participo, com muita gente massa, do vol. 4 da @revistaourico com quatro poemas! três deles fazem parte do meu próximo livro. ainda não li todos os textos, mas já posso dizer que adorei a organização, a sequência dos poemas na pequena estética.
embora haja o fio condutor de sebastião uchoa leite, o que talvez facilite essa minha percepção, gostei da conversa que um texto vai puxando com o outro; um poema se aproximando/desenrolando ao lado do outro como fazem os mamíferos espinhosos. o lançamento em bh é neste sábado, vamos?
obrigada pelo convite, @revistaourico ! 💙🦔
abril longo. bom. cheio de catarro, nasoar, sorine, mar. cheio de como é que respira. de burocracias inacabáveis. (aaatchim) cheio de água. cheio de decepção. por exemplo, descobri que meu septo não é tão perfeito quanto o otorrino disse uma vez. descobri que supresa a gente deve fazer para as pessoas certas (crianças, para si, etc). descobri que precisava ter apertado o botão duas vezes para que a poltrona do ônibus se tornasse cama. abril aberto, meus chakras fechados. abrir abril com mentiras que não lembro agora, com conversas que ainda não acabaram. chegar quase no meio de abril para ouvir mac demarco de lagartinho with my love. ouvir mac de marco e renovar os votos no escuro, chorar na primeira música. enlouquecer a vizinhança de tanto ouvir o disco e fazer solinhos de guitarra com a boca kkk (penenunene) chegar no meio de abril e abrir o planner pela primeira vez e anotar compromissos inesquecíveis como “******”, “malhar hj” e “niver nai”. obrigada, abril, por me dar fotos novas com minha irmã e seus filhotes. por pular ondas (OLHA QUE GRANDONA ELA TÁ VINDO TITIA) repetidamente pela primeira vez com meu sobrinho e comer salgadinhos do kit festa no dia seguinte como bons mineiros farofeiros que somos. obrigada, abril, por fechar meus ouvidos para o que não preciso e manter meu coração aberto para o ritmo das coisas vivas ou querendo viver (sempre o sabor de carnaval).
era o que? dois mil e cinco, dois mil e seis. íamos pra casa do Henrique ouvir música. assistir a filmes. o Pança gostava muito do Lô. eu gostava muito do Pança. foi ele quem me mandou Não se apague esta noite. eu amava aquela imagem do touro e da rosa e da vida insone no estranho silêncio da rua. essa música foi meu nickname no msn por muito tempo, com um emoticon de rosa e a colcheia roxa 🌹 🎶.
o Lô Borges me lembrava o Pança. pelas histórias, pelo conjunto queixo, cabelo, sobrancelhas. não sei. uma vez ele contou que moravam perto. será que foi isso mesmo ou eu só gosto de aproximar as coisas e, por isso, acabo confundindo confundo as memórias, as informações? isso não importa muito.
eu tinha o que? dezesseis, dezessete? nessa idade, eu e minhas amigas sonhávamos muito com Ouro Preto. a gente era meio hippie, rockeira-alternativa, brincos comprados de um cara chamado Regis. a vida boêmia vinha para nós de uma forma muito bonita nas letras do Lô. mesmo que ficássemos horas ouvindo músicas sobre a estrada sem beber nada de vinho.
soube da notícia enquanto montava uma exposição de foto e poemas com meus alunos. as fotos registram a viagem que fizemos a Ouro Preto há dois meses. na ocasião, comentei com um aluno que é muito bom o tempo passar e perceber que o sonho de morar em Ouro Preto foi uma vontade que viveu muito tempo comigo, mas ali, naquela tarde, havia passado. aproximações é o título que demos a nossa mostra. gosto de aproximar e, me parece, eles e o acaso também.
essa semana, ou na próxima, vamos estudar o Guimarães Rosa e vou levar o Lô. e um pouco da minha cidade que não é OP, mas Barbacena e que foi onde aprendi a ouvir e a gostar de tanta coisa, tanto trem de doido.
