Maxwell Lucena Vignoli

@maxwellvignoli

Followers
3,282
Following
5,423
Account Insight
Score
30.2%
Index
Health Rate
%
Users Ratio
1:1
Weeks posts
Cenas paternas: - acreditar, por lapso de momento, que vamos nos eternizar; - Assistir o filho falar palavras suas, pensar e movimentar-se como você; - Sentir frustrações por seu filho ser único, autônomo e, portanto, contestador; - Ver as coisas não fazerem mais sentido ou caberem porque o filho cresceu; - Perceber curiosidade no olhar do filho quando apontar algo; - Escutar um riso depois de cena assustadora sobre medos de ratos; - Recordar momentos com o filho já com nostalgia; - Olhar com riso para os ciúmes do filho menino para com os filhotes peludos; - Assistir filmes juntos e escutar “papai tá dormindo”. E saber que ele gosta de filmes de arte e alternativos e já chama alguns outros de “filme fórmula”; - Saber que não tem habilidade no joystick e perder várias vidas, tornando-se o maior medo do filho ao se aproximar do joguinho eletrônico; - Acompanhar o filho reconhecer cantores, artistas plásticos, pintores só olhando ou escutando suas obras; - Lembrar do passado na própria infância e reajustar alguns cursos e escolhas no adulto atual; - Usar como meio de pagamento e escambo muitos abraços, abraços e abraços e a frase mais valorosa “eu te amo” 📸 Obrigado pelo lindo trabalho @flavinharabelof .
1,046 278
9 months ago
PRÉ-CADASTRO de pretendentes a adoção. Acesse o link abaixo: 👇🏻 . j.jus.br/sna/ . 🚨Não esquece de me seguir para mais dicas! . #adoção #criancaeadolescente #familialgbt #orgulholgbt
2,580 723
3 years ago
Trinta anos separam o espelho das lentes. De um lado, a lente da filmadora do filme Central do Brasil: o sol racha, as montanhas de pedra observam e um porco vaga. Na torre de cimento árido, um banco arrodeia a torre-altar com a imagem de Padre Cícero no topo. Lá sentam Dora e Josué. Ela, cabisbaixa, cansou de não postar as cartas. Ele, o menino olha para as mãos dela no caminho para encontrar o pai dele, ambos cansados Naquele banco daquele tempo, sem grades, sem enfeites, no Sertão profundo do limite, a pausa se torna sagrada. Foi ali que o desejo de fugir (o ego “Dora” que queria voltar para a estação) cedeu ao ato de acolher Josué e seu sonho. Naquele descanso precário, nasce uma decisão. A viagem continua porque houve repouso. Era no Cruzeiro do Nordeste, encruzilhada das estradas do Sertão de Pernambuco. Nós, viajantes, olhamos para a torre e nos perguntamos: As grades do monumento protegem quem? De que? Até porque grades foram criadas pela arquitetura do medo. Algo vazado para passar vento e luz e não passar um ser humano. Para afastar o humano mal. Sem o mal as grades existiriam? “Padim Ciçu tá lá dentru do vrido”, suado, embaçado e desgastado, vendo tudo. Viu a bancada circular aberta para sentar de 1998 e agora vê a mistura do concreto que fixou os ferros em grades empurrando o descanso e pouso dos viajantes para fora. Colocaram plantas para enfeitar a aridez do totem, mas não cuidaram delas. O canteiro ficou mudo. E colocaram grades onde Dora sentava. Onde o viajante pausava. A pausa necessária para continuar a viagem agora é proibida por decreto estético: “medo, medo, medo! De que ou quem mesmo? A crise não é só cultural, é estética. Continua nos comentários…
59 3
22 days ago
