Eu cheguei num ponto da minha vida em que eu entendi q do jeito q tava não tinha mais a menor chance de continuar, ou eu sofria logo tudo o q tinha pra sofrer ou colocaria um fim nela (eu pensei mesmo nisso…)
Era tudo ou nada… entende?
Mas eu estava disposta a fazer qualquer coisa pra me salvar.
Na época eu pedi socorro pro meu professor
@jonasmasetti era a única pessoa em quem eu confiava e acreditava q pudesse tirar minha mente daquele limbo.( quando o discípulo está pronto o mestre aparece!)
Eu sabia q não seria uma experiência prazerosa, envolvia muita dor… eu era toda carne viva…
Estava acontecendo um intensivo de Vedanta (programa de sevakas) e foi lá onde a coisa toda aconteceu.
Fazia parte dessa vivência subir diariamente uma montanha, por volta de 45min pra ir pro serpentário, foi onde morei por 3 meses com outras 4 serpentes, não serpente bicho, outras 4 mulheres, cada uma delas vivendo seu processo de trocar de pele. Na tradição védica a serpente é um símbolo de poder, de força, de renascimento, e era exatamente isso q todas nós estávamos buscando.
O nosso cronograma diário era acordar às 3:30 da manhã pra descer a montanha num frio congelante e ir pro Ashram, às 05hs fazíamos uma puja (ritual com orações em sânscrito), na sequência alguma prática ancestral, mergulho no gelo, pranayama (técnicas respiratórias), yoga, aula de Vedanta (estudo dos textos sagrados). E tinha aula de sânscrito, tinha trabalho duro, eu e uma amiga cuidávamos composteira, do lixo.
Tínhamos encontros com o professor pra tirar dúvidas, só não tinha tempo pra mente ficar ociosa, isso não tinha…!
Como aquilo tudo doeu, mas como me libertou…!
E o q eu quero te dizer com essa história é que crescer dói, autorresponsabilidade dói, encarar nossas mentiras, nossas desculpas, nossos monstros, DÓI, mas e n é pouco não… mas sabe o q dói muito mais? Não sentir a vida pulsar dentro de nós, não ter olhos pra apreciar o invisível, não poder testemunhar a nossa força, não ter energia no corpo pra se movimentar com visceralidade, não ter coragem de viver a nossa autenticidade, não ter coragem e clareza pra falar sobre o que pensamos e sentimos… isso sim dói de verdade.