“Venho de uma família extremamente conservadora e que sempre evitou falar de tais temáticas e justamente por isso eu tive de começar a procurar as respostas que eu precisava por conta própria”, explica Uno Vulpo, ao ser questionado sobre seu interesse por redução de danos e educação sexual.
Médico e designer, desde 2019 administra o perfil
@sento.mesmo no Instagram, criado com o objetivo de democratizar estratégias de saúde pública que visam minimizar os impactos negativos do uso de substâncias lícitas e ilícitas, com orientações respaldadas, inclusive, pelo Ministério da Saúde.
Vulpo pode ter se interessado pelos temas movido pelas próprias dúvidas, mas decidiu se aprofundar ao notar que as pessoas a sua volta também compartilhavam dos mesmos questionamentos sem repostas.
A recepção nas redes não deixa dúvidas: com mais de 130 mil seguidores, o Senta conquistou um público fiel que encontrou no perfil uma fonte confiável para discutir, debater e se informar sobre temas tabu, pouco abordados nas casas ou nas escolas. O reconhecimento rendeu participações no documentário Biografias Íntimas, do GNT, e no podcast Sobre o Prazer Deles, da Globoplay.
Com o alcance, no entanto, vieram também as críticas. Uno lida com ataques que colocam, equivocadamente, a redução de danos e o incentivo ao uso no mesmo barco. “Hoje em dia, até na minha prática médica, percebo pacientes chegando com cada vez mais informações e mais preparados sobre suas questões, logo esconder informação ou fingir que ela não existe é uma péssima estratégia. Apologia seria se eu estivesse ativamente incentivando as pessoas a terem comportamentos de risco, quando faço justamente o contrário.”
Uno busca mostrar que a lógica da redução de danos já faz parte do nosso cotidiano — como quando decidimos beber menos para evitar a ressaca no dia seguinte de trabalho.
No fim das contas, o objetivo do Senta é simples: “Construir uma comunidade que consiga entender os momentos em que está rolando um exagero, e está indo em direção a uma dependência química por exemplo. O foco é fazer com que cada vez mais pessoas reflitam sobre o quanto bebem, sobre o uso de drogas e como anda a vida sexual”, resume.