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Beatriz Lago

@bealake

Cofundadora @basurassss 💥 Designer @_arado 🌽 Somando @arvoreagua e @graffitodas_br 🎨 BH ~ CWB • Brasil 🇧🇷
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PANC parece nome difícil, mas a ideia é simples: são plantas alimentícias que existem nos quintais, canteiros, roças, beiras de caminho e saberes populares, mas que raramente aparecem no supermercado. Muitas vezes, elas são tratadas como “mato”, “daninha” ou “invasora”. Mas, quando alguém ensina a olhar melhor, a planta que parecia sem lugar pode revelar sabor, memória, alimento e cuidado. Foi isso que aconteceu com a ilustradora @bealake durante a oficina “PANC: do canteiro até a panela! Plantas Alimentícias Não Colonizadas”, conduzida por Ana Luiza Frari e Rogério Ode Amorim no Festival Cultive Resistência, em Peruíbe, São Paulo, no mês passado. A programação do festival descreve a oficina como uma vivência sobre cultivo, identificação, manejo, poda e colheita de plantas alimentícias não convencionais. A Bea contou que experimentou flores de lírio-do-brejo e ficou encantada com essa virada de olhar: uma planta não nativa, que se espalhou muito por ali, também pode ser percebida como comida, e não apenas como problema. Isso não elimina os cuidados ecológicos com espécies exóticas, mas amplia a pergunta: quantas plantas a gente aprendeu a ignorar antes de conhecer? O termo PANC foi popularizado no Brasil pelo pesquisador Valdely Ferreira Kinupp, referência central no tema e autor, com Harri Lorenzi, do livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. A ideia não é sair comendo qualquer folha por aí. É reconhecer, identificar corretamente, aprender o preparo adequado e valorizar conhecimentos que a alimentação industrial foi empurrando para longe da mesa. Falar de PANC também é falar de autonomia alimentar, biodiversidade, cultura de quintal e memória. Às vezes, a comida do futuro já estava crescendo pertinho da gente. Ilustrações: @bealake Oficina: Ana Luiza Frari @quintal.itinerante e Rogério Odé Amorim Festival: Cultive Resistência @cultiveresistencia
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10 days ago
Diretamente de Minas Gerais, a artista @bealake empresta seu traço a este carrossel sobre um território de história viva. Muito antes da nova corrida pelo lítio, o Vale do Jequitinhonha é chão de comunidades quilombolas, camponesas e outros povos e comunidades tradicionais, com história, memória e modos de vida próprios (Pessanha e Sulzbacher, 2026: https://abre.ai/artigo-jequitinhonha-atingidos-litio). O lítio é tratado hoje como mineral “crítico” por seu papel na cadeia das baterias. Mas “crítico” não quer dizer limpo, nem sem conflito. Estudos recentes na região mostram que a promessa de “mineração verde” entra em choque com impactos sociais e ambientais reais e com denúncias das comunidades locais (Ribeiro et al., 2026: https://abre.ai/artigo-litio-conflito). Para tirar esse minério do chão, abrem-se cavas, removem-se grandes volumes de rocha, fazem-se detonações, circulam máquinas pesadas, aumenta a poeira e cresce a pressão sobre a água, a terra e os modos de vida. O problema não é uma mina isolada, mas a soma delas sobre o mesmo território. No EIA de 2021 da Sigma Mineração S/A, a empresa informou intervenção ambiental em 105,32 hectares, com supressão de vegetação nativa, vegetação em regeneração e árvores isoladas (https://abre.ai/eia-2021). Outro projeto da Atlas Lítio Brasil foi criticado por análise fragmentada, apesar de incidir sobre a sub-bacia do Ribeirão Calhauzinho, se aproximar da APA Chapada do Lagoão e da área de influência de comunidades tradicionais. Nota técnica da UFMG alerta para impactos cumulativos e sinérgicos sobre água, saúde, serviços públicos, vida produtiva e tecido comunitário (https://abre.ai/ufmg-notatecnica-litio). Enquanto mineradoras estrangeiras lucram, o território fica com os custos. E o governo ainda ousa rebatizar a região como “Vale do Lítio”, como se um nome novo pudesse apagar sua história. Esse marketing verde tem nome: greenwashing. Não existe mineração sem impacto. O que existe é discurso de sustentabilidade usado para esconder e maquiar esses impactos. OBS: Ilustração inspirada nas fotografias de Isis Medeiros (@isis.medeiross )
