Assisti recentemente o média-metragem Superoutro - 1989, de Edgard Navarro. Uma produção independente baiana escrita pelo próprio Navarro e Abdias Nascimento.
Durante todo o filme via uma Salvador que existe e que muitas vezes escolhemos não olhar. Uma Salvador poética, crua, escatológica, pulsante. Uma Salvador que vive nas margens, nas ruas, nas figuras que caminham entre a invisibilidade, a loucura e a poesia.
Em determinado momento, depois de atravessar tantos delírios e ruínas, nosso protagonista, vivido lindamente por
@bertrandduarte , observa atentamente um cartaz do Superman no
@cineglauberrocha , o homem perfeito, indestrutível, o herói que não quebra. Dali em diante nosso Super Outro acredita que pode voar do Elevador Lacerda.
Mas o super-herói de Navarro é outro.
Ele veste as cores do Brasil.
Ele nos mostra coisas que preferimos não ver: as vidas que a cidade empurra para a margem, as violências que se escondem no cotidiano e essas fantasias de homens invencíveis, fortes, superiores, autorizados a tudo, são apenas isso, fantasias.