o estagiário (eu mesma 😅) subiu todos os episódios da coluna Marca Página de literatura no Spotify ✨ com essa roupa linda que o @lucasnrferreira criou pra ela
(vou deixar o link aqui no perfil)
aliás, faz exato um ano 🥳 que eu entrei a primeira vez no ar na Rádio Nacional de São Paulo pra tentar, com palavras, falar o que é possível fazer com elas e, principalmente, o que andam fazendo, com muitas conversas
e sempre com a leitura de um poema, ao final
estão no streaming também as entrevistas feitas durante a cobertura especial d’ @afeiradolivro 2024
agora ficou mais fácil de achar, ouvir e compartilhar os áudios
Guilherme Strozi e Victor Ribeiro sempre me deixaram à vontade dentro da nave que é o estúdio e suspendemos o tempo juntos, primeiro uma vez por semana, depois quinzenalmente, até que finalizamos uma primeira temporada ontem, o que marca minha saída de licença maternidade (e isso também foi assunto)
convívio e parceria pelos quais sou muito feliz e grata 🌸
depois ouve e me conta!
um dia ousei querer publicar pela @editoraquelonio
e mesmo sonhando direitinho
não imaginei tanta magia quanto habita o quintal da @silvianastari e do @brunozeni_
enquanto a finalização do meu primeiro livro de poemas, a Tuia, que fala da relação filha e mãe, já se dava longe das minhas mãos
o segundo, o Três, com a pegada lúdica do respiro que eu precisava
depois do mergulho
era feito à mão na Oficina de Plaquetes da Quelônio
um lugar onde além de magia ainda existiu
convívio e aprendizado
do feitio manual do livro
com o tesouro que é o acervo de tipos da Silvia
escolhemos, manipulamos, costuramos
e nos espantamos com o resultado único
de cada um dos projetos
eu ando muito bem acompanhada e assim esse livro vem ao mundo
numa coleção com
@rmarcon@daniela.storto.9 Clarice Dall’Agnol @michele.net.br@belmontelouise@_lasart e Talita Lilla
mesmo quem já adquiriu, vem fazer festa e conhecer a @casafrestas
🌬️⛴️ ☀️
em 2019 eu sentei no mesmo banco em que Leonard Cohen foi — longe — atrás da beleza, na ilha grega de Hidra
e antecipei meu retorno pra casa por causa de um acidente
a plaquete “Três ilhas gregas, doze parafusos” foi escrita depois que eu recuperei os movimentos da mão direita
Tuia e Três vêm ao mundo praticamente juntos. haja celebração 🌷
veja essa caixinha de prata forrada com veludo
com um belo peixe-tuia da minha irmã @ceciliajunqueira
em projeto gráfico da Iris Gonçalves
ela guarda poemas
com lapidação da @ge.zanettini
como joias de família que
você vai poder usar
e eu faço um convite a você
com o cabelo ainda pingando a água do mergulho
vem comigo festejar esse retorno!
no Café Caipira de domingo do @condocultural
(café da manhã com comidas incríveis e cerveja no cardápio, espaço pras crianças e pros bichos de estimação)
num domingo de sol - ou um domingo antes da chuva
mas certamente um domingo de alegria
Tuia foi um projeto pra passar um tempo com a minha mãe (mesmo que eu não soubesse disso) e mais que um livro de poemas, virou uma nova relação com ela, na sua ausência
por meio do livro, ela me deu motivo pra mobilizar muitas outras relações, incluindo a escrita e a busca por uma linguagem pra
sentir saudade
(o @andregravata me ajudou a perceber isso quando fez a bela carta que está nas grandes orelhas da Tuia)
Tuia foi selecionada numa chamada de originais da @laranjaoriginal
e eu sou muito grata por todo profissionalismo e afeto envolvidos no processo
é com ajuda da @renatapy_escritora que faço o convite pro lançamento
a tempo de você se organizar 💜
hoje Lavínia acordou febril e atravessou qualquer expectativa para o dia das mães
se faríamos um passeio no parque, perto das árvores que ela gosta tanto
(ela e também o tempo frio e chuvoso)
a preocupação convocou a mãe a tirar-se da prioridade
ser mãe
antes que o @giulianogerbasi se desse conta de que era dia das mães, eu sugeri a ele que fizesse um carbonara de almoço
ele topou na hora, lembrando o amor que existe fora de datas comemorativas
nós três em casa, Lavínia já mais bem disposta depois de medicada, um dia cheio de amor e cuidado
