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Benetto

@_benetto

yvagina eu y tu estc
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António anoiteceu para sempre. Nas vezes em que a tristeza é mais demorada encontramo-nos nas páginas dos livros que lemos. Num desses dias, enquanto me perdia na solidão bruta das noites, apaixonei-me por António. (Li-o, leio-o como ele gostava de ser lido. Cada livro uma doença, cada frase mais longe da cura. Numa das suas crónicas escreveu que a sua esperança era a de que o leitor se visse, como num espelho, em cada página.) Nas vezes em que a tristeza é mais demorada pensamos no castelo de memórias que aos poucos se desmorona e se reconstrói sozinho na falha eterna. E outra vez o subúrbio e o café e o fumo de cigarros. Outra vez a província e a serra que a condena em muralha. Outra vez a pobreza e o seu silêncio. Outra vez a verdade. Todas elas inteiras na cabeça e no corpo. Nas vezes em que a tristeza é mais demorada não há escapatória. Somos obrigados a assistir a nós próprios, para nos entristecermos com a nossa tristeza. E de forma incessante procuramos abrigo em todas as sombras, em todos os cheiros. Mas abrigos invisíveis são tão inúteis como crer que a doença só calha aos outros. Nas vezes em que a tristeza é mais demorada, em raros casos, existe sorte. Talvez vos calhe um livro que se imprima conforme a vossa cara na almofada de manhã e, num caso de fortuna extrema, um gato. Um gato que, quando ao sol, fica dourado.
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2 months ago
e como as casas têm morada, também a gente tem nome
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4 months ago
O domingo é o primordial dia das banais e das inúteis, daquelas que são filhas do furo que deixa entrar a chuva pelo telhado e que tapam a cada inverno. Hoje, consciente da insignificância pessoal, arrisco-me na loucura dos desejos - que todos os dias sejam domingo!
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4 months ago
as casas mudam quando alguém adoece lá dentro Rua da Presença nº3 com a @alice.gqb e a @margaridaalucas
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5 months ago
Penso: Num sítio que não me recordo e habito igualmente. Num crescente oceano da exploração e eu perdido, afogado. Encontro-me e perco-me na repetição. O relógio que me guia, que não me guia, antes construo. Tudo aqui pulsa em ritmos diferentes, todos em aberração temporal. Quantos tempos sem relação uns com os outros aqui sobrevivem?
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6 months ago
abyss do @afonsobli Já comi o pólen das flores como quem acredita na eternidade da chama, mas até o fogo apodrece primeiro que os caroços das pêras. Sou infeliz. Transposto as memórias de dois corpos no meu corpo meio. Sei-me incompleto, mas acordado. Conheço as tragédias das notícias do almoço e do jantar mesmo antes de acontecerem. Transporto-as no meu corpo meio. Sobrevivi até ao abismo sob uma luz meia como eu - resta-me como farol inverso aquela placa da saída de emergência que estranhamente habita neste lugar. Sigo em seu oposto, quero o abismo. Chego. Espero quieto. Não há vento, mas o farrapo de corpo meio balança-me, talvez sejam os meus ossos a chorar. Uma última semente de pêra brota nesta salina em forma de gente. Salto para o lugar invisível incapaz de mais, neste momento fixo com os olhos vendados o ponto de luz transparente e encontro-te. Sabes há quanto tempo estás no abismo?
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7 months ago
Entre ensaios de “Abyss” do @afonsobli , dia 13 na @casadocomum
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8 months ago
13 SET 21H @casadocomum 5€ cartaz: @afowso [EN] I ate the pollen of flowers like someone still clinging to the idea that flames last forever. But even fire rots before the seeds at the center of pears. I am unhappy. I carry the memory of two bodies inside this half-body of mine. Incomplete, but not asleep. I know what tragedies the lunch and dinner news will tell long before they happen. I haul them with me in this half-body. I made it as far as the edge of the abyss, under a half-light, a broken lantern to match me. What remains is only the emergency exit sign, glowing in reverse, like a beacon that doesn’t save but tempts. I turn my back to it. I want the abyss. I arrive. I wait. Quiet. There is no wind, but my rag of a half-body still sways. Maybe it’s just my bones crying. A final pear seed pushes up through this salt-flat shaped like a person. I leap. Into the invisible place. No more strength left. Eyes covered, I lock myself in the thin clear light and there you are. Can you tell how long you’ve been in the abyss? [PT] Já comi o pólen das flores como quem acredita na eternidade da chama, mas até o fogo apodrece primeiro que os caroços das pêras. Sou infeliz. Transposto as memórias de dois corpos no meu corpo meio. Sei-me incompleto, mas acordado. Conheço as tragédias das notícias do almoço e do jantar mesmo antes de acontecerem. Transporto-as no meu corpo meio. Sobrevivi até ao abismo sob uma luz meia como eu - resta-me como farol inverso aquela placa da saída de emergência que estranhamente habita neste lugar. Sigo em seu oposto, quero o abismo. Chego. Espero quieto. Não há vento, mas o farrapo de corpo meio balança-me, talvez sejam os meus ossos a chorar. Uma última semente de pêra brota nesta salina em forma de gente. Salto para o lugar invisível incapaz de mais, neste momento fixo com os olhos vendados o ponto de luz transparente e encontro-te. Sabes há quanto tempo estás no abismo?
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8 months ago
cabra-cega, de onde vens? Performance “entre o ver e o ser visto” do @vascolm , fotografias da @carolviewz . A música esteve a cargo do @afonsobli com quem estarei em setembro na Casa do Comum para descobrir novos caminhos.
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9 months ago
“OBSERVATÓRIO” 🕳️ um projeto de vasco marrocano na Capela da FBAUL 24 de junho, pelas 17h: performance “ENTRE O VER E O SER VISTO”, com a participação de Benetto; 25 e 26 de junho, das 13h às 19h: exposição em exibição; sinopse: “a observação é uma dança. uma dança entre pares, onde não há regras, pois o ato de ver não tem, nem pode ter, regras. andamos todos nesta dança sem fim. assumimos o papel mais conveniente, mas ninguém está livre da vigia. somos como os pássaros. o voo que tomamos num ato de liberdade é impedido pela gaiola. um olhar que deseja - é fetiche. um corpo que dança - é vício. uma consciência que se ganha - é existência. somos 2 em 1. o que vê e o que é visto.” este observatório é uma experiência, quem nele entra tem de se permitir a vivê-la. ver e ser visto. 👁️ um agradecimento especial ao tomás (@tzf.x ) pelo cartaz belíssimo! <3
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10 months ago
negar o ócio
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1 year ago
fotografias para e do @vascolm poema de Maria Teresa Horta
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1 year ago