"não dá para ficar se preocupando com bobagem"
frases que ecoaram em mim durante a conversa entre a @leilaferreirareal e a @miriangoldenberg pro @festivalfronteiras
ambas referência em longevidade e o viver bem. um bálsamo. um presente.
O medo baixa o teto das nossas ambições.
algumas das frases que a @tamaraklink disse agora pouco no @festivalfronteiras e que me atravessaram de um jeito bonito.
Tamara Klink é reconhecida como a primeira mulher a passar um inverno sozinha no gelo do Ártico, vivendo oito meses de isolamento no mar congelado entre 2023 e 2024, um feito histórico aos 28 anos. Ela também se destacou como a primeira latino-americana a cruzar a Passagem Noroeste sozinha
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Lá depois do breu, depois da nuvem de trovão
Um fio de luz você transforma num clarão
Encosta enfim me lembro bem que faz sonhar
Deixa eu te levar
Lá no miolo do meu ser
Onde eu costumo me esconder
Deixa eu te trazer
Um gole do que eu vou tomar
E vamos juntas viajar.
🫀@natyops
Nem tudo vai dar certo. Nem tudo vai dar errado. A vida anda entre os meios.
Falei mais disso no episódio "autoconhecimento: o que eu não estou vendo?" Do @paradarnomeascoisas
quando você tiver mudando um padrão, a última coisa que você vai sentir é alívio. cheguei a essa conclusão, tempos atrás, quando tentava trazer mais descanso pros meus dias. e tenho me repetido cada vez mais, a cada tentativa de sustentar o que eu decidi.
quero ser capaz de acomodar emocionalmente uma vida em que eu acredito. e, para isso, tenho aberto espaço e percorrido os caminhos de maior resistência.
mas tenho feito isso, talvez pela primeira vez, no miudinho. acho que amadurecer tem me feito menos megalomaníaca.
tenho me convencido. não precisa ser tudo de uma vez. nem tudo todo dia. pode ser aos poucos e compassivamente. aquela coisa que alguém disse: devagar também é caminho. sinto que é verdade. sinto também que, às vezes, é o único caminho possível. caminhemos.
No Atacama tudo é extremo. O calor, o frio, a altitude, a beleza. Saí de lá "embasbacada" e agradecendo ao dicionário brasileiro por ter essa palavra no nosso idioma. Qualquer outra faltaria
Impossível pisar nesse lugar e não se sentir pequena com a grandeza de tudo. Impossível não se sentir grata por isso também. É um privilégio ser o menor frente ao que te impressiona. Sinal de que dá pra se encantar e aprender.
Tudo muito bonito. Tudo muito além dessa palavra também.
Obrigada por me ajudar a ver, meu amor @amandafogaca e por ser parte importante do que tornou essa viagem inesquecível. ❤️🇨🇱
As pedras eram gigantescas e pontiagudas, o que exigia quase o tempo todo que a gente andasse muito devagar, contrariando completamente o desejo de chegar logo em terra firme. Lá embaixo, as ondas batiam forte, o que seria lindo se a gente tivesse assistindo da faixa de areia, mas ali de cima, a sensação era de ameaça e perigo. Foi quando o amigo do meu pai disse: tenho duas notícias, a boa e a ruim. A boa é que só faltam três pedras grandes para a gente atravessar. A ruim é que a partir de agora, a gente vai ter que descer de bunda.
Quando chegou a minha vez, sentei apoiando as mãos e os pés, mas não consegui colocar os dedos espalmados na superfície, porque na palma da minha mão tinha três conchas. Eram as conchas mais bonitas que eu já tinha visto. Eu tinha pegado na ida e eu tive certeza de que aquilo, mais do que qualquer coisa, eram as melhores lembranças que eu poderia levar. Mas agora, eu precisava espalmar as duas mãos na pedra e as conchas estavam me atrapalhando.
