Teima by @pikikaa
Realizado por Late. (@late_ph )
Direção de Fotografia por Filipe Barreiro (@barreiro.mov )
Produzido por Mafalda Leal da Costa (@mafslcosta )
Direção de Arte por Leonor Catalão (@leonor_catalao ) e Rita Benedy (@ritabenedy_ )
Gaffer Xicz (xicz_ph)
Editado por Filipe Barreiro e Late.
Color Grading por Xicz
Set Photography por Afonso Correia (@o_arc )
BTS by Pedro Madeira (@pedromadeirap )
Talento Vicente Vilela (@vilelaok )
Rental: Algures no Planisfério
“AO RITMO DO CANTE
É tão grande o Alentejo, que não sobra espaço para a imaginação. O que olhamos é só o que vemos e a Terra estende-se até chegar aos confins da ilusão.
De Mértola a Marvão o Fotógrafo viaja como turista, sem saber por onde, por lonjuras e planuras, ao encontro de formosas moiras encantadas e de patrimónios milenares, embalado por essa herança berbere que se revela no Cante.
Mas em Setembro só há sorrisos de brancura, à sombra de um sol que abrasa a terra... Já não saem moças pró campo e as cigarras já terão morrido.
No restolho ardente resiste a sombra de uma azinheira e lembramos que Fernando Pessoa já aqui (não) via...
Nada com só nada à volta
E umas árvores à mistura
Nenhuma delas verdura,
Que rio ou flor não enflora.
Se há inferno, dei com ele,
Pois se não é aqui, onde diabo será ele?
Mas o Fotógrafo há-de ir andando, enquanto o Pessoa ficou em casa chorando...
Ao passar o Guadiana pôs o pé, molhou a meia, e pôs mais que o pé, pois que a canícula derretia o xisto, contorcido em impressionantes formas fluídas moldadas pelas forças telúricas e pelas enxurradas invernais no Pulo do Lobo.
O Fotógrafo há-de amar uma pedra... por honra e respeito aos homens que as transformaram em miragens de castelos de vento por entre águas vermelhas de sangue e ácido das Minas de S. Domingos.
Mas o Fotógrafo cansou-se de solidão, volta a matar saudades nas ondas do Alqueva, e com outra “água” rubra que o encanta, com o seu perfume e paladar, e que enfernizava a vida dos frades do Convento da Orada... Tanto Alentejo há no seu sabor!
Matar o bicho é essencial, mas o que mais fascina o Fotógrafo são as sombras e os contrastes de luz do Alentejo, nas aldeias, montes e capelas, onde já não fala a voz de Deus, sobre a cal desfeita e a alvura. E há sempre sombra para mais um, nas ruas estreitas, vicinais, enfeitadas de vasos pouco floridos e engelhados estendais.
Caminha agora sobre mármore na abonecada terra estremoceira, afamada pela UNESCO, e chega a tempo de um pôr do sol sem par, em Marvão onde o horizonte desaparece nas brumas da história e o Fotógrafo se revela noturno, nas aluadas ameias do castelo.” - Texto escrito por: Paulo Cavaleiro
Manuel da Silva Ramos
“Em entrevista exclusiva e não publicada, disse: “isso dos cânones e das escolas, detesto”. Tanto na vida como na literatura afirma-se como um rebelde. “Um escritor deve ser independente”, diz o autor como regra para a vida e para a literatura. A liberdade é-lhe primordial.
Filho de alfaiate bondoso que partiu deste mundo com muita gente a dever-lhe dinheiro e com uma senhora em especial, especialmente burguesa, a dever-lhe desculpas vitalícias, nasceu no tempo da ditadura no Refúgio na periferia de uma Covilhã pujantemente industrial. Nos tempos de adolescência destaca-se pelo apetite cultural. Aos 17 de idade vai para Lisboa com ideias de estudar. Mas a ditadura era-lhe intragável. Exila-se em França, de onde só voltará 27 anos depois. Instala-se em Lisboa e escreve com fôlego superior.
Divide a sua vida entre a capital e a Beira.
Em 2023, Manuel da Silva Ramos tem 76 anos e continua a escrever, a estar com os seus amigos já conhecidos e aqueles que ainda vai fazendo, no seu espírito inacabado da convivialidade.
Em 2024 voltará às publicações, prova da vivacidade de uma escrita sem amarras, um ofício assumido e dedicado à vocação
Aqui, pelo olho de ARC, Manuel da Silva Ramos mostra-se como é, em manhã outonal de sábado, num dos seus habitats naturais: a escrever. Vemo-lo também, rotineiramente, ao pé dos seus livros, a comprar o jornal, a tomar o café. O seu semblante memorável não deixa ninguém indiferente. Deste homem: a forte figura.”
Texto escrito por: João Ferreira
📷: Fujifilm X100F & X-T30 II
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