"Tens o direito de agir, mas jamais aos frutos da ação. Não deixes que os frutos da ação sejam o teu motivo, nem te deixes levar pelo apego à inação."
Essa frase do texto sagrado do Bhagavad Gita me lança de volta a essa floresta, ao SAF CAMBUCÁ.
Local que quando cheguei estava abandonado; desde o inicio vi como se fosse a mais nobre das madeiras ali tombada e com sua casca coberta por fuligem.
Sentia que a nobresa que tinha escondida sob a fina camada de cinzas deveria ser extraida. Sem pensar em usar a madeira como viga para uma casa ou como estrutura para mesa, mas pelo simples motivo do dever com o que se é belo e nobre.
Me vi como por um longo tempo, servo de uma causa que eu não sabia o que era e nem o quão longe iria me levar, e o quanto iria me transformar.
Mas foi o que me formou e continua a me formar como agrônomo. Um agrônomos da biodiversidade.
Desde o primeiro contato com esse trabalho em forma de oração, solitária e rotineira; foram levantados inúmeros motivos para não mexer nessa terra, que não teria futuro ou importância. E que dali eu não colheiria frutos. Mas eu nunca pensei em colher o frutos.
Eu so queria transformar a minha grande angústia com o futuro e o presente e o que eu interpreto do mundo e da cidade em ação.
Hoje, continuo cuidando de nobres arvores espalhadas pelos mais diversos locais. E através do meu trabalho, busco apaziguar a minha angústia em serenidade.
Grato demais a todos que participam dessa caminhada junto.
1. Feliz da vida com os frutos de banana nanica do cambuca
2. Solo formado pela decomposição de matéria orgânica
3. Visita do ensino técnico em agropecuária ao espaço
4. Sthil MS 260 para manejo das espécies arbóreas
5. Técnica de plantio autoctone do Xingu
O mesmo rio que ali despenca, lá corre.
Vontade de ser rio
E após o turbilhão correr suave
Vontade de ser rio
E após a calmaria despencar em energia
Vontade de ser rio
E levar a vida nessa vai e vem.
27/07/25
Canarana - última parada antes do Xingu.
Mais de 2.500km rodados.
Após uma tocada de 700 km saindo de Goiânia, acordamos em Canarana, MT. A casa era da família do Kichulu, tivemos o nosso último pouso antes de chegar ao Xingu.
Mesmo acordando cedo, como o fluxo de pessoas era alto, demoramos para sair da casa.
Começamos o dia fazendo o café da manhã e guardando a comida da janta em potes para nos alimentar na estrada.
Arrumamos a casa, as mochilas, os equipamentos tudo dentro do carro. Além disso, com a necessidade de levar um tanque reserva de combustível cheio, tivemos de fazer uma redistribuição do peso dentro do carro para previnir o desgaste do jogo traseiro de suspensão. O tanque de gasolina foi posto de forma a ficar mais próximo dos bancos traseiros do que da tampa do porta-malas, estratégia para tentar diminuir o peso na parte mais periférica do veículo.
Saindo de casa, o plano era bem simples; aproveitar a última cidade com mercado para comprar os alimentos perecíveis e abastecer o tanque do carro , mais o galão de gasolina extra de 50l que foi levado dentro do porta-malas.
Tava feito ✅
Era seguir viagem
Começamos a estada no final da manhã.
Estávamos todos otimistas,
Mas ninguém estava ingênuo com o trajeto.
Dali pra frente sabíamos que se o carro quebrasse não tinha nem sombra ☀️
📸: @italozaccaron