🏳️⚧️DIA INTERNACIONAL da VISIBILIDADE TRANS🏳️⚧️
A VISIBILIDADE TRANS NÃO É SOBRE EXPOSIÇÃO.
É sobre MEMÓRIA, PERMANÊNCIA e FUTURO.
Essa data não nasce do acaso - ela surge da urgência de existir em um mundo que historicamente tentou apagar corpos, identidades e histórias trans.
Ao longo das últimas décadas, entre avanços e retrocessos, pessoas trans têm conquistado direitos fundamentais em diferentes partes do mundo. .
É importante lembrar: muitos dos direitos que hoje existem foram conquistados por pessoas trans que vieram antes - muitas vezes em contextos de extrema violência, marginalização e silêncio.
E dentro dessa história, as transmasculinidades ainda lutam por visibilidade. Aos poucos, ampliamos nossa presença na arte, na política, na educação e nos espaços de decisão.
Cada corpo visível rompe um ciclo histórico de apagamento.
Seguimos.
PORQUE EXISTIR AINDA É UM ATO REVOLUCIONÁRIO.
Arte e conteúdo dos CARDs - Leo Moreira Sá
Assinam esse post:
Daniel Veiga e Leo Moreira Sá
#VisibilidadeTrans #TransVidasImportam #DireitosTrans #Transmasculinidades #LutaTrans ResistênciaTrans LGBTQIA+
|| VIOLÊNCIA DOMÉSTICA -
contra as transmasculinidades ||
por @_vercio
É preciso falar sobre a violência doméstica que coloca o homem trans/pessoa transmasculina como sujeito passivo da situação.
É um tema que surge nos grupos e é objeto recorrente de preocupação e angústia, mas ainda é um tabu. Não há sequer dados sobre o assunto. No entanto, é preciso iniciar essa conversa.
O que choca é que, independentemente dos arranjos afetivos — homem trans/mulher cis; homem trans/homem cis; homem trans/mulher trans —, o sujeito passivo tem sido sempre a pessoa transmasculina.
Mais alarmante ainda é perceber que essa informação não tenha se tornado pauta, pois circula apenas como tema de conversas informais entre homens trans/pessoas transmaculinas.
A violência física e psicológica — na forma de espancamentos, estupros, abandono, gravidez solo e transfobias — acontece e não é algo novo. É algo que as pessoas veem e naturalizam.
Naturalizam porque, com todas as contradições, tem-se em cena um corpo masculino que, por exemplo, pode apanhar de uma mulher, mas que também é trans e, portanto, é passível de estupro e de negação de sua masculinidade.
Para completar o quadro: no momento em que esse homem reage à violência sofrida, o que se torna visível — inclusive entre seus pares — é a reação, e não a violência que a provocou.
E isso é extremamente violento, porque, em geral, o que o homem trans/pessoas transmasculinas menos deseja da masculinidade universal é a violência.
Arte e conteúdo dos cards: @leo_moreira_sa
Assinam esse post :
Aren Gallo
Daniel Veiga
Leo Moreira Sá
#transmasculines #transmascfobia #misoginia
|| PRECARIZAÇÃO TRANS nas ARTES || por Daniel Veiga
Pesquisas baseadas no censo canadense indicam que pessoas trans e não bináries estão proporcionalmente mais presentes nas artes do que em outras áreas, mesmo diante de fortes barreiras estruturais.
No Brasil, porém, ainda carecemos de dados atualizados que revelem o panorama real do mercado de trabalho para nossa comunidade.
Segundo o IPEA, apenas cerca de 25% da população trans está inserida em empregos formais. Não há, no entanto, recortes específicos sobre o setor artístico, nem dados que abordem de forma consistente a população transmasculina nesse mercado.
Embora seja cada vez mais visível o trabalho de homens trans, pessoas transmasculinas e não bináries em telenovelas, séries de grandes streamings, plataformas de música, circo, cinema, arte drag e outras linguagens, a realidade material para artistas trans segue sendo marcada pela precariedade.
A permanência na arte como ofício é atravessada por fatores como a baixa formalização e o sucateamento do setor cultural, a desigualdade social (pessoas trans têm renda média mensal 32% menor que a média nacional, mesmo com ensino superior, e pessoas trans negras ganham menos que pessoas trans brancas), a concentração de oportunidades no estado de São Paulo, a dificuldade de acesso à formação e a fragilização das políticas públicas voltadas à cultura.
A ausência de estatísticas oficiais sobre artistas trans brasileiros aprofunda essa invisibilidade. Bases culturais internacionais que mapeiam eventos e atividades artísticas no país registram números muito baixos de atividades associadas a artistas trans, como cerca de 38–39 registros em 2025 no TransArtists.org.
Assim, apesar dos avanços em visibilidade, do reconhecimento público e da conquista de prêmios nacionais e internacionais, a realidade ainda é a de uma maioria de artistas exauridos, submetidos a jornadas intensas, sem acesso a direitos básicos, expostos a violências nos espaços de trabalho e com poucas perspectivas de continuidade.
