“Com licença, posso entrar?”
Das primeiras fotos que fiz na rua: o circo. 2015, Ribeirão Preto, num terreno perto de casa. Naquele dia, pedi licença para entrar. Depois ficou um tanto dentro de mim. A primeira foto me deu também uma alegria de ter ido parar numa intervenção no International Center of Photography (ICP @icp@helloicp ), em Nova York, junto com muitas, muitas outras fotos de fotógrafxs pelo mundo. E isso foi mais um incentivo para que continuasse a fotografia que havia acabado de começar.
Em 2022, eu criaria meu próprio circo, em forma de texto. As imagens e as palavras dançavam em mim e foram morar também nas páginas. Os personagens Nino e sua mãe, Zaran e Gaia são como uma família minha. Do que escrevi, é a história pela qual mais tenho carinho, uma realidade viva na minha cabeça.
De ontem para hoje, lembrei uma vez mais. E deu vontade de trazer essa sua raiz para cá de novo. Antes dela, já havia raiz de tempos muito anteriores, quando eu mesma sentei, por vezes, em bancos circenses para ver o fantáááástico espetáculo!
Bom, é isso! São parte essencial nestes dez singelos anos fotografando! E imaginando (sempre).
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Descobri-me colecionadora de nuvens
E das cores do tempo
Fotografo seu olhar dentro da moldura
Da memória de
Um dia de hálito quente o gosto da sua língua e dedos esculpindo a pele
Abro a porta e vejo injustiças escondidas
No fundo de um armário
Uma silhueta grita
É a mim que agarram sob a luz do sol
Fotografo meu olhar fora da ordem
Num dia de pulso frio,
Numa ladeira de faces pálidas
Você já não está
Acordo e vejo injustiças amontoadas
Sob cobertores nas calçadas da avenida
Mas o museu anda bonito
Tem sempre atrações a conhecer de novo
Fotografo nossos braços lado a lado
Na frente do quadro que nos olha
Sua mão tensa
Sem tatuagem, sem anéis
Sua boca ocupando todo o espaço
Fotografei
Fotografo
Tudo o tempo todo
Enquanto uma pilha de bagunças do mundo
Me deixa apenas um canto como refúgio
Faço coleção de nuvens
De cores do tempo
De retângulos
Em um deles te vejo dormindo
Enquanto amo em silêncio.
Mel Neves
Março/2026
Este texto se chama “Retângulo”.
Também escrevo. Às vezes, publico no: Substack @ melneves
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#escrita #skycolors #road #urbanscape #landscapephotography
Hi everyone! @luana_lmartinez and today I introduce you the beautiful work of Mel Neves (@mel.ns ). Mel began photographing the streets in 2015, and since then, photography has become her space of freedom. Drawn to mystery, she explores the rhythms of everyday life, the fluidity of the city, solitude, and the fleeting nature of existence. Her gaze is deeply connected to the perceptions and sensations of her childhood and teenage years, always guided by imagination as a vital force. For her, photography is not just a practice, but something rooted, inseparable from the way she experiences the world.
She is also the creator of Flana (@boraflanar ), a profile dedicated to those who let themselves wander through the streets with a camera in hand and also to those who simply wish to encounter the world through images. Flana became both a personal refuge and a collective space. Through it, she shares carefully curated street photography, highlighting works that resonate with sensitivity and depth.
There is something in Mel’s images that lingers quietly, reflecting a vibrant and poetic tension between light and shadow. A kind of presence that doesn’t ask to be seen, but to be felt. Light slips through, colors breathe, and life unfolds in fragments, sometimes loud, sometimes almost imperceptible. And somehow, in between all of that, we recognize something of ourselves… as if the city, for a brief moment, had whispered back.
📸 by @mel.ns
Thank you for sharing it with us!
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De umas caminhadas destes últimos dias. Tinha me esquecido de como é muito bom desbravar sozinha um canto da cidade em que eu nunca tinha pisado. E fotografar o que eu estiver a fim.
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#boraflanar #womeninstreet #solitude #chasinglight #flâneuse
“Gosto quando não sabemos por que o fotógrafo fez determinada foto; e quando de repente, sem sequer saber a razão de estar olhando para determinada imagem, descobrimos algo nela, só então começamos a ver. Gosto dessa confusão”. Li de novo esta frase conhecida do Saul Leiter* anteontem e me fez pensar o quanto eu gosto desta “brincadeira”.
Esta foto já tem uns bons anos. Eu ainda usava minha primeira câmera, minha primeira lente e minha primeira fascinação com a fotografia. Estava esperando para atravessar a rua. Me chamou a atenção aquela vida rolando do outro lado… e o que acontecia quando carros e ônibus passavam. Daquele dia, só lembro disso: do que me fez apertar o botão. Porque sempre me atraiu a tal “confusão”, esta coisa que instiga descoberta e imaginação. No mais, não é costume eu recortar as fotos em pedaços, ela já esteve por aqui, e só quis brincar um pouquinho (no post de ontem, idem).
* Fonte: Dorrit Harazim: “Saul Leiter (1923-2013), o retratista do fluir da vida”, no livro O Instante Certo (e também dá para ler o artigo online, no site da Revista Zum - revista um.com.br).
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Fotografia de rua. São Paulo, Brasil.