Desde 2012, o Brasil celebra, em 11 de maio, o Dia Nacional do Reggae, data que marca a morte de Bob Marley. No Nordeste, a celebração se concentra sobretudo em São Luís do Maranhão, reconhecida oficialmente como Capital Nacional do Reggae.
Nascido na Jamaica como movimento musical, político e cultural ligado aos guetos da ilha caribenha, o reggae atravessou fronteiras e encontrou, no Maranhão, um dos seus territórios mais férteis fora do Caribe.
Entre as hipóteses mais conhecidas sobre a chegada do ritmo ao estado estão as transmissões captadas por rádios de ondas curtas vindas do Caribe e os discos deixados por marinheiros estrangeiros nos portos de São Luís.
Reconhecida oficialmente como a Capital Nacional do Reggae desde 2023, a cidade viu o gênero se popularizar nas décadas de 70 e 80, principalmente entre a população periférica. Aos poucos, ganhou espaço no cotidiano local e passou a integrar o imaginário popular maranhense. Impulsionados pelas radiolas e pelos bailes populares, o reggae hoje é um espaço onde juventude, periferia, dança, afeto e resistência negra coexistem.
Em São Luís, é tradicionalmente dançado a dois, no chamado “agarradinho”, também conhecido como “pedra”. E existe uma explicação para isso: tanto o Maranhão quanto o Pará sempre tiveram forte conexão com ritmos caribenhos como bolero, cúmbia, merengue, salsa e kadans. O reggae daqui terminou sofrendo influência desses ritmos também.
Em 1990, Jimmy Cliff visitou o Maranhão e ficou impressionado com a força do movimento em São Luís. Durante a passagem pela capital, declarou: “This is the Brazilian Jamaica”, apelido que atravessaria gerações.
“O ritmo é forte no estado inteiro. Praticamente mais da metade dos 217 municípios possuem movimento de reggae organizado” explica o jornalista, turismólogo e diretor do Museu do Reggae, Ademar Danilo.
Para celebrar a data, a Nordestesse preparou um guia especial com curiosidades, histórias e personagens que ajudam a entender por que o Maranhão se tornou, para muitos, a verdadeira Jamaica brasileira.
Fotos:
@_ingridbarros