Este projeto nasceu depois do Pride do ano passado.
A
@rafaelagomesx veio falar comigo com esta ideia, eu alinhei e a
@lenitaagrande também, porque partilhávamos a mesma sensação: a de que, de forma muito generalizada, o Pride Month e a comunidade LGBTQIA+ têm sido instrumentalizadas, por marcas e instituições.
Um mês de visibilidade, campanhas e discursos públicos (importantes e necessários). Depois o Pride passa, as marcas vão embora porque a comunidade deixa de ser “lucrativa”, os arco-íris desaparecem e instala-se um silêncio quase total durante o resto do ano. Um apoio que aparece rápido e desaparece da mesma forma.
#BeyondPrideMonth nasce daí.
Da ideia simples de que as pessoas LGBTQIA+ existem todos os dias e não apenas nos 30 dias do mês de Junho.
É fácil (e principalmente agradável) pensar que o mundo já evoluiu e que o perigo para a comunidade LGBTQIA+ é coisa do passado. Mas isto está longe da verdade.
Senti isso novamente, no dia de rodagem. Gravámos em espaços públicos, com gestos simples: caminhar, beber um café, dobrar roupa, beijar quem se ama. Coisas normais de pessoas normais.
No fim do dia, enquanto gravávamos o filme do casal gay, um homem aproximou-se e perguntou o que estávamos a fazer. Dissemos que era um projeto contra a homofobia. Ele sorriu, apoiou a iniciativa, disse que achava importante e seguiu, contente, a sua vida.
Mas, minutos depois, já a arrumar o material, outro homem aproximou-se. Perguntou se estávamos a gravar para a televisão. Dissemos que não. A resposta foi imediata e raivosa: “Filmem esses filhos da p*ta!!”
Estas duas reações diferentes aconteceram no espaço de uma hora. No mesmo espaço. Com a mesma cena: dois homens a beijarem-se.
E é exatamente por isso que este projeto existe.
Porque enquanto um beijo continua a provocar este tipo de reação, o Pride não pode ser só um mês.
E o apoio não pode ser sazonal.
Agora, os merecidos agradecimentos! Este projeto só existe porque muita gente alinhou connosco.
As pessoas e espaços que aceitaram entrar nos filmes, a equipa que deu tempo, corpo e cuidado, a Playground por ter sido casa, a STP e a Planar pelo apoio! Sem eles, este projeto não existia ❤️✨️