Joelington Rios

@rivers________

Quilombo Jamary dos Pretos, Maranhão, Brasil @mocambaiou @rancho_mocambaiou
Followers
9,092
Following
3,661
Account Insight
Score
34.22%
Index
Health Rate
%
Users Ratio
2:1
Weeks posts
“Sim meu pai cruzou muitas vezes com eles, que vinham até as fazendas buscar gente ( negros mantidos como escravizados que os acompanhavam na fuga para os mocambos) e coisas (como sal, ferramentas, utensilios e outros gêneros que não produziam ), voltando para as matas por aí. Eles vinham sempre à noite, e pediam coisas que meu pai ajudava a carregar”. Neste nomento do relato o Sr. Estanislau parou de falar, dizendo depois: olho oiou-Mocambaiou, oiou boca calou, eu perguntei: o que? e ele repetiu, Zoio-olhou-boca-calou, explicando diante da nossa perplexidade que assim falavam os mocambeiros para seu pai, e assim seu pai tinha lhe contado. Isso se passava antes da liberdade nos tempos ainda da escravatura, como explicou, os pretos não gostavam de ficar sujeito. Esse é um relato oral do Sr. Estanislau, um antigo morador de Jamary que relata de forma muito importante e emblemático as histórias de articulação, fuga e resistências dos antigos mocambeiros de Jamary, ele relembra através da sua e da oralidade do seu pai, dos entre lugares de liberdades articulados no regime colonial, entre antigos mocambeiros de Jamary e os negros que eram mantidos como escravizados nas antigas fazendas de engenhos da região, criando-se uma forte rede de emancipação e liberdades que existem até os dias e hoje. Eu sempre volto nesse relato do seu Stanislau, onde os meus pensamentos sempre saem férteis em meio a tantas reflexões que surgem, pensando bastante em corpos capazes de construir liberdades e emancipações radicais possíveis, coletiva concreta, dadas a noite, no Entre Lugar, no breu, na mata, profano e sagrado, bichos e gente, encantarias e outros modos de se relacionar com a vida e assim crias lugares e formas de vida possível de se existir. Foi essas imaginações o ponta pé para criar essa instalação experimental exibida na exposição Entre Rios e Mocambos, quais os limites não apenas da imaginação mais do de fazer liberdade, fabulando cenas inspiradas em oralidades como a do seu Stanislau e da história antiga de Jamary para pensar o entre lugar. _____________________________ Mocambaiou Instalação e Colagem 100x80 cm x300 2026
0 4
11 days ago
Parte da exposição “Entre Rios e Mocambos”, há uma vitrine de arquivos dedicada exclusivamente a @mocambaiou – Arquivo Memória Quilombo Jamary dos Pretos. A vitrine possui uma seleção refinado de arquivos de oralidades, literaturas, fotografia, e outras peças, que ajudam a compreender como a memória da comunidade foi construída e preservada ao longo do tempo. Entre essa seleção de arquivos, estão registros de oralidade de Severa Mafra e de seu irmão, Stanislau Mafra, do ano de 1993, momento em que Jamary iniciava o processo de certificação do território. Esses relatos são essenciais para o entendimento de grande parte do que hoje sabemos sobre a história antiga dos mocambeiros, formação do quilombo, e outros entendimentos sobre a história do quilombo Jamary. Na vitrine está incluindo também fotografias de Jamary dos Pretos do final dos anos 90 dos acervos das moradoras e fotógrafas Zenilde Ribeiro e Lindionora Ribeiro, que começaram a construir um arquivo super importante da comunidade paralelo à chegada de fotógrafos de fora. Compõem ainda a vitrine uma pequena coleção de fotolivros com imagens raras de Jamary dos anos 1990 e 2016 e o vestido de Catarina Ribeiro, uma das moradoras mais ativas já vivida no quilombo. ———————————————————————————— Mocambaiou – Arquivo Memória Quilombo Jamary dos Pretos é um arquivo comunitário dedicada à preservação e valorização da memória oral e visual do Quilombo Jamary dos Pretos, construindo um arquivo vivo para a comunidade. O projeto articula os saberes da oralidades com as visualidades construída na história de Jamary dos Pretos, reconhecendo a oralidade como forma legítima de arquivo e memória.
