É com um sorriso no rosto e grande entusiasmo que anuncio oficialmente o quinto Retiro de Ferro, nos dias 4, 5 e 6 de Setembro 2026, na magnífica Herdade da Agolada de Cima, em Coruche.
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Escolher ser atleta é abdicar de uma vida, principalmente da adolescência e da fase de jovem adulto.
Nunca foi uma escolha difícil para mim. Entre ser atleta ou ter uma vida “normal”, sempre soube o que queria. Sempre amei ser atleta… e ainda hoje amo.
Mas há muitas coisas de uma vida dita normal que me passaram ao lado. Coisas que a maioria das pessoas nem questiona, porque simplesmente assumem que vão vivê-las.
O ano passado, pela primeira vez desde que tenho memória como atleta, fui à praia numa tarde de semana. Pode parecer algo insignificante, mas nunca tinha vivido isso.
Sempre passei os verões a treinar e a competir. Lembro-me perfeitamente de ser adolescente, estar a correr ao final da tarde, enquanto os meus amigos passavam por mim a buzinar a caminho da praia. Nunca fiquei triste,eu sabia pelo que estava a lutar.
Mas quando finalmente vivi esse momento… senti uma felicidade absurda. Ainda hoje, só de pensar nisso, fico com um sorriso.
Ser atleta é isto.
É abdicar de coisas simples: ir à praia numa tarde de verão, estar presente em aniversários, em momentos com família, amigos ou até numa relação.
É escolher não comprar roupa porque precisas de umas luvas novas ou de uns ténis para correr.
É andar com um telemóvel velho para poderes investir numa viagem para a Tailândia, para treinar e lutar.
É passar o Natal a ver toda a gente comer, enquanto tu ficas fiel ao teu tupperware porque tens um combate marcado.
É apostar tudo num sonho que, muitas vezes, só tu consegues ver.
Não é fácil ser atleta.
Mas compensa.
Cada gota de suor, cada pedaço de dor, cada lágrima.
Porque posso dizer-vos, com toda a certeza: estes quase 16 anos como atleta foram… INCRÍVEIS
Durante algum tempo achei que podia estar a ficar maluco.
Comecei a aperceber-me que era uma pessoa diferente quando ia competir.
Comecei a notar que o meu comportamento e a maneira como eu lidava com algumas situações eram diferentes de quando não estava a preparar-me para competir. Tinha muito menos paciência, muito menos emocional e que só o meu objetivo é que importava.
Depois de me ter questionado durante alguns dias, decidi levar esta questão ao meu psicólogo e perguntar-lhe se era normal sentir que sou duas pessoas diferentes: quando vou competir sou uma e quando não estou a preparar-me para competir sou outra. Ele disse que era normal sentir que sou duas pessoas diferentes porque, quando entro dentro do ringue, não posso entrar com compaixão, amizade. Tenho que entrar focado e pensar que vou vencer independentemente de quem eu tenha à minha frente e, para eu conseguir entrar com o mindset certo, tenho que anular partes minhas que estão presentes no dia a dia.
E se nós formos pensar bem somos pessoas diferentes durante o nosso dia a dia e com as relações que temos, porque o que somos com a nossa parceira é uma coisa, o à vontade que temos com ela é diferente que temos com um amigo nosso ou mesmo um familiar e isso não quer dizer que estamos a ser falsos. Significa que temos diferentes tipos de intimidade com as pessoas e com umas conseguimos mostrar uma parte nossa do que com outras não.
A mesma coisa se aplica no trabalho. Quando estamos a trabalhar temos que ser focados, obstinados e se formos para o trabalho brincar não irá correr bem certamente.
Com isto tudo não quero dizer que estou correto, mas é a minha maneira de agir para poder ser eficaz no meu trabalho e não quero dizer também que não vá mudar no futuro, mas por agora ser desta maneira é o melhor que consigo fazer.
Por isso, não não estou maluco… talvez só um pouco, mas o que seria a vida sem um pouco de loucura.