PANC parece nome difícil, mas a ideia é simples: são plantas alimentícias que existem nos quintais, canteiros, roças, beiras de caminho e saberes populares, mas que raramente aparecem no supermercado. Muitas vezes, elas são tratadas como “mato”, “daninha” ou “invasora”. Mas, quando alguém ensina a olhar melhor, a planta que parecia sem lugar pode revelar sabor, memória, alimento e cuidado.
Foi isso que aconteceu com a ilustradora
@bealake durante a oficina “PANC: do canteiro até a panela! Plantas Alimentícias Não Colonizadas”, conduzida por Ana Luiza Frari e Rogério Ode Amorim no Festival Cultive Resistência, em Peruíbe, São Paulo, no mês passado. A programação do festival descreve a oficina como uma vivência sobre cultivo, identificação, manejo, poda e colheita de plantas alimentícias não convencionais.
A Bea contou que experimentou flores de lírio-do-brejo e ficou encantada com essa virada de olhar: uma planta não nativa, que se espalhou muito por ali, também pode ser percebida como comida, e não apenas como problema. Isso não elimina os cuidados ecológicos com espécies exóticas, mas amplia a pergunta: quantas plantas a gente aprendeu a ignorar antes de conhecer?
O termo PANC foi popularizado no Brasil pelo pesquisador Valdely Ferreira Kinupp, referência central no tema e autor, com Harri Lorenzi, do livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. A ideia não é sair comendo qualquer folha por aí. É reconhecer, identificar corretamente, aprender o preparo adequado e valorizar conhecimentos que a alimentação industrial foi empurrando para longe da mesa.
Falar de PANC também é falar de autonomia alimentar, biodiversidade, cultura de quintal e memória. Às vezes, a comida do futuro já estava crescendo pertinho da gente.
Ilustrações:
@bealake
Oficina: Ana Luiza Frari
@quintal.itinerante e Rogério Odé Amorim
Festival: Cultive Resistência
@cultiveresistencia