Ano novo, novo ciclo. Só alegria!
Valeu @kakolopes pela oportunidade
E @lab013henry pelo milagre.
Um grande prazer trabalhar com essa equipe!
#surfland #garopaba #tbt
TBT de TDP
Caminhar por Torres del Paine é como entrar em uma pintura viva, onde o vento sopra histórias de eras glaciais e o silêncio só é interrompido pelo estalo do gelo se desprendendo de um glaciar.
As famosas torres de granito, que se erguem como sentinelas de pedra contra o azul infinito, são o testemunho de uma natureza que não conhece pressa. Elas viram o tempo passar, moldadas pela paciência dos elementos, aguardando aqueles corajosos o suficiente para cruzar os vales e admirá-las de perto.
E como diria nosso amigo @vinicius_luandos
" O sofrimento é certeza, mas a diversão é garantida!"
Mendoza é um deserto que decidiu virar abraço.
No meio do clima árido, as montanhas se erguem imensas, e a cidade floresce graças as acequias que correm silenciosas pelas calçadas, um trabalho paciente que transforma areia em sombra.
Nunca vi um lugar tão seco ter tantas árvores, tantas ruas acolhidas por verde. Parece até que a própria cidade aprendeu com as pessoas que vivem ali: cuidado, presença e generosidade fazem florescer até o que, à primeira vista, parecia impossível.
E talvez seja isso que mais marca: um deserto que refresca, uma cidade que acolhe, e gente que recebe como se já conhecesse a gente de longa data.
O Sul e a Bahia carregam ritmos diferentes de existir.
O frio do Sul ensina o silêncio, o recolhimento, o cuidado que muitas vezes se manifesta mais nos gestos do que nas palavras. É um jeito de ser mais contido, mais introspectivo — onde o afeto mora na presença, na firmeza dos vínculos, no olhar atento.
A Bahia, por sua vez, é território de axé. De calor que aquece o corpo e os encontros. Onde a vida pulsa no compasso do tambor, no riso fácil, na conversa sem pressa, na dança que nasce na rua, no mar, na fé, na música que não para. É alegria, sim, mas não só: é resistência, é ancestralidade, é celebração da vida, mesmo quando ela pesa.
E no encontro dessas culturas tão diferentes, surge uma compreensão bonita: a de que o mundo não é feito de opostos, mas de complementos.
Que há beleza no silêncio e na palavra, no recolhimento e no abraço aberto, na firmeza e na leveza.
Porque, no fundo, todo lugar carrega sua forma de amar, de acolher, de viver.
A baianidade, essa ginga que parece só da Bahia, também mora em todo lugar onde há espaço pra alegria, pra partilha, pra conexão verdadeira.
E o Sul, com sua força discreta e seu coração protegido, também carrega beleza no que guarda, no que cuida, no que preserva.
A vida é assim: uma dança que às vezes convida pra dentro, às vezes pra fora.
Mas que no fim… segue sendo dança.
Fotografia: Valentina Ciullini ( @__lenchu )
#CulturaBrasileira #VivênciaReal #Nordeste #Bahia #BrasilProfundo #OlharAfetivo #AfetoCotidiano #ConexãoVerdadeira
A HISTÓRIA DA CONCHA ACÚSTICA
Uma das perguntas mais feitas nesses últimos 10 anos certamente é sobre a origem da Concha Acústica.
Lá nos primordios, quando tudo era apenas um grande terreno em busca de boas ideias, um amigo nosso, que morava à época em Rio Grande, engenheiro em uma plataforma da Petrobrás, começava a estudar uma novidade chamada Permacultura, um sistema de construção sustentável.
Em uma das visitas a Porto Alegre, desenhou um projeto "megalomaniaco" e veio com a ideias de construir um palco em forma de Concha, uma meia geodésica de madeira. Eu, sinceramente, não fazia a menor ideia do que se tratava, mas minha intuição dizia para acreditar. E por intuição, entenda-se também, o baixo custo de construção que, com a curtissima grana inicial somada à confiança na amizade, soava perfeitamente adequada naquele momento.
Eis que certo dia chegam ao (futuro) pátio do Maestro em uma Kombi, Damian, um ser argentino evoluído de outra dimensão muito longe da nossa, e Bernard, o engenheiro calculista. E nesta kombi, e por diversos cantos do Espaço, permaneceram dormindo por quase duas semanas, recusando todo e qualquer convite de sair dali por algum conforto. E ali ficavam, entre a construção da base em pneus, depois concretada, o piso de madeira e os milimetricos angulos que formam os hexagonos da geodesica, revestidos, já depois da inauguração, por compensandos. E por fim, como acabamento, saíram em buscas de caixas de leite por todas as instituições escolares da Tristeza para revestir e proteger da chuva. O pano vermelho que sobrava de alguma parte da obra deu o toque de acabamento final.
Na fogueira, que por muito tempo permaneceu na mesma posição, entoavam diversos cânticos ao longo das noites abençoando aquele que se tornaria um dos palcos mais icônicos da cidade.
Hoje, poucas noticias temos dos verdadeiros donos do projeto Concha, mas sabe-se que Bernard andava pelo interior da Indonésia e Damian no interior, em alguma floresta (?!) argentina.
À eles, o nosso eterno obrigado, não só pelo palco espetacular, mas pelas bençãos que para sempre permanecerão no pátio mais querido da zona sul.
T.P.