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MPAGDP - Oficial

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fundada em 2011, por Tiago Pereira e Joana Barra Vaz, regista práticas musicais, tradição oral e memória colectiva da cultura popular portuguesa.
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Lisboa é, há muito tempo, um imenso espaço urbano que avançou no tempo e que deixou para trás muitas das suas especificidades culturais para abraçar outras oportunidades. Não diria propriamente que é estranho vermos expressões culturais tradicionais na cidade porque felizmente muita coisa se mantém, mas é verdade que se torna cada vez mais raro. Atualmente parece que é tudo para os investidores e para os turistas, e que aquilo que, efectivamente, se mantém de “tradicional” vem quase sempre com uma pitada de “tourist gaze” para agradar aos outros que vêm e vão - parece-me que raramente se olha com atenção para as pessoas que ficam. É por isso imensamente gratificante ver quem se expressa como quer para si mesmo. E é ainda mais gratificante ver que certas expressões culturais populares resistem no meio de tanta urbanização e vontade de apagamento. Também é por isso que fazemos o que fazemos e porque voltamos sempre a Lisboa para registar mais daquilo que resiste. Neste vídeo vemos e ouvimos Arminda Lourenço a cantar “Chamaste-me trigueirinha” e “Ó ramo, ó lindo ramo” enquanto lava as escadas de um prédio na Mouraria em Lisboa a 14 de março de 2014. Este vide pertence ao projecto “A música da Mouraria a gostar dela própria”. Outros vídeos deste projecto estão disponíveis na nossa base de dados, no Vimeo ou em lastro.net - Ana Margarida, antropóloga na MPAGDP
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6 hours ago
Hoje a comemorar o Dia Internacional dos Museus, 26 concertos com 35 coros cantaram o "Acordai" do Fernando Lopes Graça, eu fui a Palácio Nacional da Ajuda gravar a Magna Tuna & Vozeirão.
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8 hours ago
Uma tradição oral é uma expressão cultural transmitida oralmente entre gerações. Por isso mesmo as tradições orais podem ser muita coisa - cantigas, expressões, anedotas, poemas, histórias, mitos e lendas, trava-línguas e lenga-lengas, e talvez também outras coisas que não vêm agora à cabeça. Não será, portanto, estranho dizer que os trava-línguas e as lenga-lengas são, para além de uma expressão cultural, também uma tradição oral. Até porque os trava-línguas estavam incorporados no dia a dia da população, sendo usados para passar o tempo, para alegrar e divertir ou até como meio de comparação e competição - quem soubesse dizê-los mais depressa e sem erros havia de ser o mais astuto. A cultura popular também é isto - para além das formas de fazer, o conjunto das vivências das pessoas, as experiências, o quotidiano, as brincadeiras do dia-a-dia, a forma de passar tempo e de afastar os males. Neste vídeo ouvimos alguns trava-línguas que Rosa Reis conhece. Este vídeo foi gravado em Carvalho, Vila Nova de Poiares (Coimbra) a 31 de março de 2021. Mais vídeos de tradições orais podem ser encontrados na nossa base de dados, no Vimeo ou em lastro.net - Ana Margarida, antropóloga na MPAGDP
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12 hours ago
Durante muitos séculos o mirandês existiu apenas na esfera oral - era transmitido de uns para outros, ensinado popularmente, era a língua da população de Miranda do Douro. Os primeiros registos que se conhecem são do século XII e mais tarde nos finais do século XIX e inícios do XX, com a introdução e difusão da disciplina da Antropologia, foi objecto de estudo pela primeira vez. A língua mirandesa foi introduzida no ensino a partir do ano lectivo 1987/88 e reconhecida como língua em 1999, e tem-se procurado fazer um importante caminho para a reavivar e devolver à cidade. Atualmente o mirandês funciona, de certa maneira, como uma forma de afirmação identitária, uma forma de dizer que se é de Miranda e de reconhecer a