A desigualdade estrutural e a invisibilidade estatística seguem refletindo a precariedade em que nossa população vive.
A despeito de não ser o autor cujas novelas eu mais gostava, não há como negar a qualidade de sua escrita, assim como é inegável que, com sua partida, a teledramaturgia fica mais pobre.
🏳️⚧️ PASSABILIFRÁGIL 🏳️⚧️
"A passabilidade é uma métrica subjetiva baseada em marcadores frágeis, que ignora as complexidades de cada corpo/experiência, ao sugerir que uma pessoa trans poderia “se passar” por uma pessoa cis.
Isso cria a falsa ilusão de que pessoas trans que, por exemplo, se hormonizam e passam por procedimentos cirúrgicos/estéticos de “readequação” de gênero, estariam menos propensas a sofrer violências (como se essa afirmação, por si só, já não fosse horrível!)."
Texto de @odanielveiga sobre o mito de que pessoas transmasculinas acessam os privilégios do patriarcado ao assumirem sua identidade de gênero. Esse argumento é frequentemente usado para nos silenciar quando levantamos nossa voz em defesa dos nossos direitos.
#transmasculinospretos #passabilidade #misoginia
Nesta sexta, 19/12, tem Aulão de Roteiro com @odanielveiga . Gratuito✨ O encontro é online, das 19h às 22h.
Inscrições até 18/12, pelo https://forms.gle/DTyEZwqxL6YPL9zf6 (link na bio). 🔗☝️
Daniel Veiga é roteirista, dramaturgo e ator. Trabalhou nos departamentos de roteiro das sitcoms O DONO DO LAR e TEM QUE SUAR (Multishow Channel) e na Sala de Desenvolvimento de Narrativas Negras da Paramount+, além de fazer parte do Creative Collaboratory da Netflix. Escreveu o roteiro do curta-metragem TRANSLAÇADOS, de Leona Jhovs, e teve dois projetos selecionados para financiamento público: a série Tormenta e o longa-metragem Terra de Sangue. Também leciona roteiro e dramaturgia em escolas como a AIC - Academia Internacional de Cinema, a SP Escola de Teatro e a ELT em Santo André, e é o Coordenador Pedagógico da Escola Livre de Teatro de Santo André/SP (ELT).
Projeto realizado com recursos do edital LPG nº 14/2023 - Apoio às pequenas e microempresas audiovisuais da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo.
#FilmesDeMentira #Roteiro #Roteiristas #auladeroteiroonline #auladeroteiroparacinema #personagem #trama #roteiristainiciante #DanielVeiga
NÃO EXISTE JUSTIÇA DE GÊNERO
SEM INCLUIR AS TRANSMASCULINIDADES.
NÃO EXISTE COMBATE À VIOLÊNCIA SE
NOSSAS EXISTÊNCIAS CONTINUAREM INVISÍVEIS.
O FEMINICÍDIO TAMBÉM NOS ALCANÇA.
E PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO — AGORA !!!
====Texto e cards de: Leo Moreira Sá (@leo_moreira_sa )
|| DESOBEDIENTES - um sucesso NB ||
TEXTO: @aren.gallo
“Desobedientes” é uma série de drama, mistério e suspense, que acompanha o policial Alex Dempsey, que, ao se mudar para a cidade de Tall Pines em 2003, investiga a misteriosa academia para adolescentes "problemáticos", a Tall Pines Academy, liderada pela enigmática Evelyn Wade (interpretada pela magnífica Toni Collette).
Mae Martin, uma pessoa não binária, é criadore, roteirista e interpreta o personagem protagonista, Alex. O fato de uma pessoa NB ter criado, roteirizado e protagonizado uma série é algo gigantesco em termos de representatividade. E, para acrescentar, a série foi um sucesso, alcançando 48 milhões de horas assistidas logo após seu lançamento, dando-lhe o título de um dos novos “hits” da plataforma Netflix.
O formato do roteiro é um dos queridinhos da atualidade. Traz um estranhamento desde o início com uma sensação de “tem algo de errado nesse lugar”, vai soltando as informações aos poucos, de maneira bem misteriosa, envolto em relações dramáticas e com a figura cativante da vilã Evelyn Wade. E, apesar de seguir um protocolo para o sucesso, o roteiro é interessante e traz diversos pontos para reflexão e problematização de questões sociais e subjetivas.
Escolho trazer dois pontos que nos interessam aqui, pensando a temática trans. Um ponto em relação à história da série em si, e outro sobre o impacto dela no público cisnormativo:
Alex, interpretado por Mae, é um personagem transmasculino. A trama da série não gira em torno disso; ele poderia ser um personagem cis e a história continuaria exatamente a mesma. A escolha de ter esse protagonista trans sem que isso seja o mote da história é um tanto acalentadora, nos dá o vislumbre do que poderia ser o mercado audiovisual sem o preconceito transfóbico de “ou não tem personagens e atores trans, ou quando tem é uma grande e importante questão a ser discutida”. A informação de que Alex é trans aparece em diversos momentos, na relação com outras personagens; é uma camada a mais para o personagem, mas não é um tema central.
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