ovo arco íris, enigma talismã
Certa vez quando criança entrei num embate de perguntar pra todo mundo qual era a coisa que mais tinha no mundo. Nenhuma resposta adulta ficou na minha memória — mas lembro da minha conclusão simples e decisiva de que a coisa que mais tinha no mundo era cor.
Vivemos num mundo que produz do nácar ao arco-íris — isso não é fabuloso? Cores emitem frequência e são toda uma disciplina de estudo. Se você misturar um azul escuro como Prússia ou ftalo, com o marrom de sombra queimada, você terá uma cor mais escura que o próprio preto.
Continuo fazendo desenhos coloridos, usando todas as cores. Não todas as cores do mundo, só as disponíveis. Minha caixa de giz é menor que a da Lukah, que tem trinta e seis, e já gastei todo o branco. Inventei na minha cabeça um arco de ovos vazios, e agora preciso de ajuda para colocá-lo no mundo, sou uma artista que precisa de um monte de gente me ajudando pra conseguir fazer as coisas que quero.
Sempre que escrevo, é como se procurasse algo. Procuro ser surpreendida pelo que minhas próprias palavras me dizem. Não tenho a caixa de giz comigo, mas se tivesse, faria um ovo arco-íris, um enigma talismã. Essas coisas da ordem do mágico, do sobrenatural: uma cama com cobertores de cor pastel: azul, rosa, branco. Um lençol de seda pérola. Travesseiros com rosas azuis. Imagine só: rosas azuis.
Guardo papéis velhos como tesouros, não tenho mais onde guardá-lós, eles estão por toda parte no meu apartamento, dentro de portas, gavetas, pastas, caixas — sonho com um arquivo de metal. Catalogar meus papéis e sempre saber onde eles estão quando buscá-los, este é o meu sonho. Alguns desses papéis são coloridos, devia começar a fazer meu papel, reciclar meus papéis que já não fazem sentido guardar e fazer deles papéis de arco íris.
Retrato meu no ateliê feito pelo
@estudioquadrante