há pouco mais de um mês, recebi um lindo convite do
@hheeeennrrii : produzir um vídeo que ilustrasse o set dele para
@function.fm . ele foi convidado pelo
@voyeur_8 a fazer o #5 episódio de Tha Ballad of Intimacy! e hoje foi tudo ao ar!
tô muito feliz de ter feito parte desse projeto e de ter tido a oportunidade de gravar sobre algo tão doido /importante / bonito para mim. foi um processo mt especial. pensar sobre intimidade por vários ângulos, escutar o que o Henri pensa e ver como ele transforma tudo na produção sonora mais linda do mundo. passear pelo jardim botânico de Bauru com revistas, papéis, giz, minha câmera e a presença / mãozinha do
@guscapellari .
fiz um textinho sobre o vídeo (que nomeei como “eucótono”)! bjsss
A superfíce que dobro em infinitas partes, em que cada quina do plano aguarda a outra ultrapassar. Fabrico um navio que atravessa as camadas sobrepostas do vídeo, é a tentativa de convergência entre texturas: a minha e a de outro, a de uma folha seca e a de um recorte de revista. E, nesse passar de águas, a viagem enjoa e a repetição exaure, como tentar fixar os olhos em algo estático enquanto se está em movimento. “Eucótono” é essa figura maior formada por figuras menores. Pedras são pixels e a montanha, fotografia. Plano contínuo, colagem embaralhada de fronteiras abstratas.
Mãos, minhas e de amigos, são colocadas umas sobre as outras, repetidamente fundidas com diversas plantas: costuramos, pintamos, recortamos partes desse meio ambiente. Essa coreografia gestual é cíclica, há um padrão na natureza dos movimentos. Regra camuflada. Na persistência de aproximar, também está a tentativa de manipular o que é orgânico. A intimidade não se dá na fusão, e sim na tensão contínua da atração.
Zona perpétua de ecótono: área de transição entre biomas, onde espécies e matérias se encontram sem se integrarem completamente. A condição é a falha de ocupar totalmente o mesmo espaço. A intimidade de uma paisagem mora na distância entre relevos e no desejo das placas tectônicas de se aproximarem ou de se separarem; é a erótica dos instantes naturais, o respiro entre toques. “Sei que a intimidade é o nome que se dá a uma infinita distância”.