0 28
1 month ago
Para agradecer as visitas, uma seleção de registros do público durante a visita à exposição Entre Rios e Mocambos, a minha primeira mostra individual no Rio de Janeiro, em que reúno obras que conectam experiências entre o Quilombo Jamary dos Pretos, no Maranhão, e o Rio. A exposição propõe uma passagem sensível pelo entre lugar, movimentos, memórias, ancestralidades, territórios, arquivos e modos coletivos de existir. Entre Rios e Mocambos fica disponível até o dia 21 de março na galeria @bere_galeria no @muhcab.rio .
0 6
2 months ago
Um estudo novo acerca do entre lugar, um tema que muito me interessa, e que desde 2020, para a série entre Rios e Mocambos tenho estudado e produzido sobre. Esses novos estudos que envolvem cores, técnicas e pensamentos críticos chama-se a princípio de No meio, No entre, 2026. São fotografias do meu acervo que foram considerados e que agora são revisitados. Reivindico o entre lugar para alem das agências dos fluxos, mas como um modo próprio, autônomo e emancipatório de nossas existências política e territoriais. Um território produzido pelas comunidades para existir fora das categorias impostas e que limitam as nossas vidas. Penso que é necessário desassociarmos o entre lugar apenas dentro das categoria dos fluxos, dos movimentos ou da fulga, que ao meu ver, apesar de serem categorias de agências importantes, ligadas ao movimento de emancipação para a construção desse entre lugar do território permanente, pensar apenas nessa categoria pode fragmentar os corpos que neles vivem. É preciso dar descanso aos territórios e aos corpos desses entre lugares, lembrando dos seus processos de lutas, agências de liberdades emancipações, e também do descanso, do sonho vivido lucidamente, das celebrações e festas, os rituais, dos cosmos, as relações com a terra e a natureza, dos bichos, do plantar e o comer, das comunhões e o existir pleno, sem necessidade deste está sempre em fluxo, num espécie de não lugar, fragmentado no meio. É preciso pensar na vivência e nesse corpos dentro de um lugar de emancipação plena, não apenas em seus fluxos, pois aqui ele já está no quilombo. No meio, no entre/ Deuziane, minha sobrinha em nosso quintal Fotografia 90x60 cm 2026 Quilombo Jamary dos Pretos.
79 2
2 days ago
Um estudo novo acerca do entre lugar, um tema que muito me interessa, e que desde 2020, para a série entre Rios e Mocambos tenho estudado e produzido sobre. Esses novos estudos que envolvem cores, técnicas e pensamentos críticos chama-se a princípio de No meio, No entre, 2026. São fotografias do meu acervo que foram considerados e que agora são revisitados. Reivindico o entre lugar para alem das agências dos fluxos, mas como um modo próprio, autônomo e emancipatório de nossas existências política e territoriais. Um território produzido pelas comunidades para existir fora das categorias impostas e que limitam as nossas vidas. Penso que é necessário desassociarmos o entre lugar apenas dentro das categoria dos fluxos, dos movimentos ou da fulga, que ao meu ver, apesar de serem categorias de agências importantes, ligadas ao movimento de emancipação para a construção desse entre lugar do território permanente, pensar apenas nessa categoria pode fragmentar os corpos que neles vivem. É preciso dar descanso aos territórios e aos corpos desses entre lugares, lembrando dos seus processos de lutas, agências de liberdades emancipações, e também do descanso, do sonho vivido lucidamente, das celebrações e festas, os rituais, dos cosmos, as relações com a terra e a natureza, dos bichos, do plantar e o comer, das comunhões e o existir pleno, sem necessidade deste está sempre em fluxo, num espécie de não lugar, fragmentado no meio. É preciso pensar na vivência e nesse corpos dentro de um lugar de emancipação plena, não apenas em seus fluxos, pois aqui ele já está no quilombo. No meio, no entre / como criar patos Fotografia 90x60 cm 2026 Quilombo Jamary dos Pretos.