história da língua e da região. O futuro desta língua depende, principalmente, dos seus falantes. Isto porque é com a força da comunidade que se criam e mantêm instituições, associações e colectivos que procurem manter este património linguístico regional. É importante notar que, num mundo cada vez mais homogéneo, expressões culturais como esta se manterem é, em si, uma enormíssima prova de resistência e resiliência do povo. É, por isto, tão importante vermos alguém a cantar, falar ou escrever em mirandês - são a evidência de uma comunidade que não desiste daquilo que a torna única e que escolhe, a todo o custo, manter a sua identidade através da cultura. Neste vídeo vemos e ouvimos Eliseu Lucas a cantar “Lhaço” em Sendim, Miranda do Douro, Bragança a 18 de março de 2015. Outros vídeos com expressões culturais em mirandes podem ser encontradas na nossa base de dados, no Vimeo ou em lastro.net - Ana Margarida, antropóloga na MPAGDP
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16 hours ago
Chamam-se pregões às expressões de tradição oral que habitualmente ecoavam nas ruas com o objectivo central de vender produtos. Eram o anúncio e a publicidade que atraíam os clientes, era uma forma de comunicar e de dizer “comprem do meu que é melhor”. Mesmo nas condições climáticas mais adversas, com chuva ou o sol a escaldar, na voz de várias mulheres, os pregões lá se ouviam pelas ruas para que se vendessem produtos. De certa forma, esta prática de venda estava incluída na vida social e comunitária - era expectável ouvir os pregões nas ruas e interagir com as mulheres que os cantavam. O avanço da industrialização e a modernização das cidades fez com que esta prática deixasse de ser necessária, tendo vindo a desaparecer com o tempo - no entanto, em alguns casos ainda resiste, como nos mercados e feiras por exemplo. Neste vídeo ouvimos os pregões da fruta de Ana Rosa, gravada nos tanques da Madragoa, Lisboa a 19 de outubro de 2017. Este vídeo pertence ao projecto “A música da Madragoa a gostar dela própria”. Outros vídeos como este, ou muito diferentes, podem ser encontrado na nossa base de dados, no Vimeo ou em lastro.net - Ana Margarida, antropóloga na MPAGDP
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1 day ago
É possível que muitos de nós associem certas músicas populares à nossa infância - não porque as experienciámos nos seus contextos “originais” mas porque nos foram apresentadas e introduzidas ao longo da nossa vida, como todos os outros aspectos do quotidiano. A transmissão das expressões culturais tradicionais é das coisas mais importantes a fazer porque, como já vimos várias vezes, só conseguimos reproduzir e manter uma coisa que nos tenha sido transmitida e ensinada. É por isso importante incluir estas expressões culturais tradicionais na vida das crianças porque só ao transmitir de uma geração para a outra é que essas expressões podem ser mantidas e renovadas. Devemos, no entanto, reflectir sobre a questão da convivência das tradições musicais portuguesas com as outras que coexistem no nosso país - é possível valorizar e respeitar a cultura popular portuguesa e, ao mesmo tempo, respeitar e valorizar as outras que cá existem também. É por isso que a transmissão das expressões culturais tradicionais portuguesas não deve, de todo, ter um fundamento ou motivação ultra-nacionalista - é possível respeitar a cultura popular e compreender que ela coexiste com e noutras realidades e formas de viver e pensar. Porque a Cultura também deve ser convivência, interculturalidade, multiculturalidade e o respeito mútuo entre povos e respectivas expressões culturais - e a cultura popular portuguesa é demasiado bonita para se lhe incutir o ódio e o desrespeito entre os seres, não é verdade? Neste vídeo vemos e ouvimos o grupo de adufeiras da Casa do Povo de Paúl cantando (e jogando) “Lá vai uma, lá vão duas, três pombinhas a voar” em Paúl na Covilhã (Castelo Branco) a 10 de março de 2011. Outros vídeos como este, ou muito diferentes, podem ser encontrados na nossa base de dados, no Vimeo ou em lastro.net - Ana Margarida, antropóloga na MPAGDP
