Hoje foi o primeiro dia oficial do Núcleo TUSP 2026. Como esqueci de tirar a foto oficial deste primeiro dia, vai a foto da sala vazia. Um palco vazio é sempre uma imagem dúbia. O vazio pode ser a potência das infinitas possibilidades que ainda não existem, mas que podem vir a ser ali. Pode ser também o vazio do dia seguinte à última sessão, o vazio do elenco que já está mais lá, do cenário desmontado, das falas que agora silenciaram.
Faz onze anos que nesse espaço concebemos as peças do Núcleo. Ao mesmo tempo que esse vazio espera novamente ser preenchido, talvez um ouvido atento consiga, no meio do silêncio, ainda ouvir um eco do que foi criado aqui. Um eco de Joseph K, de Rita, Asta, Almers ou Borgheim, de Begbick, de Hamlet ou Ofelia, de Lear, Kent, Edgar, de Romeu, Julieta, Ama e Frei Lourenço. De Fausto ou de Mefistófeles. Um canto de Margarida. Do silêncio que a pandemia trouxe. De Galileu, do Pequeno Monge, de Juan buscando o pai Pedro Páramo, das bacantes, de Dióniso e Penteu, de Ágave gritando de horror ao ver a cabeça do filho. Talvez possa ouvir o eco do silêncio de Victor Krap virando as costas magras para a humanidade. Em Gogo e Didi dizendo que vão embora, mas ficando. Sempre.
"Posso pegar qualquer espaço vazio e chamá-lo de palco nu. Uma pessoa caminha por este espaço vazio enquanto outra a observa, e isso é tudo o que é necessário para que um ato teatral aconteça"
(Peter Brook)
Talvez o espaço nunca esteja, de verdade, vazio. Talvez ele arraste para sempre as memórias de tudo o que aconteceu dentro dele. Que os ecos e as memórias de tudo o que passou por esse espaço vazio recebam bem Hécuba, Andrômaca, Cassandra, Helena, Taltibio, Menelau, Posidon, Atena e todas as troianas.
Divulgamos hoje a seleção final dos participantes que vão compor o Núcleo TUSP da capital em 2026! Agradecemos a todas as 142 inscrições, das quais 91 nomes foram chamados para a 2a fase, com apresentação de cena e entrevista.
Nesta seleção procuramos levar em conta não só a análise técnica, mas também a compreensão da natureza da ação, a disponibilidade para o trabalho em grupo, as diferentes formações e o interesse específico na tragédia (bem como a abertura para trabalhar com esse material), já que a montagem do ano que vem tem esse recorte como ponto de partida.
Diante de um texto no qual predominam personagens femininas, uma das preocupações foi garantir aí a diversidade em termos de faixa etária – já que a cena retrata toda a população das mulheres de Troia, únicas sobreviventes da guerra.
Como resultado, tivemos selecionadas em faixas dos vinte aos setenta anos.
E mais uma vez procuramos também estar atentos às políticas afirmativas da USP para pessoas pretas, pardas e indígenas (PPI). No total de inscritos, o percentual foi de 18%; na segunda fase chegou a 23% e agora, na seleção final, 28%.
Foram selecionadas 18 pessoas para esta edição, além de uma lista de suplência com outras 7, que poderão ser chamadas não apenas em caso de desistência, mas também se percebermos, no decorrer do processo, que existe a possibilidade de trabalhar com um grupo maior no Núcleo.
A seguir, a listagem das pessoas selecionadas e suplentes, em ordem alfabética, por nome artístico.
Aprovadas e aprovados (em ordem alfabética):
ALINNE CORDEIRO
BELA FAUSFERR
BERNADETE FRIDMAN
BETH PAIK
BI ALMEIDA
CANDIDA MORAIS
FERNANDA COMENDA
FILIPE BATISTA
FLORA AINÁ
GABRIEL PANGONIS
LÍVIA BODSTEIN
LOLA MUSSOLIN
MARGARETE LIRA
MARIA TALITA
PAULA PRAIA
SANDRA CUTAR
SOFIA INATI
VERA D'AGOSTINO
Suplentes (em ordem alfabética)
ANGIE RODRIGUES
GABRIEL SERÁPICOS DINIZ
ISABELLA BOTTAN
JOYCE DOURADO
LIA PIRES
TEREZA PITTER
ZAZA ROCHA
Ontem aconteceu o último Encontro transversal do CAT - Centro de aperfeiçoamento teatral, no TUSP da Rua Maria Antônia.
Foi mais uma oportunidade importante (momento arrancado do tempo da “produtividade”) para formação política e estética. Nosso tema era fundamental: colonialismo.
Com a contribuição dos convidado/as @je_oliveiraaaa e @sorayamisleh , a medicação de @sue_elen_m e intervenção artística prepara por @ingridabea@lyuizeduardo@mabah.oficial e @_henriquenasc foi possível nadar contra a maré do individualismo e atomização e formar coletivo.
E vamo que vamo!
Estreamos!!!
O primeiro fim de semana de "Não me venha falar da morte, ou Eleutheria" já foi, agora restam só mais seis sessões!
Não deixe para a última hora!
Victor Krap vive há dois anos isolado em um quarto de pensão. Personagem central de Eleutheria, ele inaugura o rol das figuras memoráveis criadas pelo irlandês Samuel Beckett para dar vida a uma cena totalmente nova.
FICHA TÉCNICA
Elenco: Carla Furtado, Chiara Lazzaratto, Fábio Pazitto, Gabriela Gomes, Gabriela Moreno, Hayla Cavalcanti, Ingrid Andrade, Lara Paulauskas, Mahê Machado, Maria Talita, Rafa Piccoli e William Prado / Assistência de Direção e Figurinos: Aline Baba / Direção e Adaptação do Texto: René Piazentin / Tradução de Eleutheria: Isabel Teixeira / Tradução das demais obras de Beckett (utilizadas como fragmentos): Fábio de Souza Andrade / Fotografias: Carolina Loureiro
Até 14/12
Sábados e domingos, sempre às 16h!
(A bilheteria abre às 15h)
A peça tem três atos, cada um deles com aprox. 40 min, com dois intervalos (o tempo total, somados os dois intervalos, é de pouco mais de duas horas).
Mais informações no @tusp.teatrodausp