João nasceu e tá crescendo bonitão!
essas fotos foram do primeiro mês, ela já está mais próximo de completar o segundo.
é cria de Camila e de Henrique, meu irmão mais novo. e eu, que nem sei segurar neném recém-nascido, já comecei a aprender a ser oficialmente-tia!
nosso encontro tem sido à distância, mas é curioso como um ser miúdo toma conta, impetuosamente, de um espaço tão grande no coração da gente.
então, me resta dizer:
viva as crianças, amor, paz e esperança!
💛
mesmo sem muito entusiasmo, dias atrás fiz o trajeto de aproximadamente 20km só de ida, da zona sul para leste, na disputa do transporte público às 18h de uma quinta-feira chuvosa. cheguei atrasada. mas o que importa é que deu tempo de escutar na aula que cobogó, esse acrônimo divertido, poderia transformar nossa mania moderna de ar-condicionado e vingar sendo parte de projetos habitacionais comunais. o objeto surge em meio a abordagem do design de superfície, da estamparia mais precisamente.
por essas e outras, achei conveniente usar do azulejo Valentino como um ponto focal para tratar minimamente de uma angústia que ora se distancia, ora se aproxima.
tenho me deparado com essa estampa assentada na parede do banheiro compartilhado com uma jovem estudante de design, vizinha de quarto na edícula onde venho me alojando.
diariamente, eu olho pra essa assinatura impressa e me pergunto: pra onde o design e a moda pode nos levar? nesse contexto, a questão parece tragicômica, mas se merda no teatro é algo próximo do sucesso, por aqui pode ser também, não é mesmo?!
esse detalhe, de algum modo, me ajuda a converter todo glamour que se faz acreditar em algo muito concreto e ordinário, típico das (des)necessidades humanas e esse fato por si só me seduz.
talvez eu queira dizer sobre a importância de nos colocarmos no lugar da insignificância. nossa principal matéria de trabalho é vestida e despida a todo instante, mas não há nada de extraordinário em produzir mais coisas que logo menos serão descartadas ou esquecidas.
a ideia não é desmerecer a classe ou as coisas criadas e produzidas, pelo contrário, me inclino diante delas, faço parte. justamente, quero é fazer uma ode aos processos, especialmente quando são criativos e precisos _antes que olhemos só para resultados e para uma lógica da competição que parece ser interminável.
hoje, fiz as contas, já faz dezoito anos desde que costurei pela primeira vez. ainda costuro pouco, quase nada. ao menos, já dá pra tomar algumas notas pelo caminho.
[de na dec de 80 a Incepa, marca de revestimentos brasileira, lançou esses "azulejos de grife", pelo visto restam exemplares por aí a fora].
na primeira imagem é dona Lia. prometi a ela que cuidaríamos de Miguel. o tio Migué, que também cuida de nós, acabou de completar seus 70a no dia 7! mas eu diria que não tem sido fácil manter o equilíbrio diante dos percalços da vida. está em observação na uti pelo tombo e pelo histórico. alguma dose de ansiedade e outro tanto de resignação, ficará bem!
nisso, já completou 7 dias que Eliete fez sua passagem, dela não tenho uma fotografia, pois convivemos há muito tempo, deixo a bela jabuticabeira. pernambucana, por volta dos anos 90, se fez retirante em minas junto de seu pequeno filho. foi onde se encontrou com minha avó Das Dores (que aparece numa das fotos, comendo curau, fortalecendo seu coração gigante). Eliete, pouco a pouco, aos trancos e barrancos, pôde se organizar, conquistar seus direitos e ver florescer sua família. lembro dela com carinho! tinha uma fala direta, tão ácida, quanto valente! um tipo de inteligência e resiliência muito presente nas mulheres-solo. cuidava de meu irmão mais novo como se fosse filho.
acontece que esse mesmo irmão, o Rik, acaba de segurar o seu filho no colo. Camila e ele estão em pleno momento de se entrosarem com a cria. meu sobrinho João é lindo e logo devo aprender a embalar seu sono!
ontem, precisei ir ao pronto-atendimento, porque tenho convivido a duras penas com uma sinusite que não me deixa em paz. na espera a gente precisa se distrair com alguma coisa. pude conversar com mãe e filha, celebrando a criatividade e subversão própria de uma adolescente com seu visual não convencional.
contudo, na linha tênue entre a vida e a morte, havia outro jovem, como um retrato da insuficiência do estado em territórios marginalizados. situações que mexem com estruturas familiares e com qualquer um que se importe. a essa juventude, reservo a foto da ora-pro-nóbis, desejando melhoras, reforçando existência de toda beleza e poder nutritivo em meio aos espinhos, o saber estar bem sob o sol ou sob a sombra.