no almoço, assistimos ao jornal e ao minuto de silêncio que os noticiários dão para quem se vai exatamente no Bolão. agora moro no no Santa Tereza e desde que vim pra cá, fico tentando adivinhar qual era o relevo que ele e sua trupe viam e que por ventura me faz escutar tantas memórias novas e velhas também agora. aprendendo…
morrer deve ser meio touro e a rosa. mas a gente que fica sabe que é uma noite meio apagada, meio acesa na rua. todo dia, ele disse, é dia de viver🌹🎶
é a terceira vez que tento montar esse álbum. escolho as fotos, de repente o aplicativo trava. abro outra coisa no celular. esqueço o que ia escrever na legenda. decido não colocar diário de viagem logo de cara. a viagem acaba quando? o fim de uma sequência de fotos (e fatos) é uma forma de começo? acho que sim. escolho as fotos, de repente me lembro da resina de breu branco e jasmin. da nuvem que deixei passar na ilha da meditação. muitas vezes, o nome das coisas é mais fabuloso e bonito que as próprias coisas. às vezes não. lembro do carcará no fim da trilha. das adolescentes que pensaram que eu era uma assombração. a gente pensou três coisas, disseram. acrescentei uma quarta hipótese às suposições. e ficaram: moça, você podia ser é escritora. e aí eu disse: eu sou. seguimos pela trilha longuíssima e a menina de 15 anos perguntou o que eu escrevia. como se chama o seu livro? quando eu ia responder gritamos os cinco juntos aaaah, o chuveiro, vamos! que alívio é achar água fresca depois de andar pra caramba sem referência de tempo e espaço. voltamos a falar de poesia e escola. só me dei conta de que era dia dos professores quando falamos sobre o feriado.
mais tarde, encontrei o Leo. como se eu tivesse mesmo atravessado toda a estreita faixa de terra para chegar a outra porção de terra e conhecer ao vivo e não mais no distancial. comemos pizzas chiques e falamos da vida, do laboratório. ele avisou, mas deixei a cigana ler cartas que pareciam rótulo de catuaba e minha mão msm assim. uma surpresa vai acontecer. e é boa, ela disse. o Gustavo também é um amor. valorizem quando seu amigo professor aparecer no rolê depois de trabalhar.
acho que fiquei meio Sérgio Sampaio das ideias andando nesse campus enorme que é Brasília, cidade que eu também pensei que era fria, mas senti o necessário calor. em muitos momentos, amigos são monumentos que precisamos nomear mais vezes. visitar. abrir e repousar o coração no escuro. na salada de sábado. na maquiagem improvisada. amor luminoso, a Nadja, minha flamboyantzinha, disse. a Gabi tem a facilidade de manter vínculos de uma forma muito bonita. do sebo ao shopping, tantas coisas que ainda bem que ela volta no meu aniversário.
(diário de viagem)
dizem que daqui se pode ver o mais lindo pôr do sol. não vimos o nascer nem o dormir do sol. o sol nasce e morre? ou nascer é ficar de pé, um pouco mais assim aparente? são perguntas que poderiam ser feitas pelo meu pai, por poetas e crianças. chegamos e a fumaça quis dizer este é o fogo que respira por aqui. não vimos o sol se colocar atrás da baleia. dizem que nem todo mundo vê a baleia. eu mesma vi duas vezes e de novo e agora mais uma vez. parece a cauda. ou um filhote. sempre assino o istmo, quando dou a sorte de alguém desejar, com uma baleia e filhotes seguidos de uma interrogação. seguidos não: meio que respirando com uma pergunta. é até engraçado ver daqui: a nadadeira, o filhote, essa ideia. parece que, às vezes, a gente precisa ir a algum lugar pela primeira vez para ver o que já aconteceu, acontecer de novo e de outro modo.
repetimos o tempo todo
é especial estar aqui.
dizem que se você olhar muito depressa consegue ver o beija-flor bebendo água nessa fonte de manhã. mas para isso precisa estar com os olhos igualmente cheios d’água depois de ler um poema sobre olhar o retrato do homem que ama enquanto ele (não) está na estrada e secar timidamente com o punho da jaqueta jeans. dizem que foi no jardim de maytrea que Buda encontrou o nirvana, alguma iluminação. penso nisso, no jardim que é também portal, depois de ver a borboleta, o bebê e a barbie. nesse momento já estou no banheiro tentando entender, tentando entender. quando o que importa mesmo é ver duas araras de manhã enquanto conto as miçangas das minhas duas canindés. penso em uma das epígrafes do livro novo em que erro uma vírgula de propósito, pela pura vontade de ter coisa pra contar a meu sobrinho no futuro. (ele tem uma arara de pelúcia e não de penas e nas nossas brincadeiras ele sempre chama o par de bijuteria de as filhinhas. acho que ele gosta dos brincos azuis, porque servem de brinquedo). de manhã, dia 12, conversamos um pouco, conheceu meu amigo verde de cinco anos. mas arara, arara mesmo, não vimos de perto dessa vez. 🧶
Sábado, 18 de outubro, 16h30, a Platô realiza o Conversa Oceânica, um encontro literário que reúne três poetas semifinalistas do Prêmio Oceanos em diferentes edições: Nathália Lima, autora de “Istmo” (indicado em 2023), Ana Maria Vasconcelos, autora de “O rosto é uma máquina aquosa” e “Longarinas” (indicados em 2024 e 2025, respectivamente), e Nadja Rodrigues de Oliveira, autora de “Povoemas e outras nascentes” (indicado em 2025).
