Vinícius Abner

@psi.viniciusabner

Psicologo/Psicanalista CRP 04/78271 Trago reflexões no que tange a psicanalise, literatura e cinema. ⬇️Link para contato:
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O desejo de se adequar ao desejo do outro pode ser um gesto de amor, uma tentativa de agradar talvez. Entretanto, ao longo da vida percebemos que existe forças e impulsos quem agem em nós que estão para além do nosso controle, hábitos e formas de satisfação enraizadas. Nesse sentido, é importante reconhecemos nossos limites e as reais intenções por de trás de qualquer tentativa de mudança.
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6 months ago
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8 months ago
No filme Retrato de uma Jovem em Chamas, Céline Sciamma constrói uma narrativa em que a arte não é apenas tema, mas linguagem viva. A relação entre Marianne, a pintora, e Héloïse, a retratada, floresce a partir da observação silenciosa, dos gestos contidos e da troca de olhares que se transforma em intimidade. Pintar, nesse contexto, é um ato de conhecimento e de aproximação, é na tentativa de capturar o traço singular da outra que a artista também se deixa ver. A arte torna-se meio de construção do desejo e do afeto. O retrato, que inicialmente seria um registro para fins matrimoniais, é ressignificado pela experiência entre as duas. O processo artístico se confunde com o processo amoroso, ver e ser vista, captar e ser captada, revelar e se deixar revelar. Essa potência transformadora da arte se revela de modo ainda mais comovente na cena final, quando Héloïse, agora separada de Marianne, ouve pela primeira vez uma orquestra. A música, Vivaldi, que Marianne havia tocado, irrompe em sua escuta como lembrança, como perda, mas também como encontro. Héloïse, que até então jamais havia presenciado uma performance musical ao vivo, se vê tomada por uma emoção avassaladora. -----Pretendo trazer mais conteúdos como esse, uma vez que a arte me convoca na mesma medida que a psicanalise.----
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10 months ago
Planejar é essencial, mas sem ação o plano se torna apenas uma ideia bonita no papel. Quando executamos ao mesmo tempo que planejamos, ajustamos o caminho em tempo real, ganhamos ritmo e clareza. É no movimento que descobrimos o que funciona, e o que precisa mudar. Só pensar não constrói. É preciso fazer, mesmo que imperfeito. Porque é agindo que o plano ganha vida e se torna possível de ser concluído.
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10 months ago
“A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe.” – Charles Chaplin No calor de um acontecimento difícil, tudo parece grave, doloroso, às vezes insuportável. De perto, a vida é densa. É tragédia. Mas o tempo passa. A gente se afasta emocionalmente, olha para trás… e muitas vezes, começa a rir. Não porque aquilo não tenha doído, mas porque hoje faz sentido. A dor se reorganizou, virou história. E às vezes, até alívio. Na psicanálise, aprendemos que o sofrimento, quando simbolizado, pode deixar de ser paralisante. Ele não some, mas muda de lugar. Quando falamos sobre o que nos atravessa, colocamos isso em circulação, tiramos do corpo e colocamos em palavras. A comédia, nesse sentido, não nega a tragédia. Ela é um outro jeito de olhar para ela. É quando a gente entende que o que parecia o fim, talvez tenha sido o começo de algo. Então, da próxima vez que você estiver mergulhado em uma cena difícil, lembre: vista de perto, a vida dói. Mas com o tempo, com elaboração, com fala… ela pode até nos fazer sorrir.
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11 months ago
Durante muito tempo, houve a ideia de que o inconsciente seria como um baú trancado, algo enterrado nas profundezas da mente, inacessível e misterioso. Um lugar onde se guardam traumas, desejos e memórias esquecidas. Mas Lacan nos propõe um deslocamento importante: O inconsciente não está “dentro”. Ele está entre. Entre as palavras que escolhemos e as que escapam. Entre o que dizemos… e o que realmente queremos dizer. O inconsciente se manifesta na fala, nos atos falhos, nos sintomas, nos lapsos e até nos silêncios. Ele é estruturado como uma linguagem, e por isso, se escutado, fala. Esse deslocamento é essencial: em vez de procurar o inconsciente como quem procura um objeto perdido, a escuta psicanalítica se abre para aquilo que já está se dizendo, ainda que o sujeito não saiba. Por isso, na clínica, não se trata de interpretar “segredos escondidos”, mas de escutar o que emerge. De reconhecer os equívocos como pistas. E de deixar que o sujeito, aos poucos, encontre sentido no que parecia sem sentido algum.