sobre o imenso alívio do carnaval, das amizades, das crianças, do companheiro, dos amores todos! com salve especial à Beth!
no mais, as alegrias da rotina!
e estou a encarar a estrada, que se mostra sinuosa, (in)finita.
relicário
invólucros
barroco
oralidade
tecido social
inacabável
acúmulo
fragmentos
gaiolas abertas
temporalidade dilatada
grito por liberdade
abundância
expansão
incompletude
movimento
rebelião
próprias mãos
artesania
memórias
enraizados
corpo
ancestralidade
desabrochou no cerne
contradições
_Sonia Gomes
Barroco mesmo
[palavras pescadas do texto de paulo miyada (curador)]
em 2025 realizamos o @textilearte.tear ! ❤️
foram encontros de compartilhamento de técnicas têxteis _ bordado, crochê e tecelagem, que abriram brechas para histórias, memórias e afetos.
durante meses, pessoas diversas participaram e, em especial, um pequeno grupo se manteve dedicado em cada ponto.
a maioria dos encontros ocorreram na Casa do Artesanato, mas também ocupamos o anfiteatro da Praça CEU e o espaço do Experimento Gráfico, todos em Pouso Alegre/MG.
os processos criativos e produtivos, individuais e coletivos, foram reunidos em uma exposição aberta ao público na Galeria Artigas, nomeada "Fios do Tempo".
o desenvolvimento do projeto foi possível pelo acesso ao edital da Lei Municipal de Incentivo à Cultura: FPC – Fundo de Projetos Culturais.
uma boniteza, deixo aqui o registro!
participantes nas fotos: Ana Maria, Hilda, Laura, Larissa, Leonardo, Silvana, Stela e Yubeny.
Direção Executiva: @moraisfms
Direção Criativa e Mediação Bordado: @thabataferrazz
Mediação Crochê: @cristorchia
Mediação Tecelagem: @nicolasloiolacamargo
Expografia: @brunosveiga
Fotos: @thaiscarlini.fotos
Identidade Visual: @nathalia.abdalla
Dj: @quimera.arts
Agradecimentos especiais a:
Superitendência de Cultura de Pouso Alegre
Casa do Artesanato de Pouso Alegre @culturamenottidelpicchia_pa
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1 e 2. Ateliê Vivo, Does it have an and? - Brasil, 2022.
3. Patrícia Tavares, A ferida de cada um - Brasil, 2022.
4. Alexandre Heberte, Serra do Catolé - Brasil, 2014.
5. Mestre Nato, Cobra Norato - Pará, 2010.
6. Ivan Cardoso, Hélio Oiticica em HO - Rio de Janeiro, Brasil, 1979.
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PLAY, FITE – Bienal Têxtil de Clermont-Ferrand ~
Sesc Pinheiros, São Paulo, 24 de agosto de 2025 a 25 de janeiro de 2026.
CONTEMPORÂNEO – Exposição Internacional de Arte Têxtil Contemporânea ~
CAIXA Cultural São Paulo, até 18 de janeiro de 2026.
parece que desaprendi de jogar bolinhas de gude, daí, pedi ajuda no grupo da família e um de meus irmãos disse que é o tipo de coisa que crianças aprendem sozinhas. ele deve ter razão.
minha avó materna se chama maria das dores e, desde que me entendo por gente, ela leva seu nome ao pé da letra, achamos até graça! só que, nos últimos dias, o coração de dona maria deu sinais explícitos de que pra continuar pulsando será preciso muito mais cuidado. ela reza, eu acho beleza em seu altar.
voltei ao transporte público cotidianamente, por vezes, vejo um vazio que só. essa rotina que aponta um caminho estreitinho, meio pinguela, incrivelmente, também leva a realização de sonhos. aprender e ensinar a sonhar. criar abrigos em poéticas vestíveis.
eventos outros acontecem em meio a isso (tudo), poderia ser só mais um festival desses de criatividade, mas reconheço uma brecha para ativar a memória das mãos, do uso da palavra. imprimimos sorrisos despretenciosos. as crianças realmente se permitem descobrir.
aiai, tantas coisas. 'mas tinha que respirar, todo dia'.
Sabrina e eu na Casa de Francisca. Um retrato. De repente, em meio aos tantos trabalhos e reuniões de ambos, fomos até um casamento na Catedral da Sé, e logo em seguida ainda arrumamos tempo para o samba e o ponto. Não é sempre que conseguimos, mas dançar um pouco e celebrar o encontro é bonito. Tecer foi e continua sendo nosso melhor meio de comunicação. Não exige tantos combinados. Com as mãos lançamos os fios num grande urdume que nós mesmos não preparamos, não está dado. Cabe a nós apenas tramarmos.