Passei um tempo para digerir o que foi participar do @acregraffitifestival , pois foram várias conexões e reconexões. Primeiro que foi a realização de um sonho: cruzar o país e levar minha arte e um pouco do que já aprendi ao longo dos anos para lá.
Fui pra ensinar, mas aprendi mais que ensinei. E olha que ministrei duas oficinas pelo Acre. Mas a vivência com o pessoal que vive coladinho na floresta, onde a cultura indígena é tão latente (não só indígenas brasileiros, mas também de indígenas de países vizinhos, já que fica tão perto da fronteira) foi tudo tão enriquecidor que até hoje não sei descrever. Foi como se eu tivesse voltando pra casa, um lugar lindo de gente acolhedora, comida gostosa e muita arte ao redor nas paredes, nas peles, nas estampas de roupas. Meus olhos brilhavam mais que tudo, pois achava tudo lindo.
Deixei uma contribuição com esse graffiti feito na rua África, com tema Floresta Marginal. Quis representar mãe e filha Maxiany e Kariãny Hunikuî, que acompanharam ali do ladinho nos dois dias de pintura. Tive pintura na pele feita por mulheres dessa família, me senti tão honrada. Achei lindo que cada uma carregava uma criança amarradinha num pano. Me ensinaram até isso, pra quando eu tiver a minha criança também.
Pintei ao lado de grandes nomes do graffiti nacional, pessoas que tenho um carinho enorme e gratidão pelos momentos massa durante esse rolê. Demorei pra postar mas agora terão mais posts, se preparem!
essa ação e conexão só foi possível graças a aprovação no edital de Bolsas Culturais, que fomenta circulação e intercâmbio cultural, publicado pela @funjopeoficial a partir da PNAB 2024
amo ser gestora cultural, amo ser produtora cultural, amo ser agente cultural de museu de patrimônio vivo, amo fazer cultura e amo ver a cultura se fortalecendo, aliando forças à educação
dito isto, me chama pra produzir teu evento! ❤️
Quando decidimos pintar sobre os Potiguaras no painel que fizemos no @rua_on quis representar principalmente os da minha terra. Potiguaras do litoral norte, sobretudo porque os povos originários da Paraíba é de resistência feminina, por anos mulheres caciques seguraram a onda e tomaram conta lindamente de suas aldeias.
Por muita coincidência (ou não, pq acredito que os caminhos se cruzaram por algum motivo) chegou uma indígena potiguara da Paraíba no momento em que eu finalizava a pintura corporal na personagem, que se identificou e falou o quanto se sentiu representada. Só agradeço @indiabarbara pelo carinho, pelo presente e pela benção 🖤
Gratidão também ao pessoal do evento que me proporcionou esse encontro massa a partir da arte urbana
#indígenaspotiguaras #ruaon #povosoriginários #witchpb #catrina #witchecatrina #pinturacorporal
No @btcgraffitifestival desse ano, a gente pintou pensando nas tecnologias ancestrais que não estão nas máquinas, mas nos corpos, nos rituais, na memória e na continuidade. As mulheres de fé que aparecem no muro não são só personagens, são portadoras de conhecimento, são elas que organizam, que cuidam, que mantêm vivo aquilo que não pode se perder.
Tab recriou uma juremeira, afirmando sua própria prática espiritual como tecnologia de existência. Olukemi traz sua ialorixá Mãe Mariah de Oxum, que mesmo após sua passagem segue presente — porque ancestralidade também é permanência, é continuidade de saber. E eu (precisei sair da zona de conforto pq é babado pintar caveira em Salvador) pintei uma ekedji, pintei eu mesma, praticamente, me colocando nesse lugar de responsabilidade de escuta e de sustentação dentro dessa estrutura de fé. E nosso cenário não é fundo, é fundamento! A cena do pôr do sol na Barra que Barbaridad coloca no muro, com as crianças pulando no mar em silhueta, fala de continuidade. Enquanto o céu muda e o tempo passa, a vida segue, os corpos seguem, o ciclo segue. A ancestralidade tá nas que vieram antes, mas também nas que estão agora e nas que ainda estão chegando. Tecnologia ancestral é isso: um sistema vivo, que atravessa gerações.
