A primeira vez que vi uma foto do Richard (
@rcchart ), tive a sensação de estar olhando para algo muito brasileiro sem cair nos estereótipos que normalmente acompanham esse tipo de imagem. As fotos tinham textura, personalidade e um senso de realidade que parecia fugir daquele polimento excessivo que domina parte da fotografia de moda hoje. Era uma linguagem muito própria: corpos, brilho, flash, baile funk, praia, rua, desejo e juventude brasileira coexistindo na mesma imagem. Meses depois, encontrar o Richard pessoalmente e acompanhá-lo trabalhando durante a Rio Fashion Week tornou tudo ainda mais interessante. Existe uma calma muito particular na forma como ele observa as pessoas antes de fotografar.
Aos 27 anos, criado no Cantagalo-Pavão-Pavãozinho (PPG), no Rio de Janeiro, o fotógrafo construiu uma estética profundamente ligada à vivência periférica, aos códigos visuais da rua e à memória da própria comunidade. Muito da sua fotografia vem das mulheres que cresceu observando, da cultura do baile funk, das CyberShots de brechó, da espontaneidade dos amigos que viraram modelos, stylists e colaboradores ao longo do caminho. Hoje, seu trabalho chama atenção justamente por transformar esse universo em imagem sem suavizar suas origens.
Em entrevista à FFW, o fotógrafo fala sobre representatividade, identidade visual, o atual momento da fotografia brasileira e o desejo de construir um legado através das imagens que cria. E você, já conhecia Richard?
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@laura.budin