Escrevo só hoje,
Mas escrevo de coração cheio de orgulho e feliz ❤️
O passado dia 14 de Abril ficará vincado na minha memória. O dia em que apresentei o meu livro a amigos, estranhos, e novos amigos que não serão mais estranhos.
Este projeto não é só meu, mas sim de todos aqueles que querem partilhar esta viagem comigo.
14.4.2026 ❤️
📷 @ph.amadeu
#trumpet #newbook #mentalheath #healthylifestyle #classicalmusic
Partiu-se à procura de algo que não se sabia bem o quê. Talvez uma coisa num telhado. Um boi, dizia eu. Estrada fora, pingos de chuva miúda abrasavam o vidro dianteiro do carro e os prédios começaram a dar lugar a encostas e planícies de uma metrópole cercania.
Passados o destino onde não se encontrou o que não se sabia que se procurava, chegámos, por acaso, a Lapão, sítio despojado de tempo e vagado de sorte. A cancela ao centro da estrada, ladeada por dois cilindros de cimento, impedia o avanço. Ainda assim, não tardou também o acaso a presentear-nos com indicações. Era por ali, disseram-nos, bastava afastar a cancela e seguir em frente - íamos lá dar. Só não podíamos deixá-la fora do sítio.
Quando já mais não se avançava, a estrada transformara-se em ondas pretas e inertes. Placas colossais de alcatrão faziam tudo menos ângulos planos, próprios apenas para os hábeis de equilíbrio. A questão punha-se: que força que não a de um terramoto faria um serviço daqueles? A água, claro está.
Adiante, já envoltos pelo cheiro a terra molhada, conhecemos a Dona Inês. (Confesso a falha de não ter perguntado à senhora o seu nome, mas, para este efeito e porque acho merece um nome, batizo-a de Inês, nome da minha avó materna, de quem me fazia lembrar) A sua casa não havia sido afetada, graças a Deus, mas conhecia todas as pessoas das casas que o foram.
Lamentou tanto a desgraça, o bonito serviço que estava ali feito. Coisas havia que nem arranjo lhes valia - são para se deixar perder. Casas rachadas a meio, como que cortadas, vilipendiadas pelo solo que lhes fugiu de baixo, tal como à estrada. Após as mordomias, despediu-se com um aceno e dizendo "obrigada". Não tinha mesmo nada por que agradecer, a não ser pela graça de ter visto a sua casa pela catástrofe poupada.
Na viagem de regresso, continuava a chuva pequena, juntou-se-lhe o nevoeiro e trouxemos nos sapatos o cheiro a terra molhada. A conversa demorou, lenta, e amiúde dava lugar ao silêncio.
#trs_members