ARTIGO | Nasci no ano de 1990. Cresci em frente a uma televisão que parecia narrar histórias de um mundo em que eu raramente estava presente. E, talvez por isso, sempre que uma pessoa negra surgia na tela, algo dentro de mim despertava. Era curiosidade, identificação, quase uma surpresa boa. Eu ficava atenta. Eu queria ficar.
Era pouco. Mas era o suficiente para entender que aquilo também me atravessava.
Fora da televisão, no entanto, o meu mundo era outro. Fui criada no Curuzu, dentro do Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil. E ali aprendi, desde muito cedo, algo que a televisão ainda levaria tempo para reconhecer: mulheres negras são majestosas.
Na Noite da Beleza Negra, quando uma mulher é coroada Deusa do Ébano, não há dúvida sobre quem ocupa o centro. Não há escassez de referências. Há afirmação. Há continuidade. Há um imaginário sendo construído com beleza, orgulho e pertencimento.
Crescer entre esses dois mundos, o da abundância simbólica e o da ausência midiática, é entender, desde cedo, que o problema nunca foi falta de história. Foi falta de espaço. E isso ecoa, por exemplo, no discurso de Viola Davis, em 2015, ao vencer o Emmy de Melhor Atriz em Série de Drama. Décadas antes, o Teatro Experimental do Negro, criado por Abdias do Nascimento, já apontava nessa direção.
Nos anos 2000, o documentário A Negação do Brasil, dirigido por Joel Zito Araújo, escancara como a televisão brasileira construiu um imaginário em que pessoas negras eram pouco representadas e quase nunca protagonistas de suas próprias narrativas.
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📷: Divulgação/TV Globo
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