É com muita satisfação (e um pouquinho de cansaço) que anunciamos que o Ribbon (Centro de Excelência), EATG, Coletivo Loka de Efavirenz, Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS (RNP+ Brasil) e REALIZE, junto com organizações parceiras de todo o mundo, lançam a Chamada de Propostas para a Silver Zone — uma zona de networking dedicada ao envelhecimento e às pessoas idosas vivendo com HIV, na Aldeia Global da 26ª Conferência Internacional de AIDS, que acontecerá de 26 a 31 de julho de 2026, no Rio de Janeiro.
Se você desenvolve pesquisas, trabalhos, performances ou vive experiências relacionadas ao envelhecimento com HIV, queremos te ouvir!
Clique no link na bio e envie sua proposta de atividade.
🗓️ Inscrições abertas até 15 de junho de 2026, às 23h59 (horário da costa leste dos EUA).
Agúenta OTA #10 "the final walk" ♡
Na ocasião tbm rolou uma roda de conversa sobre presença (e permanência) negra na ballroom, mediada por @oliviamisterio . Feliz por lembrar desse momento de tanto aprendizado, nesse projeto que foi um marco em nossa comunidade RN ♡
Fotografia: @liba.nio
Produção: Ace 007, Ant de Acúenda, Dio 007, Father Sizzerr BVNT, Jai de Acúenda, Jan de Acúenda, Mistério Baixíssima, Princess Tayra Dengo e Founding Mother Vitoria Um Milhão de Acúenda.
Realização: @casadeacuenda
Nessa primeira segunda-feira do ano, leio com os olhos marejados a tese de Maurício Anunciação, através de quem conheci o trabalho de João Gomes Jr. Essa pesquisa discute epistemicídio, raça, estética... No âmbito das experiências em HIV/aids, afirmando a literatura como espaço de memória e promoção de vida, como nos afirma Conceição Evaristo em seu conceito de escrevivência. Azul é uma coletânea de crônicas que escrevi entre 2011 e 2017; cujo alguns de seus trechos deram corpo ao roteiro do filme Aquela Criança com Aid$ (2023) e pra mim, ser reconhecido assim, como parte da literatura "negro-posit[hiv]a", é um presente que me atravessa e me anima a voltar a escrever. Aliás, estou organizando a 3ª edição desse livrinho, que estará disponível em breve.
Este post é um agradecimento a Maurício Anunciação pela escuta sensível, pelo rigor amoroso, pelo compromisso político e a coragem de escrever essa tese que reconhece artes como a minha tbm enquanto matéria de saberes e crítica. Obrigado!
Seguimos ♡
(Post de LinkedIn, ainda em tempo)
tive a feliz oportunidade de participar do X Encontro Nacional da RNP+Brasil, que celebrou os 30 anos da Rede, no painel “Envelhecimento, gênero e sexualidade na experiência de pessoas vivendo com HIV/AIDS”. Levei para o debate a realidade das pessoas que vivem com HIV por transmissão vertical (TVHIV), um grupo historicamente invisibilizado, mas central para pensar o envelhecimento na epidemia.
A literatura mostra que quem nasce com HIV enfrenta lacunas enormes de acompanhamento em longo prazo, especialmente em países pobres. Isso dificulta detectar riscos de comorbidades crônicas (metabólicas, cardiovasculares, renais, ósseas, neurocognitivas) e de inflamação persistente, mesmo com carga viral indetectável. Por isso é urgente ampliar pesquisas sobre toxicidade a longo prazo e garantir acesso a exames como densidade mineral óssea, avaliação metabólica, parâmetros cardiovasculares subclínicos e testes neurocognitivos. Esses cuidados deveriam ser padrão no SUS.
A eliminação da transmissão vertical é um avanço a ser celebrado, mas precisamos perguntar: o que acontece com quem nasce com HIV? Quais políticas existem para quem nasce, cresce e envelhece com o vírus? Envelhecer com qualidade, vivendo com HIV é um privilégio de quem? Envelhecer? Minha geração está chegando aos 40 anos, sem opções terapêuticas eficazes frente à resistência acumulada. O tratamento injetável precisa estar disponível no SUS para fortalecer a adesão e a qualidade de vida.