27 0
2 days ago
Um estudo novo acerca do entre lugar, um tema que muito me interessa, e que desde 2020, para a série entre Rios e Mocambos tenho estudado e produzido sobre. Esses novos estudos que envolvem estudos de cores, técnicas e pensamento crítico, chama-se a princípio de No meio, No entre, 2026, da série Entre Rios e Mocambos, 2020. São fotografias do meu acervo que até então não haviam sido consideradas, e que agora são revisitados com outros olhares. Reivindico o entre lugar para alem das agências dos fluxos, mas como um modo próprio, autônomo e emancipatório de nossas existências política e territoriais. Um território produzido pelas comunidades para existir fora das categorias impostas e que limitam as nossas vidas. Penso que é necessário desassociarmos o entre lugar apenas dentro das categoria dos fluxos, dos movimentos ou da fulga, que ao meu ver, apesar de serem categorias de agências importantes, ligadas ao movimento de emancipação para a construção desse entre lugar do território permanente, pensar apenas nessa categoria pode fragmentar os corpos que neles vivem. É preciso dar descanso aos territórios e aos corpos desses entre lugares, lembrando dos seus processos de lutas, agências de liberdades emancipações, e também do descanso, do sonho vivido lucidamente, das celebrações e festas, os rituais, dos cosmos, as relações com a terra e a natureza, dos bichos, do plantar e o comer, das comunhões e o existir pleno, sem necessidade deste está sempre em fluxo, num espécie de não lugar, fragmentado no meio. É preciso pensar na vivência e nesse corpos dentro de um lugar de emancipação plena, não apenas em seus fluxos, pois aqui ele já está no quilombo. No meio, no entre Fotografia 90x60 cm 2026 Quilombo Jamary dos Pretos.
25 0
2 days ago
Dia de São Jorge, queria deixar registrado como sendo o meu dia preferido no Rio, e é um dia que vivo muito. Salve Ogum, Salve São Jorge. Que todos os dragões do dia a dia sejam vencidos! Avante, Guerreiro🐉🤺🎠
519 18
20 days ago
No estúdio no Rio 🏃🏿‍♂️🕵🏿‍♀️📖💽👨🏿‍💻🫦🍅👘🍜
97 1
1 month ago
Salmoura, da série Cruzeiro do Sul, entre Rios e mocambos, 2023. Mosqueteiro, sal, waji, bacias com água doce 290x8.90 - 300x300 cm São Cristóvão, Rio de Janeiro. Essa instalação se desdobrou meses depois em Cruzeiro do Sul II, apresentada na 1• Bienal das Amazônias e outros desdobramentos instalativos se utilizando do mosqueteiros. Elementos usados aqui tensionar a história contada, utilizando do sal, do waji, da água salgada e tecidos vazados num movimento de revelar e esconder. Essa é uma antiga fabrica localizada no bairro do São Cristóvão, marcado pelos processos de industrialização que se intensificaram entre o final do século XIX e meados do século XX, é um território atravessado pela presença de trabalhadores migrantes, sobretudo nordestinos, que, ao longo do século XX, ocuparam e sustentaram essas estruturas, participando diretamente da construção da cidade do Rio. Fotos de @taynauraz
446 31
1 month ago
O rio é o meu quintal, Cristian, da série “Entre Rios e Mocambos” (2020–2026). Fotografia em papel acetinado 100% algodão, 40 × 60 cm. Quilombo Jamary dos Pretos, 2020. Desde 2020 eu tenho me dedicado a investigar o “entre-lugar”, a partir do meu deslocamento e da memória dos antigos mocambeiros do meu quilombo, na série Entre Rios e Mocambos, que comecei a fotografar quando voltei pela primeira vez pra casa depois de um tempo vivendo no Rio, criando campos de tensões entre território, memória e corpo, articulando fotografia, colagem, vídeo e instalação. As imagens propõem uma reflexão sobre formas de existência que escapam a narrativas fixas, situando-se entre deslocamento e pertencimento por entre lugares. Os quintais nos quilombos são espécies de entre lugar, os rios também. A exposição“Entre Rios e Mocambos” permanece em cartaz até 21 de março na galeria @bere_galeria no @muhcab.rio .
0 5
3 months ago
Daqui a pouco na @usp.oficial . Muito feliz com a Defesa da Tese de Doutorado da pesquisadora Brenda de Oliveira Silva Cavalcante, intitulada ‘’Epistemologias quilombolas: a arte contemporânea de Joelington Rios’’. Data: 10 de fevereiro Orientadora: Profa. Dra. Rita de Cássia Giraldi. Co-Orientadora: Profa. Dra. Renata Maria de Almeida Martins. Banca (relação sujeita a alteração): Prof. Dr. Mateus Carvalho Nunes; Prof. Dr. Aldrin Moura de Figueiredo; Prof. Dr. Ruy Sardinha Lopes; Profa. Dra. Maria Cristina Machado Freire. Transmissão ao vivo pelo YouTube.
165 8
3 months ago
Hoje no @jornaloglobo falando da minha individual Entre Rios e Mocambos em cartaz na galeria @bere_galeria , com curadorias de @brunodoliveiraaa e @marcelocampos7825 . Obrigado @whitxv 💙
0 5
3 months ago