Ontem apresentei esse trabalho na coletiva Geração Guignard 2024, na galeria Mari’Stella Tristão, no Palácio das Artes.
A exposição é uma mostra de processos dos formandos da escola, e essa fotografia integra a instalação ‘Minha verdade é abissal e qualquer feixe de luz desvirgina minha nascente’ que será apresentada na íntegra em fevereiro na galeria da Escola Guignard (em breve mais infos).
Minha pesquisa na construção de composições autobiográficas surge através da catalogação e observação de símbolos que oferecem um repertório ficcional aos elementos reais que me cercam, que dizem sobre minha relação com a natureza, o desejo, e o espelho do mundo.
Observar e manipular esses elementos, utilizando de procedimentos performativos para colocá-los em contato: agir minha própria fábula através do meu corpo, e, por conseguinte, da minha imagem, talvez seja, antes de tudo, um procedimento de vida.
A fotografia foi revelada em cianotipia sobre um tecido de 100 x 80cm e pode ser vista na exposição até dia 02/02 🐟
Ponto de Bala é um estado de iminência. O fio antes do disparo, que derrete antes de endurecer. Quem foi sábado passado sentiu esse gostinho.
4 artistas, 1 curadora, 1 galeria e grandes reverberações. Gratidão às presenças ilustres nesse dia!
Caso você ainda queira visitar, amanhã (dia 16/05) a exposição estará aberta de 9 às 13h.
AMANHÃ! Ponto de Bala no @vessie.atelier • 16h às 22h
16:30 ás 18h - Flaiê dj set @flaie.com.br
18:00 ás 19:30 - Brumano dj set + Intervenção cênica Giuli @brumanno@giulisempaz
19:30 ás 20:30 - Roda de Conversa Curadoria + artistas
20:30 às 22:00h - Kabulom dj set @kabulom_
Idealização e Coordenação: Gavioli e Gus Rocha
Curadoria: Júlia Maria
Realização: Vessie Atelier
Design: José Lucas
Do Barreiro ao Jardim Vitória, do Ipiranga ao Cruzeiro, os deslocamentos pela cidade refazem uma cartografia de encontros. Nesse percurso, quatro artistas se aproximam por uma intuição comum: a de que o eu não é um núcleo estável, mas um campo de forças povoado por outros eus. Uma fábula heteronímica que não foge da identidade, ao contrário, a persegue por meio de variações, máscaras e desdobramentos.
A exposição Ponto de Bala, e este texto, seu Ponto de Fio, nasce desse estado de iminência. O fio que antecede o disparo, a costura que sustenta antes de romper, a lâmina que se afia antes de cortar. Durante um único dia, ativações musicais, performances e conversas reorganizam continuamente as condições de leitura, mantendo tudo em latência. O que se instala é uma condição provisória e atenta, um campo onde preparação e ação coexistem.
Sábado — 09/05, de 16h ás 22h.
Vessie Atelier — Av. do Contorno, 4505.
Um dia de ativações, música e conversas.
Texto curatorial de Julia Maria.
Realização Vessie Atelier
Textão ✨ Revisitando essa pintura de 2023. Tenho feito isso com recorrência, retornando à minha produção, percebendo as minhas insistências, lendo minhas coisas e me inspirando por elas. Nostalgia, talvez. Há nesse oficio com as imagens o mesmo que há no ofício com as palavras: a possibilidade de manipular esse acordo coletivo invisível, que chamamos de realidade. Quanto poder, né? Talvez por isso tanto autorretrato: pra além de qualquer inspiração há no corpo o encontro do passado do mundo com o desejo de tudo, como diz Clarice ‘tenho um corpo e tudo o que eu fizer é continuação de meu começo’; e visto isso posso afirmar que viver é transicionar, do começo pro fim.
Olho pra esse retrato e digo pra essa figura: Há tempos tô procurando algo bonito pra te dizer, eu lírico omisso, mas nem sujeito dessa história tive coragem de te fazer, pois esse presente nunca dei a ninguém. É desse modo de covardia que construo seu personagem, possessiva, e te guardo como água fluidificada, quer dizer, como água parada em garrafa plástica, petróleo transformado. Esses dias fui ao cinema e vi um filme lindo, curvas psicológicas escandinavas em pleno contraste com esse meu peito latino de volúpia & desejo. Achei curiosa a sobriedade daquela gente: eles tem um jeito meio Amarelo Nápoles com um pouco de Magenta e Azul Cerúleo. Nós, brasileiras, somos de bastante Carmim, Ocre, Verde Vessie e, claro, Azul Ultramar. from the east to the West / the stream is long / my dream was wrong / from the birth to the death.
Retiro todas as flores e egrégoras dedicadas a você, pois te percebi distraído demais para isso que chamo de teu, mesmo que ainda não lhe fora dado. amar, se é que te amo, é dar aquilo que não se tem, sem entregar-se por inteiro, pois alguma coisa há de restar, por mais pueril, no meio do caminho. seria essa a nossa grande diáspora?
Espelho sob o céu
acrílica sobre tela
80x60cm
2023
✨
Revisitando essa pintura de 2023, que fiz na ocasião da exposição de comemoração dos 80 anos da Casa do Baile, no complexo da Pampulha.
Odoyá, água limpa, água.
À beira: gota que é mar transborda o peito.
Foto do @pmilagres