O Boletim Epidemiológico 2025 revela que a AIDS no Brasil segue marcada por desigualdades. Já viram quem segue morrendo? Não há dados de raça/cor para TVHIV mas diante do perfil da epidemia, é provável que as 2 mil crianças que nasceram com HIV no Brasil em 2025 seja negra. Precisamos nomear e enfrentar isso. O selo de erradicação não diz do fim deste problema. Sou profundamente grato ao movimento social, à pesquisa crítica e às alianças comprometidas que traçam estratégias eficazes nessa luta há 40 anos... mas eu não quero só sobreviver, com dentes e fígado esfarelando, eu quero a cura. Universal e gratuita.
Obrigado pelo convite @rnpbrasil foi um marco para mim ♡
"Havemos de dezembrar. Dizia eu. Faltava pouco para o fim do ano. Era meu pai, nos tempos de maior conversa, que o pedia. Depois de cada dificuldade, esperava que dezembrássemos todos. Que era prometer que chegaríamos vivos e salvos ao fim do ano, entrados em janeiro, começados de novo. A resistir."
(A Desumanização, Valter Hugo Mae)
Amanhã é Dia Mundial de Luta contra a AiD$ e o Brasil vai lançar a campanha, feita sem participação comunitária, reforçando o tratamento como prevenção (indetectável = intransmissível).
Também vai divulgar a queda expressiva de óbitos, aumento da expectativa de vida e erradicação da transmissão vertical. Conquistas importantes, que merecem ser celebradas. Mas esses dados também revelam o refinamento da necropolítica: locais pobres ainda tem altos índices de AIDS em menores de 5 anos, não temos atualizações nas ARVs pediátricas, população negra segue morrendo mais, homens trans continuam invisíveis nas estatísticas... enfim.
A narrativa de “AiD$ resolvida” principalmente nas redes sociais compactua com esse projeto de genocídio. É urgente ampliarmos estudos transgeracionais sobre os impactos do uso prolongado de ARVs e retomar o debate sobre licenciamento compulsório. Pois as farmacêuticas mantêm preços abusivos, bloqueiam a produção nacional e transformam saúde em lucro. Foi assim com o Efavirenz em 2007. A quebra de patentes é legal, necessária e salva vidas! O caso do cabotegravir injetável mostra isso: um medicamento essencial, mas caro e escasso porque a ViiV Healthcare impede genéricos.
O remédio garantido pelo SUS é a principal estratégia de resposta à AIDS, mas ela se sustentará até quando sendo tão cara?
Some-se a isso os ataques com a Lei 14.874/24, sobre a ética nas pesquisas, transparência e acesso ao tratamento após os estudos. Enfraquecendo a capacidade de negociar preços, produzir no país e enfrentar monopólios.
E precisamos colocar a CURA como PRIORIDADE na agenda.
O avanço mais promissor é a vacina de mRNA da Moderna/IAVI, que induziu células precursoras de anticorpos raros. É inicial, mas importante. Para que a cura nos chegue e seja gratuita e universal, precisamos de investimento político, científico e estrutural.
Deveria ser motivo de revolta que, em 2026, ainda se nasça e morra com AiD$. 1º de dezembro é sobre memória, luta e defesa radical das políticas públicas, como SUS e as universidades públicas, e o direito inalienável à vida e morte digna!
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Foto: @maludidier.foto para "Potências Ixtranhas" @casixtranha
Eixo 01: Vitalidades do Corpo
Neste sábado iniciamos o nosso ciclo de oficinas e conversas do Potências Ixtranhas, com a conversa mediada por Lírio 007 @psciani “Corpo em comunidade: perspectivas de cura da aids” e a oficina de Sex Siren com a Star Mother Lince de Nieth (PE) @lince_neith .
O nosso primeiro encontro será no Espaço Viramundo (Tv. Ocidental de Baixo, 298 - Alecrim, Natal). Para participar, faça a sua inscrição no formulário no link da bio e contribua com 1 Kg de alimento não perecível.
Realização: Fundação José Augusto, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal. Apoio: Estipe, Espaço Viramundo e Giradança
Identidade visual e Projeto Gráfico: @_marconesoares
#ballroom