DHARMA FA
Há mais ou menos quatro anos tive a oportunidade de visualizar essa linha na Praia do Miguel. Ela me chamou atenção, antes de tudo, pela pureza. É um boulder problem de um movimento: dois apoios óbvios e agarras de mão que me impressionaram. Uma delas, uma faca invertida perfeita, acabou quebrando um pouco e ficou menos afiada. A mão esquerda em uma protuberância lateral perfeita para pegar em gaston. A maior treta eram os pés, ou melhor, a ausência deles. Nenhum parecia fazer sentido para fazer qualquer coisa. À primeira vista, parecia impossível…
Com o tempo, fui resolvendo outras pendências e decidi focar nesse projeto. Depois de testar muitas formas de fazer o movimento, defini um pé minúsculo de bico esquerdo como o apoio que iria usar. A partir daí, foi questão de tempo até conseguir estabilizar a saída e esboçar algum jeito de alcançar a borda. A sensação era de explodir para cima (e logo em seguida despencar para baixo).
Entre muitas idas e vindas da vida e da escalada, no total foram quarenta e cinco dias tentando esse boulder, movido pela curiosidade de saber se era possível, se eu era capaz…
Nada disso teria sido possível sem o suporte dos amigos e familiares que sempre estiveram ao meu lado na vida e em tantas idas à Ilha do Mel. Saibam que amo vocês e valorizo profundamente toda a vivência que construímos juntos nesses anos de parceria e cumplicidade.
Por último, e talvez menos importante, vamos lá hahaha. Escalo há mais ou menos sete anos, sendo cinco deles dedicados avidamente à modalidade do boulder. Já tive a oportunidade de conhecer vários lugares do Brasil e experimentar linhas que considero referência em dificuldade pela sua especificidade e intensidade. Diante desse contexto e da minha experiência, posso afirmar que essa foi a linha mais difícil que já conquistei. Comparando com outras que já provei de estilo e grau similares, sugiro a graduação 8A+ / V12 para essa linha.
E para aqueles que duvidarem da qualidade e da real dificuldade dos boulders de um movimento: tentem primeiro e depois parem de ser frouxos…