“Procuro na minha arte a forma adequada para exprimir a verdade das minhas aspirações humanas.” — Lasar Segall Lasar Segall, artista lituano-brasileiro, judeu, imigrante e refugiado, pintou esta obra em 1939. Denominada “Navio de Emigrantes”, foi concebida com tintas e areia em uma tonalidade quase única para aparentar aspereza e uniformidade. Ao transformar os passageiros em uma massa sem rosto, Segall denunciava como a política da época os via: não como pessoas com aspirações, mas como um problema a ser “devolvido”. A pintura foi inspirada em um incidente execrável de 1939, conhecido como o episódio do navio MS St. Louis (o “Navio dos Malditos”). A embarcação partiu da Alemanha com refugiados judeus e foi barrada nos EUA, Canadá e Cuba, pois esses países temiam o “roubo de empregos” e a difusão de “ideologias perigosas”. A forma de pintar de Segall não tem horizonte. Não há plano de fuga. O nosso olhar não descansa e é obrigado a enfrentar a massa de pessoas nesse “não-lugar” onde a humanidade ficava à deriva. São aspirações frustradas de indivíduos desumanizados, amalgamados em uma coletividade nivelada pela deformidade e tristeza. Algo tão humano como as aspirações não morre; torna-se esperança ou uma apatia cortante. Veja o olhar de alguns personagens, fitando seus filhos com pouca certeza de futuro. Estariam ainda vivos? Mais de 250 tripulantes desse navio perderam a vida ao retornar para a Europa. Traumas da expulsão, da negação e do expurgo. A morte das belezas do indivíduo para favorecer o frágil ego medroso, incapaz de lidar com seus próprios erros. Apontam para fora o que, por dentro, não conseguem aceitar. Reflexão: Muitas vezes, as barreiras que levantamos para o outro são reproduções dos muros que não conseguimos derrubar dentro de nós mesmos. O que você está tentando proteger em você quando nega o refúgio aos outros? (Leia nos comentários as histórias de Elga e Mateo)
47 17
2 months ago
Sexta com a fada Pixie. “Pinte o que você sente, não apenas o que seus olhos alcançam pois a alma tem cores que a natureza às vezes esquece de usar.” Pamela Colman Smith O baralho de tarô conhecido como Waite foi pintado por essa mulher da frase acima. Gostaria que vocês soubessem disso porque só ao homem, cujo nome é desnecessário agora, era conhecido por muito tempo. Ela era sinestésica, via cores e formas em sons, pintava ao som de, principalmente, Claude Debussy. Mística. A carta da rainha de paus, segundo estudiosos do simbolismo do tarô, a representa, quase um auto retrato. Ela tem um gato preto sob seus pés olhando diretamente para nós. A sombra animalesca vivamente destacada na carta, eis onde ela está e aí fica se ela desejar posto livre, independente e autônoma, sem precisar de aprovação de ninguém. E assim ela ficou durante muitos anos após a sua morte para ser reconhecida como artista. Pixie, seu apelido, para você, um haicai: Fada sem dorsel Abre o mundo invisível Gira teu pincel
19 4
2 months ago
