José Teles

@telestoques

jornalista, escritor, pesquisador de música popular
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Festa dos 20 anos da pernambucana Sociedade dos Forrozeiros, na Mansão da Matuta, na Rua do Bonfim, Olinda. Tanta gente, que os portões foram fechados. Tanta gente, que só me sobrou este espaço pra fazer o vídeo de Cristina Amaral no palco, umas das muitas atrações da noite. Por falar nisto, quem disse que só piseiro e fuleiragem davam público? E parabéns a Tereza Accioly, presidente da associação dos forrozeiros, pelos 20 anos e pelo forrobodó.
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3 hours ago
Cantor desconhecido no país tinha sua música cantada por brasileiros Clarence Carter morreu. Clarence o quê? Quem faz a pergunta deve ter cantado muito Patches, um dos maiores sucessos do americano Carter, soulman cego, e influente. Patches tornou--se um clássico do rock nacional dos anos 80, na versão de Nando Reis e Sérgio Britto pros Titãs, em levada de reggae, e rebatizada de Marvin. Nando Reis conheceu a música com o grupo de reggae King Sounds & The Israelites.  A versão está no álbum de estreia dos Titãs (de 1984). Porém, só emplacou em 1988, no CD Go Back. Patches (General Johnson/ Ron Dunbar) é original, de 1970, do Chairman of the Board, de Detroit. No mesmo ano, Rick Hall, do estúdio Muscle Shoals, sugeriu que Clarence Carter a gravasse. Foi recusada, sob a alegação de que não tinha nada a ver com ele a história de um garoto pobre do Sul dos EUA (é bem próxima da versão brasileira). Carter acabou sendo convencido e, não apenas fez sucesso com Patches, como ganhou um Grammy com ela.  É provável que Nando Reis não soubesse quem era Clarence Carter quando os Titãs gravaram Patches, Assim como Carter, vários gringos, completamente desconhecidos pelos brasileiros, emplacaram aqui sucessos que marcaram gerações, claro, vertidos para o português.  Um dos mais curiosos é J.D Loudermilk, ainda mais obscuro do que Clarence Carter. Em 1964, a versão de uma das canções de Loudermilk (com Gwen Loudermilk), um hit menor nos EUA, fez tanto sucesso no Brasil que virou símbolo da jovem guarda, além de marca de roupa, anel, medalhão. Road Hog no original, recebeu uma versão de Erasmo Carlos, rebatizada de O Calhambeque, do LP É Proibido Fumar, de Roberto Carlos.
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1 day ago
Alceu começando, com gosto de gás, seus 80 Girassóis, agora, no Clássico Hall, Belíssimo cenário.
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1 day ago
TBTelestoques com delay Expedito Baracho e Capiba, foto mais ou menos rara. Vê-se poucas fotografias dos dois juntos. Baracho gravou Lourenço da Fonseca Barbosa antes de Claudionor. Em 1957, estourou no carnaval com Modelo de Verão (Quanta mulher bonita/tem aqui neste salão/parece até desfile de modelo de verão...). Ao contrário de Claudionor, cuja carreira transcorreu toda no Recife, Expedito tocou parte da sua trajetória em São Paulo. Foi, por exemplo, com Jair Rodrigues f crooners do conjunto de Djalma Ferreira, um dos mais badalados da época. Expedito e Claudionor foram os mais importantes dos intérpretes do frevo. Mas enquanto Claudionor era entronizado como "A Voz do Frevo", gravando pouco a chamada música de meio de ano, Expedito tinha mais liberdade de incursionar por searas outras. Foi até baixista pra cantor de forró. Em 2015, entrevistando pra biografia de Claudionor Germano, publicada pela Cepe naquele ano, ele me surpreendeu com esta: "Toquei baixo no grupo que acompanhou Jackson do Pandeiro na primeira gravação dele, Forró em Limoeiro, nem dá para ouvir direito", revelou , mostrando que a memória continuava afiada. Citou todos os músicos que participaram daquela sessão histórica acontecida em 1953: "Os irmãos Nelson e Romualdo Miranda, Luperce Miranda já havia voltado para o Rio. Mais Miro e Pequeno, pandeirista dos Vocalistas Tupy." Acho que nos livros sobre Jackson não constam estas informações. Expedito Baracho faleceu em 2017 @projetocapibaoficial @pacodofrevo
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2 days ago
