Aurora nasce da minha relação cotidiana com o Rio Aribiri, um território que a cidade insiste em negar ao chamá-lo de valão. Entre estigma e descaso, descubro nele uma paisagem viva: luzes da manhã, rastros de memória, presenças discretas que revelam um espaço que resiste apesar da invisibilidade. Meu olhar não parte da distância; parte da convivência. Esse rio atravessa meus caminhos, minha infância e minha percepção de mundo.
Ao longo do percurso, fotografo a tensão entre o que é descartado e o que é cuidado. Nas margens surgem hortas, pequenos jardins, cavalos pastando, crianças brincando, gestos simples, mas que afirmam pertencimento e revelam que o território periférico também produz afeto, história e beleza própria. Aurora transforma esse trecho da cidade em paisagem simbólica, onde o cotidiano dialoga com memória, resistência e imaginação.
A série se constrói como um convite ao desvio do olhar comum. Ao registrar o valão como rio, e o rio como território, proponho uma travessia que rompe estigmas e reinscreve presença onde havia apagamento. Aurora é, antes de tudo, um exercício de atenção: um modo de reconhecer que a paisagem periférica não é ausência, mas vida em fluxo.
Agradecimentos especiais a Dona minha mãe
@elzaps_ por tudo e em sua primeira vez numa exposição ❤️
@rosanapaste pelas curadorias heterodoxas e papos infinitos de puro conhecimento
Ao
@nucleoframe por toda a estrutura e troca e a todos os artistas que formaram essa expo fantástica!
📸
@artesaodaimagem e
@gabriellordello ✨