Gratidão aos que fizeram parte dessa troca
Gratidão ao BTC
Gratidão às ancestrais e às crianças
fotos: @barbaridad.studio e @arivaldopublio
Bahia de todas as cores, todos os santos e vários amores. Amor pelo graffiti, pela cultura hip-hop e sound system, pelos amigos que fazemos. Bom demais sempre poder retornar a esse lugar lindo que aquece o coração da gente, mesmo quando chove!
Um pouquinho dos registros do que rolou no último final de semana durante o @btcgraffitifestival
e não, eu não moro ~ainda~ na Bahia como pensam, por isso me emociono sempre que volto todo ano kkkkk
Frajolindo, foi massa esse tempinho de vida convivendo contigo. aprendi a respeitar limites, a entender que pra gostar não precisa estar pregado o tempo inteiro. era o gato "antissocial", mas era assim só com o povo de fora, com a gente apesar de não gostar de contato fisico demais, era clara a comunicação pra avisar que queria ficar por perto, quando queria dengo pedia do seu jeitinho. vou sentir falta de você admirando minhas artes, do corpinho quentinho nos meus pés na hora de dormir, até do desespero pra comer primeiro e pegar a comida dos irmãos felinos. descansar aí do céu dos gatos, foi um rojão grande e você foi forte, enfrentou até onde deu, até onde nós conseguimos ajudar também. amo você.
geralmente sou discreta nos corres, porque não preciso de holofotes nem nada do tipo. tem mais de 20 anos que tô dentro do hip-hop, um movimento que gera conhecimento, articulações e salva vidas, literalmente. nunca precisei, sinceramente.
mas diante de tantas coisas que venho enfrentando, inclusive acusações vinda de pessoas que na realidade só mancham o movimento com mentiras, machismo e oportunismo, preciso dar minha versão publicamente para o movimento paraibano e nacional. pq nesse perfil sou artista, ninguém vê o que faço nos bastidores pelo hip-hop do país há anos.
esse corre começou no cinquentenário qnd fui votada pra representar o elemento graffiti aqui no estado, junto a mim outras grandes potências também foram votadas, por pessoas do movimento para representar o estado na Construção Nacional. construção essa que tinha uma missão: entregar um decreto à presidência para melhorias do movimento a nível nacional.
foi o nosso grupo aqui do estado, por exemplo, que sugeriu colocar no decreto que todo o movimento do país se tornasse patrimônio imaterial, pois isso era realidade de poucas cidades/estados. inventários precisaram ser feitos às pressas. pq como exigir algo que não tínhamos como comprovar de modo formal, pra cobrar do Minc, do IPHAN e outros órgãos?! o que fiz virou modelo pra boa parte do país (nem ficamos nos vangloriando por isso, nem tempo tínhamos. foi corre atrás de corre).
a partir disso, eu, como quem não quer nada, querendo tudo, entrei em contato com a secult pra falar sobre nossa cultura, que ainda é marginalizada, infelizmente. e pela primeira vez fomos bem recebidos (ja tinha tentado em outros anos, não se enganem).
daí em diante foram muitas idas e vindas e tentativas de reunião pra cobrarmos o que é nosso por direito enquanto sociedade civil, artistas e articuladores desse movimento. coisa que QUALQUER PESSOA PODE FAZER, mas nem todo mundo quer passar pela burocracia, pela espera. mas sou filha de Oyá e se tem uma coisa que eu não faço é desistir, mesmo com todos os atravessamentos.
assim vem sendo. conquistamos o 1° edital voltado pro hip-hop, um circuito que abrangeu 3 polos do movimento aqui (continua nos comentários)