QUIMERA
muito feliz em partilhar com vocês a notícia da publicação, em janeiro/fevereiro, abrindo o ciclo verde do Círculo de Poemas /Fósforo, desse meu segundo livro de uma trilogia que inaugurei com "o gosto amargo..." (2022,7Letras). Nessa trilogia tento fazer da poesia - e de suas fronteiras movediças - um território de observação, reflexão e reinvenção dos limites - tensionados- entre o humano e o não-humano e entre as várias formas de (co)existência na terra.
Em definitiva, é uma tentativa de habitar uma paisagem outra, criada por palavras, tempos, imagens e pelo silêncio que, juntos, formam esse observatório (verde) da relação entre os seres vivos e o mundo.
Feliz demais pelo nascimento dessa criatura quimérica, e muito grata a toda a equipe da maravilhosa
@fosforoeditora pela acolhida, em especial aos editores
@ritahmattar e
@tarsodemelo76
Obrigada queridíssimo
@andrecapile
Tu sabe pq.
Nas próximas semanas falarei um pouco mais sobre o corpo dessa criatura, seus tentâculos, seus desejos e suas obsessões.
Segue o texto de apresentação da Editora:
Verdejar o mundo/ nem que seja na linguagem” — logo no poema de abertura está a senha para atravessar “Quimera”, novo livro de Prisca Agustoni, vencedora do prêmio Oceanos 2023. Aqui, a poeta suíço-brasileira escreve consciente de que estamos em meio a um colapso ambiental cada vez mais evidente e assustador, e nos convoca à luta.
Em cada uma de suas cinco seções, “Quimera” despe diferentes dimensões desse ser (nós!) que se coloca fora da natureza, por vezes acima dela e, sobretudo, contra ela. A poesia de Agustoni nos lembra do óbvio: somos natureza. E a cada camada que o olhar da poeta arranca, fica mais evidente que somos, a um só tempo, nossa maior ameaça e a única aposta possível.
Para os gregos, “quimera” indicava metamorfose, transformação necessária para resistir aos conflitos, mas os dicionários vão associá-la aos sentidos mais frágeis de sonho, ilusão e fantasia. Nos poemas de Agustoni, somos colocados diante de outros sentidos, entre eles um sentido forte de utopia: aprender com “o despertar dos extintos”, aprender a implodir “as previsões,/ os cálculos exatos sobre nosso término”.