Nessa quinta-feira, 12, me formei no curso de Fotografia do Rede Daora. E, olhando em retrospecto do início do curso até a formatura, eu reconheço o quanto eu me dedico em vida para cuidar do João Victor que queria ser escritor
Shocking news, meu nome é João Victor.
Crescer sendo uma criança artista é ter uma infância e adolescência inteira dedicada a não deixar essa chama apagar.
Na minha família, cresci com uma mãe pintora, um pai desenhista e uma irmã que, além de desenhar muito bem, escrevia muito bem. Todos por hobby, não por vontade de trabalhar com arte.
Na escola, eu tinha a professora Rita de matemática que me pegava escrevendo na aula, elogiava minha escrita e mandava eu guardar o caderno. Era aula de matemática no final das contas.
Eu vivia virando noites escrevendo histórias e compartilhando com o Ruggery e a Tabata. Querendo ser visto e querendo ser ouvido.
E mesmo assim, decidi cursar Biomedicina porque não me via trabalhando com arte.
Dois anos contendo essa paixão foram expurgados com o dobro da intensidade.
No desespero pandêmico e no sentimento de prostração, decidi impulsivamente cursar Cinema e Audiovisual — sequer tinha pensado em cursar Cinema, eu nem via tantos filmes assim. E essa foi a coisa mais genuína que já fiz por mim.
Mais de dez produções creditadas no meu nome e um roteiro premiado pela Lei Paulo Gustavo. Nunca me senti tão visto.
Em agosto desse ano, fiz mais uma escolha para continuar cultivando essa minha fome por arte. Indo acompanhar o Fefa na inscrição do curso dele de DJ, decidi — mais uma vez — impulsivamente me inscrever no curso de Fotografia.
E todas as minhas quartas-feiras chegando em casa 23h30 valeram muito a pena, não só pelo aprendizado, mas por ter conhecido a Letícia e por ela ter me dado um fecho.
Nunca vou esquecer o maior sermão que já levei em vida de uma professora. Quando eu me ignorei completamente para fotografar do jeito que os modelos e os figurinistas queriam. “Suas fotos estão lindas e tecnicamente perfeitas, mas eu não reconheço você nelas”. Nunca mais fui o mesmo depois disso — ainda bem.
Letícia, obrigado por acreditar em mim. Agora eu sei que também posso.