abre hoje a exposição "crônicas cariocas" no museu de arte do rio.
estarei lá com os meus dois rapazes de mãos dadas ao lado das mais de 100 artistas que me inspiram a seguir produzindo como pensar em artes.
curadoria de @marcelocampos7825@conceicaoevaristooficial@luizantoniosimas e @amandabonan
esse trabalho pede cúmplices, por isso tem sido bom vê-lo circular e chegar aos lugares, expondo o tocar de mãos (que foi uma das nossas primeiras privações durante a pandemia)
dois rapazes de mãos dadas foi resultado do 2° ciclo de residência da @salgadoerefresco e teve um super apoio das queridas @cuotidiano e @osorveteearosa
menção honrosa no @mix.literario 🏳️🌈
~~~~~~~~ "santíssimo" é um livro
no meio do caminho, ele carrega o nome do bairro em que nasci, na zona oeste do rio.
publicado pela @editoraurutau e lançado no início desse ano em parceria com a @livrariapulsa "santíssimo" é um livro independente com o suor de muitas mãos.
gosto dos lugares que ele me chama a revisitar, o poema no lugar do retorno da memória e principalmente a memória lgbtqia+ no subúrbio e na periferia.
a vida tem disso, né? a gente escreve pra produzir memória, alguém lê, o livro circula e as palavras também.
daqui a pouco essa postagem vai sumir no subir e descer da rede social, outras imagens vão surgir. por isso, quero agradecer quem leu e quem ainda vai chegar. agradecer quem colaborou na pré-venda, no depois, no fortalecimento e na circulação das palavras que se cruzam.
no posfácio de santíssimo, o @rafaelzacca escreveu sobre "pequenos fragmentos de felicidade que surgem em contrate com a solidão avassaladora" de um rio de janeiro onde pouco importam os cartões postais.
foi pensando sobre isso que resolvi aproximar (de modo muito amador mesmo) o poema "baldeação" e alguns registros de vídeo que venho fazendo há bastante tempo. são capturas que fragmentam momentos no espaço e no tempo e que quando aproximadas narram um território que pode ser montado e remontado em diferentes ordens, infinitas vezes.
esse poema, assim como todo o livro, é fruto do meu interesse em reorganizar as travessias que nos tiram de casa e suas motivações. atravessar uma cidade como o rio, seja para trabalho, lazer ou pegação, jamais foi uma tarefa sem custos.
por isso, santíssimo é um livro que aponta para diferentes direções e modos de se mover, mas não só. ele é um livro que acaba revelando um desejo absurdo e genuíno de transformar o cotidiano por via das relações com quem mantém de pé isso que a gente aprendeu a chamar de cidade.
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lembrando que santíssimo segue disponível no site da @editoraurutau esperando para ser lido.
#poesia #poesiabrasileira #literatura #riodejaneiro #santissimo #poemas #autoresindependentes #rafaelamorim #litetaturabrasileira
É amanhã! ✨
A ARTECORRE Galeria abre suas portas para receber Ainda é Sertão, primeira individual de Claudia Revoredo em parceria com curadoria de Rafael Amorim:
Diante das lacunas na história da Zona Oeste, a artista lida com temas como memória, ficção e vestígio para reconstruir narrativas no próprio território. Junto de uma investigação que se inicia no livro O Sertão Carioca (1936), álbuns de família e imagens produzidas por tecnologia generativa, a artista expande as possibilidade de reimaginar a Zona Oeste através das artes visuais, cruzando passado e presente num mesmo exercício de composição.
Para completar a festa: DJ Roger e DJ Clebson Prates! Apoio institucional MUZO - Museu da Zona Oeste 🐊✨
📌2 de maio, às 14h
Artcorre Galeria
R. Vinicius Ribeiro, conj. R. Roque Barbosa, 2
Entre memória, ficção e vestígio, ‘Ainda é Sertão’ expõe as camadas de transformação da Zona Oeste do Rio de Janeiro a partir da releitura de O Sertão Carioca (1936), livro de Armando Magalhães Corrêa.
Claudia Revoredo reúne imagens produzidas a partir de fotografias de arquivo familiar, registros contemporâneos e inteligência artificial em uma narrativa fragmentada, onde o passado não se recompõe, mas é reativado em diferentes e coletivas composições imagéticas. Esse percurso resultou no fotolivro, publicado em 2025, e agora se desdobra na exposição, com curadoria de Rafael Amorim.
A exposição propõe um espaço de circulação e reconhecimento, convidando o público a atravessar essas imagens e ativar suas próprias lembranças do território.
