No desfile Eu vim de lá, da Kenner, a Labo Young chegou do Pará trazendo a energia coletiva como ponto de partida. A coleção nasce da memória da GDK, a Galera da Kenner, grupo que se reunia para atravessar Belém de festa em festa, seguindo o som das aparelhagens, ocupando a noite, o corpo e a cidade.
O “vir de lá” da Labo Young é sobre estar junto. Sobre criar comunidade no movimento, no encontro, no improviso. A passarela se transforma em pista, em rua, em espaço de convivência. As roupas carregam esse desejo de pertencimento que não se fecha em território fixo, mas se expande onde houver gente disposta a celebrar.
As pesquisas com redes e tramas, marcas do trabalho da marca, aparecem como metáfora e construção. Redes que conectam, que sustentam, que permitem estar junto sem se prender. As superfícies se cruzam, se amarram, se soltam. O corpo vira lugar de passagem, não de contenção.
A Labo Young cria sua própria galera. Uma galera que pode existir em qualquer lugar, desde que haja música, afeto e vontade de ocupar o espaço com presença. Não é sobre nostalgia, é sobre continuidade. Sobre levar a memória da festa para onde for preciso.
Porque quem vem de lá sabe: festa também é linguagem, também é política, também é forma de existir no mundo.
🗒️
@adelegrandis
📸
@agfotosite