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1 month ago
No último domingo, realizamos uma colagem de lambes para o “9° Aidê como tá vósmicê?” realizado pela Mestra Alcione, a primeira mestra de capoeira Angola de Minas Gerais. O evento visa celebrar y fortalecer a presença das mulheres na capoeira Angola. Acreditamos no lambe como uma ponte de encontro entre mundos, ferramenta de memória no espaço. Em conexão com a Mestra Alcione @cici.floresta , ilustrações de @l.ucasa__ , frases e colagem Basuras, @autonomiayalegria_ e @bealake 📎 Lambe-Lambe para baixar e imprimir no link da bio. Música @mestrenegoativo Letras e Diagramação @bealake
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1 month ago
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1 month ago
Nossa identidade cresce do lugar onde vivemos, das mãos que nos ensinam a caminhar, a ouvir e a falar, a contar o tempo e a recontar histórias, a plantar, a cozinhar, a compartilhar receitas, cuidados e sonhos. Pertencimento é isso: sentir que fazemos parte de uma continuidade, honrando nossas ancestrais. Quando laços com o território são rompidos, perdemos referências, autoestima e memória coletiva. Perdemos a sensação de casa. Durante muito tempo, algumas ideias foram apresentadas como normais: que uns nasceram para mandar e outros para obedecer, que explorar sem limites a terra e os seres vivos não teria consequências, que diferenças de cultura, cor da pele e modos de vida precisavam ser organizadas numa escala de valor. Quando relações de poder são tratadas como se fossem parte da ordem das coisas, fica mais difícil questioná-las. A filósofa e educadora bell hooks cresceu no sul segregado dos Estados Unidos e aprendeu, ainda criança, que sua comunidade, mesmo marcada pela herança da escravidão e pela segregação racial, amava o lugar onde vivia. Cuidar da terra era um gesto de dignidade, resistência e segurança interior. Ela nos lembra que não existe cuidado ambiental separado do cuidado humano. Quando comunidades são afastadas de seus territórios, enfraquecemos a natureza e as relações que sustentam a vida. No Brasil, mulheres pretas vêm afirmando que a desigualdade racial também se revela no acesso à terra, à moradia e ao direito de permanecer nos seus territórios. Ao ressignificar palavras que já foram usadas para ferir, reafirmam identidade com coragem e consciência histórica. E lembram que pertencimento é chão, memória viva e continuidade. Reconstruir pertencimento é reconhecer que a nossa linda sociobiodiversidade é a base do florescimento humano. Proteger o lugar onde vivemos é uma forma de reconstruir o cuidado e "amor próprio coletivo".
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2 months ago
Carnaval é encontro, sonho e pertencimento. Celebramos a diversidade viva e a abundância da natureza na Terra. A alegria é um princípio ecológico. Nos próximos dias, o Brasil inteiro experimenta uma onda de alegria coletiva e de sonho compartilhado. Vamos navegar juntos e imaginar outros mundos. O brilho dos encontros nasce do cuidado real com as pessoas, com as crianças, com os resíduos, com as ruas e com os rios. Vamos festejar os territórios. Todo carnaval abre um portal de transformação. Quando a quarta-feira chegar, que essa visão de mundo nos ajude a transformar o modo de viver juntos no planeta.
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3 months ago
Enquanto o negócio do agro insiste no uso do veneno e na monocultura, Vandana Shiva nos convida a olhar para as sementes nativas e para a biodiversidade. Ambientalista, escritora e pesquisadora, formada em Física com doutorado em Filosofia da Ciência, ela recorre à ciência para mostrar que a monocultura vai contra a lógica da vida. A natureza opera em diversidade, não em padronização. Vandana fundou a Universidade da Semente (Bija Vidyapeeth) e articula uma ampla rede de agricultores na Índia para lembrar que ciência e saberes ancestrais precisam caminhar juntos. Que soberania alimentar é liberdade. E que as monoculturas empobrecem o solo, a água e também a mente humana. Ao defender bancos de sementes nativas em diferentes partes do mundo, ela defende o meu e o seu direito de comer comida de verdade. É um convite generoso para retomarmos nossa autonomia e nossa relação com a terra. O futuro é agroecológico. Vamos cultivar e espalhar essa semente.