📌2 de maio, às 14h
Artcorre Galeria
R. Vinicius Ribeiro, conj. R. Roque Barbosa, 2
🗓 Abril a junho.
🕑 Quintas das 19h30 às 21h30
🚩 Presencial na A MESA
👥️ Até 10 participantes
Inscrições abertas, no link da bio do instagran de A mesa.
#artecontemporanea #arte #laboratório #arteemcoletivo #amesa
Um dos primeiros poemas do livro novo.
Por algum tempo, os últimos versos desse poema também foram o título do livro. Mudou depois de algumas leituras, porque outras coisas apareceram. De qualquer forma, o livro ainda não tem editora, mas sei que vai pro mundo esse ano - ano em que outro livro, O Sertão Carioca, completa 90 anos. Escrevi esse livro como uma resposta e catei o título lá de um dos prefácios do Magalhães Corrêa. É um livro que resulta de algumas obsessões e sustos. Às vezes sonho que ele já foi publicado e alguém disse coisas sobre ele. Queria sonhar que o próprio Magalhães o leu e disse que esse poema chama e mantém acesos outros poemas, porque foi assim que pensei a trama que ele desenrola.
As primeiras leitoras foram a @brunamitrano e @marinaalmeidamonteiro que disseram coisas importantíssimas e que seguem atravessando comigo esse território lamacento que é a poesia sob o sol, longe dos cartões postais.
As fotos também fazem parte de um ensaio visual que já já vai ser publicado. Mas isso é outra história.
𝑼𝒍𝒊𝒔𝒔𝒆𝒔, 2025.
dos nomes que ocuparam os antigos pavilhões manicomiais, raramente conhecemos suas histórias ou identidades. por anos destinado aos homens considerados perigosos e psicopatas enviados para a colônia juliano moreira em todo século xx, as principais dez celas-fortes do pavilhão ulisses viana serviam para a contenção e punição de tais homens sob um violento regime de encarceramento e destituição de seus bens. por quais outros nomes esses homens teriam sido chamados, caso não os negassem suas identidades? ainda no rastro de uma pesquisa a respeito da construção das masculinidades na zona oeste, essa história caminha sobre a trama entre as muitas memórias que compõe o território, exercendo um tipo de fé na linguagem para que ela não volte a servir de armadilha para o nosso aprisionamento.
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Exposto pela primeira vez em “para todo sonho, chão” como resultado da residência @acasapublica em parceria com o ateliê Gaia no @museubispodorosario
𝒄𝒐𝒎 𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒔𝒐𝒏𝒉𝒂𝒎 𝒕𝒆𝒓𝒓𝒆𝒏𝒐𝒔 𝒃𝒂𝒍𝒅𝒊𝒐𝒔, 𝟐𝟎𝟐𝟓.
mais recente das obras que produzi para a exposição "um emaranhado de ruínas ao revés", no sesc de são joão de meriti. dois vergalhões atravessam ao mesmo tempo duas almofadas na produção de um encontro entre materiais distintos. como dois corpos que atravessam a noite e pulam muros para tornar pública a propriedade privada. mas com o que sonham terrenos baldios não é uma pergunta. é, antes disso, uma personificação, um gesto em direção à complexidade que é construir imagens sobre violência sem a reprodução da violência. entre o prazer e a dor, corpos abundam terrenos baldios e a zona oeste abunda em terrenos baldios. com eles aprendi a enganar a morte, deixando sobre seu solo um pouco de mim quando outro. no sonho do terreno baldio, todos nós saímos vivos.
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📷: @charlinhus
a exposição fica até 12/10 no @sescsaojoao conta com produção da @bombacriativa e em breve lançaremos nosso catálogo.
letra preta em página branca é um trabalho em processo contínuo. porque gosto de criar pares e aproximar materiais. aqui, a coisa se dá na junção de trechos de obras literárias que, de algum modo, narram a zona oeste e versos que compõem minha escrita a partir de memórias individuais ou coletivas. "a gente vinha de mãos dadas" é o primeiro verso do livro ‘o meu pé de laranja lima’, clássico da literatura br ambientado em bangu. já o segundo verso, "viver nos custa o fígado", escrevo após um caso de violência na comunidade da vila kennedy em 2013, quando um pai tirou a vida de seu próprio filho para repreender seus trejeitos afeminados. a criança faleceu em decorrência de complicações no fígado. assim, minha letra preta em página branca é modo de pensar uma escrita que negocia seu espaço nos lugares poéticos e políticos, nas fronteiras cada vez mais borradas entre realidade e ficção, cruzando o tempo para criar outros espaços em que a ideia de masculindade não esteja a serviço da violência. produzindo a partir dela e não sobre a violência. daqui, viver, escrever e fazer arte são gestos de continuidade, atestados de presença. talvez como forma de honrar a memória de quem teve a vida interrompida, porque aquele menino poderia ser eu, que também desmunhequei ao oeste por toda a infância. e, no entanto, eu poderia ser todo e qualquer menino que, assim como eu, ainda sonha no lado de cá.