Sextas-feiras gordas são momentos de vestir a fantasia para ser outros que gostaríamos e sonharíamos ser sem ser fantasia. Cláudio entrou apressado naquela manhã de fevereiro na sala de aula do curso de direito. Era o ano de 1992, ele cursava o segundo ano desse curso desejado e imposto por muitos pais aos filhos daquela época e até hoje. Os alunos fizeram um levante engraçado: “hhhuuummm…”, “ontem foi bom..”. E Cláudio com um riso maroto mostrou os dentes brancos em contraste com a pele vermelha, queimada exageradamente pelo sol de Olinda, Pernambuco, Brasil, no dia anterior, quando ele participou do Bloco “das virgens de Olinda”. Nesse bloco, que ainda existe, o que consideramos ainda pertencentes ao feminino é usado por pessoas do sexo masculino cisgêneras, como uma caricatura, para ridicularizar o feminino e, sobretudo, para reafirmar entre os “parças” que eles seriam “homem o suficiente” para brincar de ser o que eles desprezavam. Para aqueles machos um lapso mínimo de um dia com vestidos, sombras e batons borrados, os blindam do que eles ojerizam para si e, frágeis, escondem o medo de perder seu posto e status dominante. Mas para Cláudio participar desse evento carnavalesco não era seque ser “moderninho”, “descolado” e “cabeça”, como diria antigamente “simpatizante”, era sim esconder um ódio forjado por medos a ele impostos. (Continua nos comentários)
92 18
3 months ago
A sábia do campo mora naquela mata. Um conto real de sextas. Aquele pesinho na sandália de dedo abaixo da cadeira da frente do assento do veículo mexeu os dedos e espreguiçou. Calça comprida lavada pela mãe tinha cheiro de amasiante. Ele se espreguiçou e, ao seu lado, o irmão dormia. Saiu de casa às seis da manhã, acordou às cinco, pegou o transporte para um destino incerto. Destino que se calcula para uma vida toda e por um propósito. Ele não sabia qual mas diziam que “se ele fosse, ele seria alguém na vida”, ele ia no tédio repetitivo de discursos e atos, mas ele ia todos os dias. A uma hora de percurso de estrada de terra, lama e parte de asfalto era mais longa da sua perspectiva infantil. Bocejou, olhou para seus pés e para via da vegetação seca, cinza e marrom do mês de janeiro, mas estava frio pois o ar-condicionado era forte demais e batia os dentes. A visão da vegetação caatingueira ficava longe da sensação arrepiada da sua pele. Seus olhos o traiam ou era sua pele. Mesmo lotado, era frio o ônibus. Paradoxo não enfrentado pela maioria dos meninos deitados e adormecidos tortos nas cadeiras. Uma compreensão vaga passava na sua mente sobre as razões do transporte ser tão frio, poderia ser o calor do motorista perto do motor. Mas a verdade era uma intensão culpada de adultos por obrigá-los a enfrentar diariamente o percurso longo para chegar a um modelo idealizado e controlado de gente. A cantigueira, o paudarco, o Juca e o mandacaru, junto com os bodezinhos e o pessoal da roça ficaram para trás na poeira turva vista do vidro traseiro. À frente o incerto. Qual o propósito desse destino? Biino não sabia nem tão pouco os tripulantes do transporte. …continua nos comentários…
54 5
3 months ago
Nas sextas, um soneto para se perder ou se achar, tanto faz. “Onde minhas versões se cruzam, fiz das encruzilhadas um altar.” Fernando Pessoa. Soneto da encruzilhada. Silêncio, em mim, faça-se profundo, E, de lá, sua voz ecoa o que o mortal esquece Minha alma, em versões, enfim enaltece Mas triste, descobre o eu como centro do mundo Nas encruzilhadas em que o ser se esfacela Onde os poetas encontram sua clausura Ergui altar na noite mais escura Para a alvura que, das agruras, se revela Onde minhas versões se cruzam, vi Que o altar é o vácuo de uma eterna lei: Finda-se o eu, ali onde sempre fui. Lá estão, na encruzilhada, o que vivi. Nas nuances do silêncio, arcano, reinei No rio de mim, e para origem flui.
