Era 2019 e anoitecia na região da Lagoa Redonda em Fortaleza - Ceará. Na antiga casa de
@manulusguerreiro , terminávamos uma tarde de gravações muito lindas onde
@rafaelyandradeoficial capturou algumas das canções que nosso trio faz em seus espetáculos. O dia ia findar com esse canto que não é canto. É fala das folhas. É reza dos seres.
Eu (Ju) puxo esse trecho do show num tom mais grave do que deveria. Acaba sendo mais forte que eu, e findo por isso, exigindo mais dos meus companheiros, especialmente de Catherine com sua voz delicadíssima.
Esse ciclo de pontos em específico, os quais se pode apreciar no vídeo, nos deu a inspiração para fazer de Malunguinho nosso padroeiro.
Afinal, Tresillo é um trio de amigos e “amigo” é a recriação semântica ocorrida na diáspora, para o termo kikongo “m’alungu, contração de mualungu - locativo para “no barco”, “no navio”. Os que vieram no mesmo barco tornaram-se amigos.
Um oceano inteiro de distância mantém nosso trio temporariamente hibernando, até que África nos devolva
@catherinetambora , que segue seus estudos em Gana.
O fato é que os malungos de cá, amigos de várias localidades, tem nos enviado mensagens sobre o enredo da
@unidosdoviradouro que esse ano abordará #Malunguinho como tema. Todos dizem estar com saudades dos shows.
Principalmente no Ceará, onde as mitologias negras são outras, amigos passaram a conhecer o Reis Malunguinho a partir de nosso show. Até hoje temos como abertura o mesmo ciclo de pontos em honra desta figura histórica, encantada, espiritual e poética.
Ficamos muito emocionados ao saber do enredo da #Viradouro , tendo a certeza que o carnaval é a grande escola de multiplicação do conhecimento que o Brasil constrói sobre si próprio. Que bom que agora muitos entendem quem é Malunguinho e sua importância. Obrigada, Viradouro! Toda honra aos nossos irmãos pernambucanos por não deixarem essa memória morrer. Cuidem bem do Catucá, vocês estão pisando sobre ele. Também agradecemos a todos os juremeiros e juremeiras de todas as épocas. Sem Jurema, sem folha, sem maracá, sem reza, sem cachimbo, essa memória também não teria sido preservada durante tantos séculos.
Sobó Niré Mafá
#carnaval2025