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3 months ago
Na próxima terça-feira 02 de dezembro, às 20h, tem lançamento da publicação Beleza Intrínseca com exposiçao e roda de conversa no Negrita Bar, em Curitiba, com transmissão ao vivo no perfil do @notitleandco 📍 Rua Brigadeiro Franco, 1193
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5 months ago
Conheça mais do trabalho que Beatriz Lago, Bruna Alcântara e Elenize Dezgeniski realizam ao criarem em suas obras, mundos que dialogam com afeto, política, maternidade e presença. Um encontro potente da arte feita por artistas do Paraná, reunidas em uma publicação inédita! Vem aí o lançamento 02/12. #ArteParanaense #MulheresNaArte #ArtesVisuais
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5 months ago
Camadas ~stencil ~ lambe ~rua
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6 months ago
A gente costuma mostrar so o resultado, né? Mas pintar na rua, pra mim, tem um brilho diferente, desde que me entendo por gente, quando via meus vizinhos pintando trem lá em Pinhais na frente da escola hehehe Mesmo somando mais ativamente nas ruas com o lambe-lambe, seja na arte autoral ou coletiva, pintar muro sempre me trouxe curiosidade, me movimentou e me desafiou. Desde que estou em Belo Horizonte, há cinco anos, foi através do @graffitodas_br que tive a oportunidade de experimentar mais essa linguagem, de aprender mesmo. A pintura com spray é uma das mais desafiadoras pra mim. E foi com o stencil que encontrei outras possibilidades de conforto, de experienciar a o grafitti de outras formas. Esse mural é o quinto que faço com o Todas. Foi muito especial, porque desde que soube do projeto quis trabalhar no stencil. Passei umas duas semanas estudando e recortando antes da pintura. Quando cheguei com meus papéis, fita crepe e um sonho, senti nervosismo com o que poderia sair dali. Mas, aos poucos, fui curtindo o processo, me acolhendo no resultado. Tem os desafios: o calor, o tempo, o corpo cansado. Mas tem também a resenha, esse acolhimento coletivo que sustenta e inspira. Independente do momento de cada um ali na arte de rua, estar junto é celebrar y perceber que cada vez que somamos, também nos transformamos. Fiquei muito feliz de poder somar em mais um mural, de compartilhar materiais e ideias. Os stencils acabaram sendo usados em outras partes do muro, e isso é muito chique: uma coletividade viva. Pintei também com a Suculenta, esse vulgo que há mais de dez anos espalho pelas ruas. 🪴 Agradeço pelo convite, por somar com artistas incríveis, referências de técnica, de corre e de sensibilidade. Celebro muito esse momento e desejo vida longa ao Graffiti Todas e a todes que seguem ocupando o mundo com coragem ✨ Belas fotos de @marinaestanis 💜
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6 months ago
Às vezes, é preciso sair das redes e ocupar o mundo real. Faltam parques perto da sua casa? Falta água na sua torneira? Como está a questão do lixo e do saneamento? Cuidar do que está perto é o primeiro passo para mudar a realidade que nos cerca. É aqui que a mudança começa, na circunstância e no contexto onde vivemos. Vivemos em comunidades reais. Qual a melhor forma de conhecer as demandas locais? Encontrar grupos do bairro, conversar, pensar em coletivo sobre a origem e as soluções dos problemas. Participar de grupos de discussão, associações de moradores, convidar artistas. Uma conversa, uma ideia, uma tarde produzindo cartazes com as pessoas que enfrentam e querem transformar um problema real na vizinhança. Hoje vamos falar da Basuras Coletiva, que realiza campanhas informativas sobre meio ambiente e direitos humanos, além de desenvolver zines, materiais educativos e oficinas de criação. Arte urbana é comunicação popular, coletiva, efêmera e livre. Saiba mais no perfil da Basuras. Expressar-se no espaço público é parte da cidadania. É o recado da vizinhança dizendo: o espaço público também é nosso. Participar da vida nas grandes cidades é um direito e também um dever de quem vive nelas. Procure pontos culturais que aceitem colagens ou distribuição de cartazes, quadros de avisos comunitários, suportes cilíndricos específicos, crie painéis temporários ou intervenções em espaços de uso público, conforme a legislação de cada cidade. O lambe-lambe é uma forma legítima de comunicação comunitária, uma mídia popular que dá voz ao que costuma ser ignorado. É pertencimento. Informe-se sobre a lei da sua cidade. Distribua mensagens. Espalhe ideias que cuidem, despertem e inspirem quem passa. Pode parecer simples, mas é uma forma de dizer: estamos aqui, atentos, cuidando do que é nosso.
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7 months ago