Evoéros! Bakchai, bacantes!
Nós, do Povo da Lagoa, através do nosso Núcleo de Estudos e Experimentos Teatrais (NEET), estamos mergulhados na história viva da classe trabalhadora da nossa cidade.
Em 2025, iniciamos uma pesquisa e processo de criação sobre o Teatro Operário de Rio Grande, a partir do acervo da Sociedade União Operária (SUO).
A SUO foi fundada em 1894, na cidade de Rio Grande, no extremo sul do estado do Rio Grande do Sul, com sede no centro do município. Esta entidade se tornaria o principal local de encontro, mobilização e formação da classe trabalhadora na cidade durante aproximadamente sete décadas; sendo fechada em alguns momentos – incluindo em 1950, ano do Massacre da Linha do Parque, e definitivamente suprimida em 1964 com o golpe militar.
Dentre as atividades oferecidas pela SUO aos seus associados estavam também àquelas ligadas a educação e a fruição cultural. O Teatro, neste contexto, tornou-se um aliado fundamental na construção do ideário operário. A SUO contava para isso com um Grêmio Dramático responsável por montar e apresentar no palco-salão da União operária diversos espetáculos que variavam de comédias ligeiras a comédias realistas, dramas e melodramas românticos e realistas. O repertório era composto, de acordo com o relatório presidencial realizado em 1909, por 170 obras. O que restou deste acervo encontra-se hoje junto ao Centro de Documentação Histórica Prf. Hugo Alberto Pereira Neves (CDH) no Instituto de Ciências Humanas – ICH da FURG
@furgoficial .
A pesquisa aqui proposta tem como objetivo o resgate destas obras dramatúrgicas guardadas no CDH (algumas centenárias) suas transcrições e digitalizações, bem como as suas eventuais republicações e remontagens cênicas via Núcleo de Estudos e Experimentos Teatrais – NEET, do Coletivo Cultural Povo da Lagoa Grupo de Teatro. O intuito desta pesquisa se baliza no estabelecimento de um diálogo entre este acervo e a população rio-grandina, sobretudo com os trabalhadores e trabalhadoras dos bairros e distritos que pouco conhecem a história operária da cidade de Rio Grande.
Assim, reacendemos memórias, inventamos novas cenas e tecemos um futuro com as vozes do passado.
Evoé!