarcilo , a @isalanave por ter emprestado alguns livros do seu acervo, a @__aamandaprado e toda equipe da @caixaculturalcuritiba e aos encontros com tantas artistas que admiro.
Pra fechar esse longo devaneio, um trecho do livro Tremor de Teju Cole:
"Quando se reencontra o caminho de volta ao outro, fica-se surpreso por ter algum dia se desecaminhado."