vídeo performance: GRWM
Em janeiro de 2025 eu tive o prazer de fazer essa vídeo performance no
@bosquegracias . Ter esse registro é muito importante pra mim, é arquivo histórico de obras produzidas lá. Encontrar esse vídeo hoje é muito sensível, principalmente com tudo o que vem acontecendo por conta do incêndio.
Essa obra faz parte de uma série que venho fazendo revisitando minhas nostalgias de infância e adolescência a partir de quem eu sou hoje. Vivi a transição da locadora com meus pais e minha irmã, para as lan houses, MSN, Orkut, blogs, até a dependência atual da internet. Recriar as linguagens daquela época é minha forma de transformar nostalgia em utopia e cuidar dessas memórias atravessadas pelas não binaridades que sempre me inspiraram.
Escolhi fazer essa performance num dia em que acordei sensível e ansiose. Fui pro rio, naquela parte que é uma ilha cercada de água e onde Rocio e Benito gostam de estar. Vindo de família quilombola ribeirinha, parece que a necessidade de estar em água doce tá a genética. Deitar ali, ouvir a correnteza, os pássaros, o vento, ver a montanha ao fundo… o som do rio organiza o que está em excesso dentro da cabeça.
Eu já vinha querendo fazer um “arrume-se comigo”. Fiz brinco com musgo, pigmento de fruto na maquiagem, elementos que existem no bioma bosque gracias. Vinesse formato de vídeo nascer na internet, vi minha irmã fazer também. Recriar isso hoje foi um gesto de memória e de reconhecimento de quem sou hoje.
Fazer isso num rio limpo, em outro canto de Abya Yala, é imaginar um bem viver longe das capitais.A cidade grande vira “refúgio”para pessoas trans, mas cheio de armadilhas vem a poluição, os rios sujos, o barulho. “Mas pelo menos você pode sair como quiser”.
Verbesse vídeo agora depois de ter retornado agora em janeiro e ter presenciado o incêndio é super importante mas tbm dói. Comunidades em ruralidade, territórios indígenas, quilombolas, ribeirinhos vivem risco em qualquer parte de Abya Yala, a história é a mesma só muda a localização, são as veias abertas da América Latina. Registrar sua vida, os seus, é prova histórica da sua existência. Transformar o que foi vivido em imagem é uma forma de continuar existindo.