como os dias sem precedentes antes da chegada da minha filha
ela que enrola meu cabelo entre os dedos e depois faz cafuné nela mesma
num gesto de afeto resistente à quebra de simbiose que vem acontecendo com outros aspectos da vida impondo seus ritmos
a amiga poeta @iovannnnnna fez o registro ao fim de um dia lindo, quando comemoramos seu primeiro aninho
eu, eu me emociono
Daqui uns dias faz um ano que Lavínia saiu da minha barriga. Minha barriga não exatamente redonda, respeitava mais uma sequência de Fibonacci. Perfeita em ser mais pro lado direito, onde Lavínia se aconchegou por muito tempo e permaneceu até muito perto do nascimento quando começou um mover-se lento de um longo pré-trabalho de parto. A experiência física de gestar sempre me interessou. Meu marido diz que minha postura melhorou depois que ela nasceu, estou menos curvada. Como se eu tivesse me colocado no mundo ao trazê-la ao mundo, uma presença inevitável. Por mais que eu ainda sinta dores da escoliose e haja muitas dores com a descoberta da palavra cansaço, meu tônus muscular nunca foi tão bom, moldado na sequência de agachamentos e levantamentos que é nossa rotina, tenho um abdômen mais forte, ainda que flácido, e uma magreza que logo a amamentação me devolveu. Seria capaz de defendê-la fisicamente, como um bicho, e me sinto mesmo a postos pra tanto, se necessário. Me sinto forte.
o fotão é da @beca.figueiredo 🩵
procurei um verbo pra dizer da experiência que você me proporciona
no processo criativo de nossa relação (reverberando em tantas outras)
me ocorreu uma aportuguesada ensenhança, ainda mais vinda de uma criança
de origem estrangeira como se vinda de uma língua desconhecida
sibilante como é rasteiro e bichano seu gatinhar
que exigiria um certo código de acesso pela postura de quem aprende
e vinda ainda da dança de nossos dias
vi que no dicionário já existia ensinança, com seu quê de doutrina, religião e então - por que não - espiritualidade
daí que
Viva, Lavínia!, e sua ensinança:
da intensidade
da impermanência
da paciência
das importâncias
do convívio intenso
do trabalho que é cuidar
da vontade de estar com quem a gente ama
da generosidade que é compartilhar sua existência (e celebrar)
da construção de um lar, nossa familinha
(@giulianogerbasi ❤️)
Viva, Lavínia, e seus nove meses de idade
no mundo há mais tempo - e o que é o tempo
rende livro -
no mundo há mais tempo fora do que dentro da minha barriga 🐣🌷
percebo minha filha buscar a origem do som e querer abocanhar, seja um celular que toca música, um tampo de mesa onde a gente batuca ou um violão. ela quer comer a música. quando estou colada a uma orquestra em movimento, sinto que estou dentro do som, eu sou a música, somos, em multidão. viva o carnaval ❤️💛💙
cristina peri rossi lembra
como quem já viveu muito ou
uma criança
conta
como se tivesse descoberto o funcionamento da vida adulta
ainda na infância
acessa complexidades
como a obediência cega, o amor e
o poder da ficção
em seu admirável caminho de escritora
cresce e
continua a desvendar a vida pela poesia
é tão lindo, com ela, comungar o desejo de escrever
entender o desejo - por alguém ou por uma vocação - como algo inescapável, que se persegue com veemência
se manter fiel ao desejo
(um capítulo dedicado ao primeiro amor e o outro à máquina de escrever
em sequência, emocionantes)
enquanto lavínia (porque sempre com ela)
enquanto lavínia mamava
enquanto lavínia se entretia, até tentar
comer o livro e, agora,
enquanto lavínia dorme
no ritmo de poemas, capítulos curtos, ensaios breves e trechos
li
em silêncio (enquanto lavínia dormia) e em voz alta (quando ela me convocava mas eu precisava concluir uma frase, então tentava seduzi-la)
o combo: antologia de poemas e romance autobiográfico de cristina peri rossi
portanto, lemos
e estamos maravilhadas
(o livro, minha filha)
trecho da entrada do dia 19 de maio de O turista aprendiz, do Mário de Andrade. das leituras que conversam com o puerpério, pra brincar sem minha filha
dias de Lavínia como o maior rio do mundo,
e haja água 💙