9 de abril de 2026.
37 anos e a única certeza é que tudo pode mudar. Tudo muda o tempo todo. Tem que tá pronto e a gente nunca tá e - acho- bom que não esteja. Parece que a vida acontece nos imprevistos.
“Sentimento que não espairo; pois eu mesmo nem acerto com o mote disso ― o que queria e o que não queria, estória sem final. O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito ― por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava. Ao clarear do dia.”
João Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas.
Queria escrever um textão sobre o quanto eu fico feliz por estar em um lugar com o qual sonho desde 2008: o Grupo de Pesquisa em Mídia e Esfera Pública, do PPGCOM/UFMG.
Doutorado não é nada fácil. São quatro anos — e eu estou no terceiro. Tudo fica muito mais leve quando a gente está cercado de pessoas que, além de serem FODAS, são gentis, humanas, parceiras, amigas. Tenho certeza de que essa galera ainda vai ter que me aturar por muito tempo.
Tenho feito amigos nessa trincheira. A gente literalmente chora e comemora junto. É muito doido esse negócio de doutorado.
Recomendo.
Ps. Faltam umas gentes ai 💚
Oração de mãe
Tem uma coisa que eu estou querendo muito. Contei a uma amiga, e ela disse: Amigo, vou pedir pra mamãe colocar no grupo de oração da igreja. A resposta veio rápida, como um bat-sinal espiritual: É dele.
Oração de mãe tem mais força. Na hora, veio um alívio. Ufa. Alguém está olhando por mim.
E então pensei: _e se eu pedisse a todas as mães que conheço?. E se eu pedisse às amigas que quase são mães, e às que acabaram de ser?_
Tenho certeza de que, no arquivo de Deus, deve haver uma pasta só com as orações da minha. Assim como tenho certeza que no céu deve existir uma jurisdição especial para a não prescrição de oração de mãe.
Fato é que a gente fica meio perdido sem mãe. Pra quem eu ligo agora? Com quem eu falo? Pra quem eu reclamo?
23 de abril é o dia em que a minha, sem muito o que fazer, me deixou.
Esse lance das fases do luto — já escrevi aqui outras vezes — definitivamente não é linear.
Tirando a negação — que, ou eu pulei ou estou em negação da negação — nunca esteve presente. Tem dias em que eu saio da aceitação pra raiva, passando pela barganha e fugindo da depressão. Assim mesmo: tudo junto, todos os dias. Às vezes mais intenso, às vezes nem tanto.
A sorte é que Dona Raquel — bem organizada que era — foi embora perto do Dia das Mães e do aniversário dela. Deixou de um jeito que esses 30 dias ficam meio destrambelhados das ideias, mas pelo menos está tudo junto. Tipo uma pancada de uma vez só.
Este ano, não sei bem por quê, mas meu aniversário teve um gostinho especial. Recebi mensagens tão cheias de significado. Reuni com amigos tão bons. Foi especial. Não sei explicar, mas rolou um lance de amor pesadão.
Acho que tenho descoberto algumas coisas em mim que me deixam mais perto de ser quem eu sou e de ser amado e reconhecido por isso. No geral, tenho descoberto que sou um cara legal.
Então é isso.
(Continua nos comentários pq eu tava escrividudo)
Aniversário!
36 anos no passinho de formiga. Um passo, depois outro, depois outro. O ano já começou meio destrambelhado, mas se tem uma coisa que eu aprendi nesses 36 anos é que tudo muda. Às vezes, a mudança é ruim. Às vezes, é boa. Mas muda — e, de alguma forma, parece que isso é que é a vida!
Quando eu era pequeno, lembro de alguém dizendo — tenho a impressão de que foi uma professora específica, mas não tenho certeza — que, quando perguntassem o que a gente queria ser quando crescesse, ou o que a gente é, normalmente as pessoas falam de profissão. Mas a profissão é só uma partizinha do que a gente é ou quer ser. O lugar do sonho, das esperanças, do que faz a gente ser a gente, é muito mais.
Lembro disso com certa frequência. Talvez seja por isso que o trabalho, com toda a sua complexidade, sempre me afetou — e agora aparece no que eu estudo.
Sou jornalista, pesquisador, mas sou muito mais amigo, muito mais uma pessoa boa, muito mais um cozinheiro que gosta de comer e dividir comida. Eu sou muito mais muita coisa!
Se é pra ser algo, que eu seja sempre a pessoa que chega com um bolinho e deixa todo mundo feliz. Que a minha mesa — e as mesas por onde eu passar — estejam sempre rodeadas de gente, comida, papo furado e risadas.
Que os próximos anos — quantos forem — sejam da felicidade que é ser, a cada dia, mais alguma coisa. E que essa coisa sempre seja boa, pra mim e para os que escolhem andar no passinho da formiga comigo.