Tem algo que sempre me emocionou de um jeito que eu nunca soube explicar direito: ver pessoas fazendo algo juntas. Um coletivo em ação, um esforço compartilhado, quando muita gente vira um só. Por isso eu já sabia que participar do Volta à Ilha ia me emocionar.
Corri o meu primeiro Volta à Ilha esse ano no final de abril — 140 km em revezamento ao redor de Floripa. Corri com a
@templeofrunner , um grupo que mostra como a corrida é o esporte individual mais coletivo que existe. E eu nunca entendi tão bem essa frase quanto agora.
Foram dois dias vivendo em comunidade. 42 pessoas no total, 10 pessoas na minha equipe: fora o
@felipeufo @marivelasquezmari e
@koroleo , a grande maioria para mim eram desconhecidas. Mas em 48hs viramos uma família improvisada e criamos laços que pareceram antigos — daquelas amizades de infância, que nascem do tempo, da imersão, da presença.
Porque foi isso: presença total. A corrida nos obrigou a estar ali, por inteiro. Tudo girava em torno do tempo — o tempo de correr, de descansar, de esperar, de apoiar, de cuidar. 15 horas de corrida que nos obrigaram a ser vulneráveis e sentir o prazer de fazer sacrifício pelos outros, pelo grupo.
No dia a dia, viver esse espírito coletivo parece impossível. Somos empurrados para longe do instinto de estar junto. Nas trocas com os meus novos amigos entendi que a solidão é mais comum do que parece. E talvez seja isso que sempre me emocionou, ver o poder de pessoas unidas e saber que aquilo só é momentâneo - uma lembrança distante do que somos capazes de alcançar, se isso de alguma forma fosse o nosso jeito de viver...
Mas a sensação de pertencimento, apesar de rara, é possível. E às vezes, basta um esforço em comum, uma experiência em grupo. A Temple me mostrou que vale buscar esses momentos de presença e pertencimento, porque eles curam e eles renovam. Obrigada por isso 🧡