Forró até umas horas, é o que vai rolar na Mansão da Matuta, na Rua do Bonfim, no Carmo, em Olinda, nesse domingo, 17h, a partir das 15h. Na lambança, intitulada Forró e Aí 20 Anos, se apresentam Santanna (o Cantador), Maciel Melo, Itallo Costa, Irah Caldeira, Pecinho, Petrúcio Amorim, Rogério Rangel, Larissa Lisboa, Cristina Amaral, Kelly Rosa, André Macambira, As Januárias, Dudu do Acordeon, Derico Alves, Roberto Cruz e Andrezza Formiga. Nos intervalos e na abertura dos portões, o DJ Ari Falcão. Esta seleção de forrozeiros de verdade, de fato e de direito, se reúne para celebrar as duas décadas de criação da Sociedade de Forrozeiros Pé de Serra e Ai, tendo à frente atualmente Tereza Accioly, Luciana Dantas, Andrezza Formiga e Laelma Carvalho. Ingressos: shre.ink/forroeai20anos
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2 days ago
Luca Argel, carioca, que atua há mais de uma década em Portugal, se apresenta nesta sexta-feira, 15 de maio, no Pingo Arte Café ( Rua Vigário Barreto, 50, Graças). Argel desenvolve sólida carreira em terras lusas, com seis álbuns lançados, tendo participado de grandes eventos, entre os quais o Rock in Rio Lisboa. Luca Argel tem feito apresentações na Europa com o guitarrista recifense, há décadas na Cidade do Porto, Cláudio Ribeiro, o Munheca, da banda Má Companhia, que acompanhava Lula Côrtes nos anos 90. O artista se apresenta em Salvador, João Pessoa Natal e Fortaleza Ingressos: Sympla
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2 days ago
Meu primeiro diálogo com Alceu Nessa sexta-feira, 15 de maio, rola no Classic Hall, o show 80 Girassóis, celebração dos 80 giros em torno do sol de Alceu Valença, filho mais dileto de São Bento do Una, no Agreste, perto de Caruaru e de Garanhuns. Desses oito decênios, acompanhei cinco. Escutei todos os discos, e assisti a dezenas de shows. O primeiro deles, o Vivo! no Teatro do Parque, com Alceu acompanhado por aquela patota que militou no udigrudi recifense dos anos 70. O disco, a gente escutou até gastar o vinil. Não só pela altíssima qualidade do conteúdo, como igualmente por impulsionar nossa autoestima. Havia poucos nomes da música pernambucana entre os maiorais da MPB. Geraldinho Azevedo gravou o primeiro disco solo em 1976. Estamos,  pois, no Parque, em 1976. Naquele tempo, com umas cadeiras de madeira que, se o espetáculo durasse muito, dava câimbras no traseiro. Na única vez entrevistei Tom Jobim, mais uma conversa, de que participou o confrade Marcelo Pereira, perguntei qual a duração do show que faria no Teatro Guararapes {primeiro e único no Recife/Olinda). Ele respondeu que, no máximo, uma hora e meia: "Depois disso, a bunda começa a ficar incomodada". No Vivo! minha derrière começou a se incomodar antes mesmo do show começar. Acho que pelo meu vexame, pra ver Alceu e banda, que atrasou mais do que menstruação de moça véia. Depois de quase uma hora, finalmente as luzes se apagaram, e o pessoal adentrou o palco em passo de frevo de bloco, arrastando os pés. Logo desadentrou. Quebrou uma corda da guitarra de Paulo Rafael, a banda toda voltou ao camarim pra ajudar a colocar outra corda. Alceu ficou entretendo a plateia e num momento falou,: "Este é um show sem estrutura". De pronto, retorqui: "Tá se vendo". Alceu arrematou: "Estruturado é você". Afundei na cadeira, morto de vergonha. Foi o primeiro conversa que tive com Alceu. Muitos anos mais tarde, jornalista, o entrevistaria várias vezes. Nunca ousei lhe relembrar nosso papo inaugural. (Foto do recifense Cafi, das sessões pra capa do disco Espelho Cristalino, que nossa turma escutou que só a goitana, e que inteira meio século em 2027) @mniemeyer_
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2 days ago
Aterrissou nas plataformas, Maracanós, de Airto Moreira com o cearense Ricardo Bacelar, participação de Flora Purim, mais uma banda de músicos locais, ou que labutam no Rio. Com problemas de saúde, Airto voltou a morar no Brasil, Flora Purim, também, pra estar com o marido. Ambos com carreira consolidada, há décadas, nos EUA, Europa e Japão. Com pelo menos 60 anos de estúdios e palcos, pelo mundo, não ficariam sem aprontar. E aprontarsm com mais um disco. Maracanós é uma parceria Ricardo Bacelar com Airto, que assinam todas as faixas. O disco foi gravado no estúdio de Bacelar, em Fortaleza, com uma banda base. Sendo que Ricardo Bacelar é homem dos sete, ou mais, instrumentos, tocando vários durantes as sessões pra feitura do álbum. O disco tem selo da gravadora Jasmim, e foi distribuído para EUA, Europa e Japão. Este texto é apenas um aperitivo da matéria, com entrevista, que será publicada por esses dias, na revista Continente. Aguardem.
