Vem gente! Aquele momento que você se dá conta que prometeu demais, mas a gente se encontra em Floripa, nesse lindo coletivo com o melhor nome, ao contrário, e a gentileza de
@alexandre.nodari de me receber.
A presença do natureza é, de fato, bem conhecida e comentada na literatura. Inspirada, contudo, por um inversão da formulação conhecida de Dipesh Chakrabarty, esta conferência é uma primeira aproximação com um amplo arquivo do erotismo que permeia as imagens do mundo inumano, a fim de perturbar articulações correntes entre sexualidade e natureza. Entrelaçando memórias musicais e televisivas, entre o ensaio e o diário, busco expor exercícios de leituras cruzadas de diferentes obras que me fizeram aproximar, de forma um tanto irregular, as estranhezas ecológicas deste arquivo com que veio a se denominar ecologias queers. Ao escutar ecos nas menções a inundações, incêndios, aquecimento global, colheitas fracassadas e formas intoxicação e contaminação, a questão não é tanto como se conforma uma agenda ecologicamente engajada para adiar o fim do mundo, mas como os ambientes entrelaçados da colonização, do extrativismo, da violência de Estado e da crise climática e ecológica são transmutados poeticamente na experiência de estilhaçamento da crononormatividade. Entre a beleza, a crueldade, a graça e a violência, exploro os sinais especulativos de uma ecologia aberrante a partir dos efeitos afetivos da experiência do cuidado, do fracasso e do desejo como um ponto de vertigem. Nas paisagens devastadas, uma intimidade ilimitada – outro nome para um pedagogia queer -, que atravessa humanos, mais que humanos, bios e geos, espectros e cosmos, é tecida nas ruínas.