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11 months ago
No trecho de Memórias do Subsolo, Dostoiévski nos apresenta um narrador que reconhece, com “nitidez”, uma dinâmica psíquica fundamental: ele projeta nos outros o olhar cruel e repugnante que, na verdade, dirige a si mesmo. Essa lucidez dolorosa é um traço marcante do personagem, cuja vaidade ilimitada convive paradoxalmente com uma autoimagem fragmentada e odienta. Em termos psicanalíticos, estamos diante de um exemplo claro do mecanismo de projeção. A projeção, conforme elaborada por Freud e desenvolvida posteriormente por autores como Melanie Klein, é um mecanismo de defesa pelo qual o sujeito atribui a outrem sentimentos, impulsos ou partes de si que são inaceitáveis, dolorosos ou incompatíveis com a autoimagem consciente. No caso do homem do subsolo, sua “enfurecida insatisfação” consigo mesmo é tamanha que se torna insuportável manter esse afeto apenas em seu interior. Assim, o outro (qualquer outro) torna-se o portador desse olhar julgador. Esse processo, no entanto, não reduz o sofrimento. Ao contrário, aprofunda o isolamento do personagem. Afinal, se todos o olham com repulsa (mesmo que essa repulsa seja a sua própria), o mundo se torna um espelho hostil, uma confirmação constante do seu desvalor. O que começa como defesa se torna prisão. A projeção transforma o sujeito em vítima daquilo que ele mesmo lançou para fora. O olhar do outro, ou melhor, o olhar que ele atribui ao outro, é portanto, o espelho invertido de sua própria angústia. O subsolo em que vive não é apenas um lugar físico ou social, mas uma imagem do inconsciente tomado por mecanismos de defesa que, em vez de proteger, sufocam.
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11 months ago
Muita gente acredita que reconhecer um padrão de comportamento é o suficiente para mudar. Como se, ao perceber a repetição, ela simplesmente deixasse de acontecer. Mas na prática, não é bem assim. A repetição tem uma força inconsciente. Mesmo quando sabemos que estamos repetindo, seguimos presos ao mesmo ciclo, nos mesmos lugares, escolhas, dores. Por isso, mais do que identificar o que se repete, é preciso se implicar: se perguntar qual o nosso lugar nisso tudo, o que estamos tentando resolver sem saber. E esse movimento não se faz sozinho. É na terapia/analise que podemos abrir espaço para elaborar o que nos faz repetir, e só então permitir que algo de fato mude.
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11 months ago
Muito se fala hoje em dia sobre “se amar primeiro”, “não depender de ninguém” ou “ser sua própria fonte de afeto”. Mas do ponto de vista da psicanálise, essa narrativa esconde uma meia-verdade. É impossível desenvolver amor-próprio sozinho, no isolamento. O sujeito é, desde o início, um ser de relação. Desde o nascimento, é o olhar do outro, primeiro da mãe, ou de quem ocupa essa função, que nos constitui. É sendo acolhido, nomeado e desejado que o bebê vai, aos poucos, formando uma imagem de si. O “eu” não é dado de antemão; ele se constrói a partir do desejo do outro. Quando a cultura nos ensina que devemos “nos bastar”, ela nega a nossa condição mais fundamental: a de seres faltantes. Precisamos do outro não para nos completar, mas para nos constituir. A autonomia saudável não se constrói contra o laço, mas a partir dele. Portanto, talvez a pergunta não seja “como me amar sozinho?”, mas “em que relações estou podendo existir de verdade?”. Porque é no laço, e não na solidão idealizada, que o amor-próprio pode florescer.
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11 months ago
Freud foi o primeiro a ouvir o sofrimento psíquico como linguagem, não como algo a ser silenciado, mas interpretado. Ele saiu do lugar de mestre, escutou o inconsciente, e inaugurou uma clínica baseada na palavra, no desejo e no conflito. Seus estudos sobre sonhos, lapsos, sintomas e repressão abriram caminhos que ainda hoje atravessam a psicologia, a arte, a literatura e a cultura. Mais do que respostas, Freud nos deixou perguntas, e a coragem de escutar o que insiste em nós.
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1 year ago
“A dor, quando não é ignorada, pode ser transformada. Não como solução mágica, mas como movimento. Cada pessoa encontra um caminho diferente, escrevendo, treinando, criando, agindo. Talvez a pergunta não seja "como me livrar disso?", mas ‘o que eu posso fazer com isso?”
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1 year ago
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças levanta uma questão difícil: será que se livrar da dor significa realmente superar uma história? Neste vídeo, trago uma reflexão sobre a importância de elaborar o fim de um relacionamento, não como uma forma de apagar o passado, mas de dar sentido ao que foi vivido. Na tentativa de evitar o luto, às vezes acabamos negando o que foi importante pra nós. Esquecer não é curar. Elaborar é lembrar com profundidade e seguir em frente com mais consciência. Espero que gostem deste novo modelo de vídeo que estou testando.
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1 year ago