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1 day ago
Estima-se que no mundo existam 12 milhões de pessoas ciganas e que dois terços vivam na Europa. Estima-se também que estão presentes em Portugal há mais de 500 anos. No entanto, continuam no presente a ser alvo de discriminação, racismo e desigualdade social - mas mesmo perante essas adversidades resistem e continuam a expressar livremente os vários aspectos da sua cultura. Ao longo da história da humanidade tem havido a tendência de se construírem barreiras sociais e estereótipos que distinguem os “outros” do “nós”, criando separação entre as pessoas. A MPAGDP procura unir as pessoas, venham de onde vierem, sejam como forem, com quaisquer crenças. Procuramos sempre mostrar que Portugal é na verdade muito grande, que há espaço para todos e que o respeito entre as culturas não é só importante, é extremamente necessário. Neste vídeo vemos um grupo de pessoas ciganas do Bairro de São Pedro a interpretar “Caminho pela rua” em Elvas, Portalegre a 27 de julho de 2016. Mais vídeos da comunidade cigana podem ser encontrados na nossa base de dados, no Vimeo ou em lastro.net - Ana Margarida, antropóloga na MPAGDP
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2 days ago
Novos Talentos do Cante #5 Rafaela Filipa - “Fui ao jardim meu amor” Partilhamos o pulsar contemporâneo do Cante Alentejano no Baixo Alentejo — entre rostos, emoções e sonoridades que mantêm vivo um património em permanente construção. Porque o Cante não pertence apenas ao passado: continua a nascer todos os dias. Esta ação Novos Talentos do Cante é desenvolvida pela A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, promovida pela CIMBAL – Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, integrando o projeto Patrimónios do Baixo Alentejo, financiado pelo programa Alentejo 2030, numa iniciativa de valorização, preservação e divulgação da identidade cultural e patrimonial do território. #Cimbal #PatrimoniodoBaixoAlentejo #CanteAlentejano #PatrimonioCultural
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2 days ago
A manutenção das tradições passa também pelas mãos de um grupo de pessoas muito importantes - os artesãos - aqueles que, seguindo a tradição ou reinventando-a, constroem os objectos que preservam em si parte das expressões culturais populares. A cultura popular existe nas suas mais variadas formas e, em muitas delas, devem estar incluídas as várias representações do quotidiano rural português que existem pelas mãos dos artesãos - várias vezes pela necessidade que se sente de manter vivas esses retratos. A manutenção da memória colectiva passa também pela manutenção destas pequenas representações. São o congelamento do tempo e a importalização de um quotidiano que, em grande parte, já não existe. É, por isto, importante manter e proteger também as formas de artesanato tradicional popular apoiando e valorizando os artesãos que procuram salvaguardar estas formas de fazer e de lembrar. Isto porque, sem estas pessoas, sem o registo (seja ele fotográfico, audiovisual, escrito, ou até físico nestes elementos artesanais) das antigas formas de viver, como poderíamos nós saber e conhecer a vida que existia antes de nós? Neste vídeo vemos e ouvimos uma paisagem sonora do trabalho artesanal de Francisco Ferreira nas Gândaras, Lousã (Coimbra) gravada a 3 de março de 2021. Mais vídeos como este, ou muitíssimo diferentes, podem ser encontrados na nossa base de dados, no Vimeo ou em lastro.net - Ana Margarida, antropóloga na MPAGDP
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2 days ago