Eu não queria abrir mão delas. Eu ia precisar de alguns anos a mais para entender que muitas vezes a gente se apaixona por coisas e pessoas pela forma com que elas nos fazem sentir. E que isso não se perde, nem se rouba, nem quando a coisa ou pessoa vai embora, por que o que a gente sente é nosso. Mas naquele momento, eu achava que se eu levasse aquele pedacinho daquele lugar, eu ia ter ele comigo. Então tentei atravessar segurando as conchas mesmo. Deu errado, me desequilibrei, quase cai. Foi quando a voz da minha intuição disse: você vai precisar decidir entre seguir ou carregar isso. As duas coisas não dá, Natália.” Foi uma das lições mais bonitas que eu tive sobre apego.
Falei disso no episódio dessa semana do @paradarnomeascoisas "apego: carregar ou seguir"
voltei a rezar. e voltou a ser simples e descomplicado, sem tantas barreiras. Voltei a ter uma espiritualidade minha. Sem nome, nem cara.
acordo e ainda de olhos fechados, começo a agradecer. e depois a pedir o que tenho pedido quase sempre: sabedoria para lidar com o tempo.
peço ajuda para fazer escolhas boas também. tanto faz se grandes ou pequenas, desde que sejam boas. mas que se não der pra que sejam sempre boas, que eu possa perceber rápido quando não são. E que eu tenha coragem de consertar.
voltei a rezar. ou orar. ou a ter conversas com o que não se vê. e voltou a ser simples, como deveria ser sempre. sem obstáculos ou hierarquias ou medos ou punições ou preconceitos ou vontade de entender tudo.
só uma conversa sem grandes pesos ou expectativas. Informal e sagrada. Tem sido bom.
Há duas coisas fundamentais que eu aprendi com a vida. A primeira delas é que, às vezes, não há nada que possa ser feito. Tem coisas que são incontornáveis, irremediáveis. E nenhuma barganha dá conta de mudar isso. Cabe a gente aceitar. Mas há uma outra coisa que eu aprendi sobre a vida. É que, às vezes, há um jeito. Há uma outra forma. É quando a vida deixa de ser um labirinto com saídas marcadas e sem espaço para novos caminhos, e vira mar.
A convite do A.C.Camargo, hospital especializado em oncologia, eu conto a história do César que viu esse mar se inaugurar, depois de achar que não veria mais nada. Cê vem?
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Saí de casa uma hora antes, porque o consultório era do outro lado da cidade. Por causa disso e do trânsito que tava bom, o waze indicava que eu ia chegar 15:00 em ponto.
Tava aliviada por ter conseguido marcar, porque a gente sabe como é médico na vida adulta. A gente tem que deixar o resto pegar fogo e sair. Depois lida com o que queimou.
Mas faltando 5 minutos tanto para a consulta, quanto pra eu chegar, a moça da recepção me escreveu dizendo que a médica teve um imprevisto e não ia poder me atender.
Pensei em tudo que eu tinha largado mão para tá ali e vi a frustração tomando conta do meu corpo. Fiquei com raiva da mensagem e quis brigar com o mensageiro, mas não o fiz, só parei o carro e esperei ela dizer se ia rolar o encaixe ou não.
Rolou. Quando cheguei, encontrei a moça que, até então, era só um avatar me falando do cancelamento pelo whats. E vi meu corpo relaxar.
Ela tinha vinte e pouquinhos anos e a primeira coisa que me disse é que tava aliviada por ter conseguido resolver o imprevisto que a médica também não teve controle. O rosto dela ainda tava um pouco suado por ter corrido com várias ligações. Era só uma pessoa como eu.
Na hora de ir embora, vi que ela estava recortando quadrados de papelão com desenhos infantis. Perguntei por que. Ela me disse que era voluntária num hospital infantil.
Me contou que fazia partos também e que estava fazendo estágio ali. Lembrei de mim recém formada e do tanto que a gente sonha nessa fase. Senti alívio por não ter sido a parte chata do dia dela.
Senti compaixão. E fiquei feliz por sentir. Me senti mais humana também. Voltei para casa, agradecendo por ter saído aquele dia de casa. E por poder voltar mais gente. Às vezes é tudo que a gente precisa.