Ninguém nasce pintor,grafiteiro ou pixador,eu me tornei um.
No meio da dor, da revolta e das vozes caladas, encontrei na tinta uma forma de existir.
Comecei escrevendo frases contra o sistema, contra o racismo, contra a violência, contra toda injustiça que tentaram normalizar. Depois vieram os personagens, os traços, a identidade. Foi na pixação que eu entendi quem eu era, de onde eu vim e por que eu precisava lutar.
Pra muitos é crime. Pra mim, foi sobrevivência.
A arte me salvou antes que o ódio me consumisse.
E até o fim eu vou repetir:
prefiro ter as mãos sujas de tinta do que encardidas de sangue.
Repense suas opiniões sobre um pixador.
Muitas vezes as pessoas olham pra um muro e enxergam vandalismo, mas não enxergam a dor de quem escreveu ali. Às vezes é um pai de família escrevendo contra a misoginia porque quer proteger a esposa dentro de casa. É alguém gritando contra a transfobia porque tem medo de perder um filho na rua. É alguém escrevendo contra o racismo porque não quer ver mais um irmão preto morto pela polícia.
O pixador não é só aquilo que falam dele.
Não é só “vagabundo”, “bandido” ou “vândalo”. A tinta custa caro, o risco custa caro, e ninguém sobe um prédio ou encara a madrugada sem carregar alguma coisa queimando por dentro.
A pixação, muitas vezes, é a voz de quem nunca teve microfone.
É a assinatura de quem quer lembrar ao mundo que existe.
Você não quer olhar pra dentro da favela das pessoas, mas olha pro muro pixado porque sabe que ali existe uma vida, uma revolta e uma história tentando ser vista.
Então repense.
Repense o muro.
Repense quem escreve nele.
Essa obra ganhou forma pelas mãos de :
🎥 Gravação e edição:
@mi.bxd
🎙️ Captação de áudio:
@rjotaamc
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