Falámos já várias vezes das possíveis funções da dança na comunidade - o ato de dançar pode ser usado para entreter, para alegrar e mandar embora a tristeza, para criar ligações e para comunicar. Para além de tudo isso, o dançar em conjunto permite a aproximação, a troca de olhares, a proximidade e a intimidade inofensiva. Mesmo depois das pesadas jornas, do trabalho sol a sol, com todas as dificuldades da vida, havia sempre alegria para dançar em conjunto - e se não houvesse arranjava-se sempre. Num tempo em que se tentava mandar o povo abaixo, dançar e cantar, viver alegremente deve ser visto como atos de resistência.  Dançar é preciso, é necessário, é uma forma de nos ligarmos ao nosso corpo e ao espaço que nos rodeia, ocupando-o - e ligarmo-nos ao mundo, ao espaço, ocuparmos espaço também é uma forma de resistência. Também podemos olhar para os dias que correm e tentar compreender se quando dançamos o fazemos apenas para alegrar ou para resistir - no entanto, em qualquer das situações, poderá ser resistência na mesma. De qualquer forma, é uma maneira de nos expressarmos e de nos conectarmos uns aos outros. Poderíamos até reflectir individualmente sobre o quanto dançamos - se dançamos muito ou se não dançamos de todo - e que impacto isso pode ter nas nossas vidas. Neste vídeo Francisco e Sofia Belchior cantam e dançam a Ciranda na Torre, Alte (Loulé, Faro) a 7 de outubro de 2013. Este vídeo pertence ao projecto “A Dança Portuguesa a gostar dela própria”. Vários outros vídeos deste projecto podem ser encontrados na nossa base de dados, no Vimeo ou em lastro.net
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2 days ago
As saudades da terra são transversais às nações - mesmo quando o termo “saudade” não existe na sua língua ou dicionário, continua a existir no coração das pessoas. O ato de migrar deve ser sempre visto como um ato de sobrevivência e resistência. O escapar de um sítio para o outro, o fugir de cena, o procurar melhores condições nunca é um ato de cobardia mas de grande resiliência e amor. Isto porque se não houvessem guerras, se não houvessem crises, se não houvesse exploração, se não tivesse havido (e continuasse a haver) colonialismo, se não acontecessem todas estas coisas que afastam os seres humanos uns dos outros, talvez fosse mais fácil permanecer no mesmo sítio, talvez não houvesse vontade (ou obrigação) de partir. Há muitos que julgam sem olhar para o panorama geral das migrações - ninguém foge da sua terra sem razão. Fazem-no à procura de melhores condições, por aspirações individuais ou colectivas, para garantir uma vida melhor para si mesmo ou aqueles que ama. O sistema em que vivemos precisa sempre de alguém para culpar pelos problemas do povo - é muito mais fácil fazer-nos apontar o dedo e dizer que o outro não pertence, é mais fácil desumanizá-lo e segregá-lo, julgá-lo e discriminá-lo do resolver os problemas da população. Isto porque se fôssemos todos irmãos, se houvesse unidade, solidariedade entre os povos e se se criasse uma comunidade viveríamos num mundo muitíssimo diferente, muito melhor com certeza. Neste vídeo vemos e ouvimos “Sôdade” interpretada e adaptada por Alexandre Gualdino o restaurante Peter’s na cidade da Horta da Ilha do Faial nos Açores, a 21 de março de 2012. Outros vídeos como este podem ser encontrados na nossa base de dados, no Vimeo ou em lastro.net - Ana Margarida, antropóloga na MPAGDP
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3 days ago
Novos Talentos do Cante #4 3° ano da EB1 de Mértola- “As nuvens que andam no ar” Partilhamos o pulsar contemporâneo do Cante Alentejano no Baixo Alentejo — entre rostos, emoções e sonoridades que mantêm vivo um património em permanente construção. Porque o Cante não pertence apenas ao passado: continua a nascer todos os dias. Esta ação Novos Talentos do Cante é desenvolvida pela A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, promovida pela CIMBAL – Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, integrando o projeto Patrimónios do Baixo Alentejo, financiado pelo programa Alentejo 2030, numa iniciativa de valorização, preservação e divulgação da identidade cultural e patrimonial do território. #Cimbal #PatrimoniodoBaixoAlentejo #CanteAlentejano #PatrimonioCultural
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3 days ago