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3 days ago
De um Release que me chegou sobre um festival de jazz: "Você sabe o que é o ‘jazz brasileiro’? A dualidade entre o gênero afrodiaspórico com a música brasileira, que já conquistou jazzistas como Brian Blade, encontra um novo espaço para improvisação e criação" . Isto pois, onde se fala blues ou jazz fale-se doravante "afrodiaspórico". Onde se dizia "Fui mordido por um cachorro", diga-se "Fui mordido por uma proteína animal da marca "canis familiaris" {Foto: Robert Johnson, lenda do gênero afrodiaspórico do Sul dos EUA}
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4 days ago
Vi na CBN, mais cedo, que passou na Comissão de Não Sei o Quê e Justiça a liberação do saque do FGTS pra comprar revolver, fuzil, metralhadora e bazuca, dependendo do tamanho do fundo. Suas Excelências, os deputados federais (ou depufede, como escrevia Sérgio Porto), argumentam que o pobre não pode ter seu tresoitão porque é muito caro. Vamos ver se depufedes aprovam um projeto de lei na Comissão da Gandaia e Afins pra que o FGTS seja liberado pra libações alcoólicas. A Heineken tá muito cara
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5 days ago
"Quem foi o estúpido?". Reação de Eric durante um show nesse fim de semana em Madri. O guitarrista interrompeu o concerto, e saiu do palco. O objeto o atingiu no peito. Mas foi só um susto. O que jogaram nele foi uma capa de disco de vinil. Possivelmente pra que Clapton autografasse.
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5 days ago
MEMÓRIA Morreu nesse sábado, 9 de maio, aos 85 anos, Raimundo Rodrigues Pereira, pernambucano, de Exu, um dos mais importantes jornalistas brasileiros do século 20. Raimundo passou por alguns dos mais relevantes veículos da imprensa do país, como as revistas Realidade, e Veja (foi da primeira equipe), Estado de São Paulo, A Tarde, entre outros. Mas deixou sua marca ao criar, em 1975, o jornal alternativo Movimento, que peitava a ditadura militar, dando notícias, e abordando temas, que a grande imprensa não ousava publicar. Claro, e enfrentando dificuldades. A censura era implacável, às vezes o jornal saia com espaços em branco. O leitor entendia que era uma denúncia sutil de que ali haveria um texto que foi censurado. Sofria dificuldades financeiras, por falta de anunciantes de peso. Sua maior fonte de dinheiro vinha da venda em bancas. O jornal era muito lido. O Movimento tinha em sua redação alguns do melhores e mais combativos jornalistas do Brasil, e colaboradores que iam de Fernando Henrique Cardoso a Chico Buarque. Elifas Andreato foi o editor de arte. Raimundo Rodrigues Pereira, aos trancos e barrancos conseguiu segurar o jornal até o final da censura prévia, em 1979. Mas não resistiu ao terrorismo dos que eram contra a abertura política, que, em 1980, passaram a atirar bombas, e a incendiar bancas de revistas que vendessem jornais alternativos. Claro, o Movimento era um dos mais visados. Em 1981, o jornal deixou de circular. O Movimento está disponível em edição digital nas hemerotecas da Biblioteca Nacional e dos arquivos públicos municipais de São Paulo (onde ficava a redação do jornal) e do Rio. Raimundo Rodrigues Pereira fez história (Na foto, na redação, Raimundo está sentado ao centro)
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5 days ago