Uma conversa entre as autoras sobre seus processos criativos, a travessia poética e a palavra na contemporaneidade. É um momento para se aproximar frestas e linhas, errâncias e germinações, onde a poesia se mostra tanto como passagem quanto como permanência.
A mediação será feita pela também poeta Manoella Valadares, finalista do Prêmio Jabuti 2025. Além disso, serão realizadas leituras e um momento de microfone aberto, em que o público poderá compartilhar seus próprios textos e de outros autores.
Gratuito.
#Platô
amar uma poeta, esta mulher. ficar guardada com ela e os peixes e as petúnias e as pessoas. todos de papel. ouvir o que? este poema é meu, é dela ou é de outra?
foto linda minha, da Hilda e do Daniel Fardin ♡
tô descobrindo uma coisa: o que mais gosto no lance de escrever livros são as fanfics, as narrativas de criação, motivação, o ponto inicial que a gente vai contando pra si mesma para se convencer de que alguma coisa ali faz sentido depois que viveu (ou não viveu), que leu (ou não leu), que foi ao cerrado (ou não foi). ontem fiquei pensando que os livros funcionam como uma passagem comprada (vamos ou não ?) e a escrita se parece muito com a vontade de ir a algum lugar (a palavra, a metáfora como transporte como diz a Ana Martins). hoje acordei cedo, li o poema Atlas, no oráculo que é a página @opoemaensinaacair , e fiquei pensando que gosto de escrever como se ainda estivesse na infância colecionando as coisas (bichinho de KinderOvo, folhas, pétalas, pedras, grampos, ferrugens, conchas de vez em quando, caixinhas e blísteres de Rivotril) para colocar na casinha de madeira vazada ao fundo e inventar uma história para cada um dos itens coletados. todos eles juntos no mesmo cômodo.
2. depois do banho, passo um perfume (é água de colônia) que está pelo fim (rosas, baunilha, patchouli) e penso nessa foto do daniel. ele diz que essa música de algum jeito legenda essa foto (que é também minha). lembro que eu era triste, mas nessa hora eu fiquei feliz.
3. é a primeira vez que chove nesta primavera. conto de repente mais ou menos vinte e sete gotas nas minha costas. a água como um lápis que divide a folha e a pele do mundo. a água como um dedo que deixa o vinco no papel que dobro e desdobro, dobro e desdobro. lembro da sacola que Maria Júlia, a mulher a quem dei um vestido rosa pela manhã, carregava nas costas. penso que ela não vai ver, mas seus ombros numa hora dessas já estão esgarçados e talvez fiquem mais até o fim do dia. os vergões que a fuga (ou tentar-ser-a-si-mesma) faz com as próprias mãozinhas agrimensoras. lembro dos três únicos poemas que li durante o dia e penso que agora sim as três erínias, a maçã, a lista incompleta, a ventania que não carrega o lar, a morte (nossa) e das plantas, quando se encaram, se parecem muito um sortilégio.
4. não era para dividir em números,
5. etc
ps : eu amo a primavera 💐
perco a atenção muito facilmente. dou comida aos gatos. restos do almoço boto no lixo. tiro a sacola de cebolas da fruteira.
observo.
desço-as para o primeiro andar do móvel. me assusto, me resigno com as frutas que não comi porque faz frio.
faz frio e penso que seria bom achar uma maneira de estar na cozinha e me aquecer.
vou ao quarto. visto outra blusa, já estou com duas calças, meias. gosto desse agasalho roxo, me pareço um pouco mais com as cebolas que devem ficar sozinhas na prateleira para não apodrecerem demais quem está ao redor.
depois que me visto, acerto as camadas, lembro que gosto daquele poema que fala sobre poemas que fazem chorar. poemas não: cebolas.
mas lembrar e gostar de um poema não é o suficiente para ficar com as mãos quentes.
lembro que às vezes olhar os kiwis e segurá-los como seguraria uma granada pode ser um tipo de fósforo. ninguém quer que uma granada estoure para que possa se aquecer. então, gosto mais quando olho de novo e se parecem seus cabelos de manhã.
não sei, não sei mesmo se isso é ganhar (ou perder) a atenção tão facilmente.