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registros de @oiarturcunha na exposição coletiva 'zona de convergência' com curadoria de @gutoezek no centro cultural são paulo; @callmerafaelshots na minha indovidual 'nem todos nos tornaremos homens' na @meiofiogaleria com curadoria do @siscrun e uma colagem digital a partir de artigo no jornal o globo e página do livro 'o meu pé de laranja lima.'
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vivemos.
em 2019, éramos um grupo de aproximadamente cinquenta estudantes de regiões não centrais da cidade. ainda assim, o problema estava longe de ser apenas o turismo predatório: o problema era o cansaço ao acessar e permanecer num espaço público capturado pela pequena burguesia, onde o preço do café, naquela época, já não cabia no bolso. movimentando parcerias, escutas e trocas entre curadoria, direção e corpo docente, conseguimos o básico. no decorrer das negociações, éramos estudantes propondo ações que integrassem as áreas comuns do palacete. foi assim que surgiu “como propor um cartão postal”: ação em que convido a escola de artes visuais do parque lage a compartilhar o almoço na margem da piscina – enquanto outro banquete acontecia atrás da gente. tendo a aderência, também, de outras pessoas interessadas em estar junto, sentamos em comunhão e almoçamos entre turistas curiosos e indignados. um breve momento de suspensão no modus operandi do ponto turístico e da escola, já que compartilhar do alimento ainda é um ato em direção a pedagogias que privilegiam a socialização e não a exclusividade. saímos da sala de aula e fizemos do almoço um espaço de aprendizado, sem nenhum glamour. o registro é apenas um tipo de partitura para que outros tipos de ações como essa possam seguir acontecendo. aprendi assim, no trânsito, a pensar sobre acesso e permanência. “como propor um cartão postal” é responsável pela prática artística que desenvolvo hoje, me colocando diante do interesse pela ideia de uma poética indisciplinada e não interdisciplinar – porque a interdisciplina custa caro. há, nessa descoberta de cinco anos atrás, um gesto artístico como criador de gambiarras (físicas, imagéticas, textuais) para driblar o design global da subalternidade no corpo que sai das margens para frequentar os ambientes de prestígio. bem, no campo das ficções visionárias, não escondo meu desejo de uma escola de arte que pudesse ser uma instituição movente e se instalasse em outras áreas, como manguinhos, por exemplo, ou na baixada fluminense, na extrema zona oeste... e, para o palacete do jardim botânico, me contentaria que pudesse se tornar um belíssimo restaurante popular.
𝐮𝐦𝐛𝐢𝐥𝐢𝐜𝐚𝐥 (𝐚𝐬𝐬𝐢𝐦 𝐧𝐚 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐧𝐨 𝐜𝐞𝐮) é uma escultura com mais de 9.000 lacres de latinha de alumínio, tendo um único lacre banhado a ouro 18 quilates. são aproximadamente 10 metros de um cordão que tem sua forma retorcida, construído para religar seres e memórias terrestres a tudo aquilo que ascendeu aos céus e que não retornou. ainda que essa não fosse nossa principal fonte de renda, volto no tempo em que minha mãe e eu enchíamos um carrinho de mão enferrujado com dezenas de sacolas de latinhas que seriam vendidas no ferro velho. por isso esse trabalho existe: para dar forma às imagens impossíveis de representação e que mostra o resultado de um processo diário com a memória do chão e das desimportâncias encontradas nas periferias e subúrbios. mostra também meu modo de lidar com o luto, de tirá-lo dos compartimentos onde a gente costuma esconder algo para protege-lo, deslocando da memória aquela imagem de um cordão umbilical seco e estranhamente guardado na gaveta de uma cômoda da infância. enfim, hoje não sei a quantas anda o quilo de metal nenhum, de modo que também não saberia dizer se um lacre de ouro seria mais ou menos valioso que uma garrafa pet cheia até a boca com aqueles feitos de alumínio ordinário, cotidianamente descartados, mas que simbólica e delicadamente religava mãe e filho a um propósito. feliz dia das mães, mãe. onde quer que esteja. 📷: @maumachado.jpg@mangolin