Livros sobre livros é uma categoria com gostinho especial na minha estante. Por isso, amei revisitar a leitura de “A Mais Recôndita Memória dos Homens”, de Mohamed Mbougar Sarr, (
@fosforoeditora ) para o clube de leitura da
@aigolivros +
@sescbomretiro , organizado pela maravilhosa
@_carolina.ferreira . O ciclo é pensado a partir das conversas sobre imigração, diáspora, travessias. Não à toa: o bairro do Bom Retiro, em São Paulo, é símbolo desse contexto.
Neste livro meta linguístico até não poder mais (ainda me pergunto como o autor se organizou para escrever a história), temos um escritor-protagonista em uma busca obsessiva por outro escritor que, após ser acusado de plágio, desaparece do mundo literário. A aventura começa com trechos de diários, depois passa para uma estrutura clássica de romance, depois mira em cartas, depois pensamentos, depois trechos de críticas literárias fictícias.
Ele usa do próprio ofício para falar da palavra, para fazer crítica ao contexto no qual está inserido, com humor ácido e sagacidade. Ele também não se desvia de assuntos espinhosos, muito menos de personagens com índoles questionáveis. “Buscar a literatura é sempre perseguir uma ilusão.” E é com essa percepção que ele também cria labirintos na própria narrativa, emaranhada na visão de plágio versus inspiração.
Um livro inventivo, que pede atenção e tempo — algo essencial para driblar a performance da intelectualidade das redes. Um que critica, inclusive, os números online que fazem ou não vender livros; as editoras presas em loopings de tendências literárias; as premiações que olham apenas para cânones; os jornalistas, que não cansam de replicar preconceitos.
Para mim, o mais divertido de tudo isso, é ele ter ganho o prêmio Goncourt e ter sido traduzido para mais de 30 idiomas. Sinal de que ainda há espaço (e esperança) para a crítica inteligente ♥️
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