“Com cuidado, precisamos antecipar: esse não é um livro de receitas. É um livro com receitas, acompanhadas de histórias reais, contadas por quem busca, por quem alimenta a esperança, por quem encontra no sabor uma forma de presença. Ele nasce do encontro entre nossas vidas, lutas e memórias.
(...)
As páginas a seguir reúnem receitas narradas por quem as preparava ou quem as recebeu com afeto. Através desse registro pretendemos mais do que um catálogo culinário: queremos também ser um instrumento de homenagem, cuidado, escuta e reconhecimento. Um livro onde a saudade ganha forma, cheiro e cor. Não como um guia de preparo, mas como um mapa da memória.
Já não há muito o que antecipar, vamos começar o dia. E, começar o dia é mais do que abrir os olhos. É reconhecer, a cada manhã, a importância de recomeçar, de manter viva a memória de quem amamos. De dar sentido ao tempo. De alimentar, com gestos simples, tudo o que permanece.”
Em março, quando o
@cicvbrasil me convidou para fazer a coordenação técnica deste livro o tema do desaparecimento forçado estava muito distante de mim. Ao menos à primeira vista: estima-se que, nos últimos 10 anos, mais de 200 pessoas desapareceram por dia no Brasil, por diferentes razões. Número que pode estar subnotificado.
A publicação é fruto do Movimento Nacional de Familiares de Pessoas Desaparecidas com o apoio do CICV. A versão impressa é uma homenagem e um presente para os familiares. Mas você pode acessar a versão online na página do
@cicvbrasil .
O prefácio é escrito pelo
@marcelorubenspaiva e sua família também contribuiu com a receita de sorvete napolitano para o Rubens. Aliás, todas as receitas têm endereçamento. Todas as histórias resultam de um processo de escrita e escuta cuidadosa. Cada imagem foi produzida a partir dos referenciais estéticos narrados pelas famílias. Um trabalho de muitas mãos.
Um trabalho do qual saio mais inteiro.
Fotos:
1, 7, 8, 10, 11: T Fernandes/CICV
2, 3, 4, 5, 6, 9:
@neryandre /CICV