42 10
3 months ago
A mesma cantata para Cláudio doutra perspectiva Cantata para um cidadão amoroso. Ato I: O berço de ouro e afeto. O cenário é acolhedor, com luzes quentes. Cláudio criança é cercado por figuras que o abraçam enquanto o vestem com roupas impecáveis. Coro (Família): Nós te damos o mundo, nós te damos o mel, Seja o menino que aponta pro céu. Estude nos livros, aprenda a lição, O amor é o prêmio da tua perfeição. Cláudio: Eu sinto o calor, eu sinto o cuidado, Para ser amado, preciso ser moldado. Nas melhores salas, nas notas mais altas, Eu preencho o vazio de todas as faltas. Eu sigo a regra, o trilho, o guia, Para não perder esta doce harmonia. Ato II: A estética acadêmica. Cláudio, agora jovem adulto, veste uma toga ou terno elegante. Ele se move entre bustos de pensadores, mas seus olhos estão fixos no chão. Coro (Academia): Ele é o brilho da nossa linhagem, Mestre em cumprir a melhor personagem. Não questiona o mestre, não rompe o selo, É a ordem pura em cada pelo e cabelo. Cláudio: A faculdade me deu o diploma, A sociedade me deu o seu aroma. Eu não busco a verdade, eu busco o lugar, Onde o “ser correto” me faz prosperar. Se a regra mudar, eu mudo o passo, Pois o meu maior medo é o descompasso. Ato III: O medo, esse sútil invasor. O tom muda. A música torna-se marcial. O amor da família sutilmente se torna proteção, mas isso permanece desconhecido pelos personagens porque para sobreviver só luz pode existir, a sombra é do outro. Coro: Pelo bem dos seus filhos! Pelo bem da pátria! Pelo bem do seu lar! Há um perigo lá fora querendo entrar! Há um grupo querendo usurpar! Se você nos ama, defenda o padrão, O amor agora exige exclusão! Cláudio (com orgulho trágico): Minha família me ensinou a zelar, Se a ordem me ama, eu vou cortar. Para ser o bom filho, o bom cidadão, Eu entrego ao sistema o meu coração. Se o ódio é a regra para eu ser aceito, Eu guardo o ódio dentro do peito. (continua nos comentários…)
42 13
3 months ago
Sexta e a cantata do cidadão de bem. Personagens: Cláudio: Barítono (Voz firme, porém monótona). O Coro (Sociedade/Sistema): Representa as vozes da ordem, do dever e, posteriormente, do ódio. Ato I: A estética do equilíbrio.. Cláudio está no centro, cercado pelo Coro que se move de forma mecânica e simétrica. Coro: Nasceu no centro, no peso da régua, Nem alto, nem baixo, nem guerra, nem trégua. Cláudio é o espelho do que se espera, O filho dócil da sua era. Cláudio: Eu sigo o fluxo, eu cumpro o horário, Meu nome é limpo no formulário. Se o mundo diz “sim”, eu não digo “não”, A obediência é minha oração. Ato II: O sútil medo da desordem. O ritmo da música torna-se marcial e urgente. O Coro começa a apontar para “inimigos” invisíveis. Coro: Eles vêm para tirar o seu sossego! Eles não falam sua língua, não sentem seu medo! Proteja o padrão! Mantenha a pureza! A ordem exige uma mão de firmeza! Cláudio (confuso, mas cedendo): Eu não os odeio... ou será que odeio? Mas se todos dizem, aceito o receio. Se a lei me protege e aponta o culpado, Eu sinto o alívio de estar do lado... Do lado de dentro, do lado do “nós”. Do lado correto, do lado dos bons. (Continua nos comentários…)
49 9
4 months ago
Como bem advertira o mestre de Zurique, Jung, “não nos iluminamos imaginando figuras de luz, mas tornando consciente a escuridão” ou de modo mais poético: a iluminação não nasce de fantasias límpidas e brilhosas, mas do mergulho visceral no abismo e recônditos escuros do ser. Pois evolucionista que sou, nunca fui tão confrontado com minha sombras como nos últimos tempos. Elas, as sombras, já estavam lá mas eu as encobria por medo e acomodação, “pois temia o que o espelho ocultava sob a pátina da conveniência”. Exibindo-me supostamente luz, simulacro da virtude, véu diáfano da falsa santidade. Mas ainda bem que elas estão aflorando e eu vejo o delineado delas mais perfeito porque algumas almas assombraram-me ultimamente. Alguns presidentes, deputados, prefeitos, motoristas, vendedores, pessoas do trabalho etc. E essas almas são porta vozes e catalisadores dessa escuridão. O esforço meu, agora, é aceitá-las como importantes, mas as minhas sombras afloram e tento destruí-las. E eu, que me imaginava puro, cristalino e brilhante, notei a luz não vir de mim mas sim eu empatá-la. Continua nos comentários
68 26
4 months ago
315 59
4 months ago